Oração pela paz. Reunidos os três “irmãos”: a força do gesto inédito

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Por: Jonas | 10 Junho 2014

“Existem gestos que me saem do coração, naquele momento...”. Assim o Papa Francisco respondeu aos que, há duas semanas, perguntavam-lhe como nasceu a homenagem com o beijo na mão dos sobreviventes da Shoa, em Yad Vashem. E é dessa forma que surgiu para Bergoglio a ideia de reunir, para rezar, os responsáveis dos dois povos, o israelense e o palestino, durante a breve viagem à Terra Santa, no último mês de maio. O sonho não pôde ser realizado naquele momento, mas o Papa não o renunciou e convidou à sua casa Simon Peres e Abu Mazen.

 
Fonte:http://goo.gl/eaDPok  

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 09-06-2014. A tradução é do Cepat.

A invocação a Deus para que conceda a paz à Terra Santa ocorreu ontem à tarde, no Vaticano, em um novo gesto inédito. João Paulo II, após o 11 de setembro, convidou os líderes das diferentes religiões a Assis. Porém, não pôde rezar no mesmo lugar que se combatia. Mais do que as palavras, que de qualquer modo são significativas, o que mais se destacou da cerimônia, no jardim triangular, com a Cúpula ao fundo, foram os silêncios, os participantes, as imagens. Algo realmente “potente”, comentou o porta-voz do presidente Peres. Uma celebração preparada em todos os detalhes pelo Custódio da Terra Santa, o padre Pierbattista Pizzaballa, dando igual espaço às três religiões professadas por aqueles que vivem em Israel e Palestina. As três orações distintas, sem confusão, mas acompanhadas por tantos crentes em todo o mundo, todos espiritualmente presentes ao lado dos quatro anciãos que plantaram uma pequena oliveira, símbolo da paz e planta emblemática. Serão necessários muitos anos para que possa dar os primeiros frutos.

Um gesto inédito, o de ontem à tarde, também para os cristãos. Unidos no abraço entre Francisco e o Patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, ambos em posição central no momento da saudação final da paz. Uma minoria, a cristã, cada vez mais reconciliada em seu interior, que pode desempenhar um papel chave na pacificação entre israelenses e palestinos.

Francisco quis colocar uma pedra em um processo de negociação estagnado, interrompido após a decisão de Abu Mazen em dar vida a um governo de unidade nacional com expoentes do Hamas, diante da qual veio o anúncio por parte do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de autorizar milhares de novos assentamentos de colonos na Cisjordânia. O bispo de Roma não atuou como político, convidou os dois presidentes para rezarem, como homens de fé, sob a sombra da Cúpula de São Pedro. As tensões e os conflitos abertos continuam sendo muitos. Tanto Peres como Abu Mazen se referiram, em suas intervenções, à unidade de Jerusalém como cidade santa de suas respectivas crenças. Contudo, o presidente de Israel, próximo do fim de seu mandato, também reconheceu que a paz dever ser construída, até mesmo “se isso significa pedir sacrifícios ou compromissos”.

Francisco não fez exerceu o papel diplomático e nem o de mediador. Entretanto, disse palavras muito claras sobre as muitas vítimas inocentes da guerra e da violência: “É nosso dever fazer com que o seu sacrifício não seja em vão”. “Para construir a paz – acrescentou – é necessário coragem, muito mais do que para fazer a guerra. É necessário coragem, valentia, para dizer sim ao encontro e não ao desencontro; sim ao diálogo e não à violência; sim à negociação e não à hostilidade; sim ao respeito dos acordos e não às provocações; sim à sinceridade e não à mentira. Por todos estes motivos, é preciso a valentia, grande força de ânimo”.

E invocar a Deus, levantar os olhos para o céu, não significa em nada renunciar ao empenho de construir “artesanalmente”, todo dia e com valentia, a paz. Ter rezado no mesmo lugar, com rabinos, padres e imam, com os representantes dos povos de Israel e Palestina, no dia em que os cristãos celebram Pentecostes – festa do Espírito Santo, que “é harmonia”, como sempre recorda Bergoglio – é um chamado à responsabilidade. A espiral do ódio e da violência é destruída “com uma só palavra: ‘irmão’. Entretanto, para dizer esta palavra – concluiu Francisco – todos nós devemos levantar os olhos para o céu e nos reconhecer filhos de um único Pai”.

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