O Papa, Peres e Abu Mazen, diferentes orações e invocação pela paz

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Por: André | 09 Junho 2014

A “invocação pela paz”, que reunirá neste domingo à tarde nos jardins do Vaticano o Papa Francisco, os presidentes de Israel, Simon Peres, e da Palestina, Mahmoud Abbas (Abu Mazen), e o patriarca ecumênico ortodoxo Bartolomeu, começará com três diferentes orações – judaica, cristã e muçulmana. Tratar-se-á de uma “pausa da política” e entre as delegações, ainda incompletas, não haverá expoentes dos respectivos governos.

 
Fonte: http://bit.ly/1hDNylC  

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada no sítio Vatican Insider, 06-06-2014. A tradução é de André Langer.

Jorge Mario Bergoglio convidou os dois líderes do Oriente Médio para a sua “casa” durante a recente viagem à Terra Santa. Na sexta-feira, na Sala de Imprensa do Vaticano, o porta-voz, padre Federico Lombardi (na foto à esquerda), e o custódio da Terra Santa, o franciscano Pierbattista Pizzaballa (na foto à direita), apresentaram o programa do evento, que começará na tarde do domingo com a chegada dos dois presidentes ao Vaticano: Peres, às 18h15, e Abbas, proveniente do Egito, às 18h30. Bergoglio acolherá a ambos em sua casa, na Residência Santa Marta, para uma breve saudação, primeiro com um e depois com o outro. Às 18h45, os três receberão o patriarca Bartolomeu no hall da residência, cuja chegada a Roma está prevista para o sábado à noite. Um carro levará os quatro a um “belíssimo prado triangular situado entre a Casina Pio IV, sede da Academia das Ciências, e os Museus Vaticanos”, disse Lombardi, um espaço “orientado para a cúpula de São Pedro”.

A parte pública do encontro acontecerá com a presença da imprensa: abertura musical, uma breve introdução em inglês que explicará o desenrolar do evento, e depois três diferentes momentos de oração das três religiões. Primeiro a judaica (em judaico), depois a cristã (em inglês, italiano e árabe) e, para terminar, a muçulmana (em árabe). “Não se reza juntos, mas se está juntos para rezar, evitando qualquer forma de sincretismo”, precisou Pizzaballa. “Alguns podem observar que os dois presidentes não são religiosos, mas são crentes: para rezar não é necessário vestir o hábito religioso”, prosseguiu, destacando que “Abbas conhece muito bem o Corão e Peres os escritos judaicos” e que, em qualquer caso, os dois presidentes estarão presentes como “representantes do seu povo” e não como líderes religiosos.

Bartolomeu, por sua vez, pronunciará uma parte da oração cristã. As três orações terão a mesma estrutura: uma passagem sobre a criação, um pedido de perdão e uma invocação à Paz, com pequenos intervalos de breves passagens musicais. Finalmente, as intervenções do Papa, do presidente Peres e do presidente Mahmud Abbas “que dirão as palavras que acreditarem apropriadas e sua invocação à paz”. A parte pública do encontro terminará com “um gesto de paz, provavelmente se darão as mãos”, disse Lombardi. E depois os quatro protagonistas plantarão uma oliveira, símbolo da paz.

Bergoglio, Bartolomeu, Peres e Abbas, finalmente, se dirigirão ao prédio vizinho do Casino Pio IV, sede da Academia das Ciências, e se deterão para uma última imagem pública no pátio (‘Ninfeu’). Depois, entrarão para celebrar um “encontro reservado que não será presenciado pelos jornalistas nem pelas câmaras de televisão”. Trata-se da última etapa do encontro. Com a despedida do presidente de Israel e da Palestina, prevista para entre 20h30 e 20h40, termina a “invocação pela paz”.

“É uma pausa em relação à política”, disse o padre Pizzaballa: “O Santo Padre não quer entrar em questões políticas do conflito entre Israel e Palestina, que todos conhecemos em detalhes, de A a Z. É uma pausa  em relação à política: a política tem suas dinâmicas, seus tempos, mais ou menos longos, ou mais ou menos curtos, como se preferir; mas o desejo do Papa é o de levantar o olhar e ir além do aspecto político, convidando também os políticos para fazer uma pausa”.

Para o Custódio da Terra Santa, “tanto os meios de comunicação israelenses como os palestinos estão muito interessados, sinal do profundo interesse nos respectivos países”, e “embora não se possa evitar um certo ceticismo” existe uma “grande expectativa e uma grande curiosidade”. Em geral, “ninguém acredita que depois deste evento a paz irá eclodir na Terra Santa”, mas a tentativa é o de “fazer um gesto forte”, “uma iniciativa muito importante para reabrir este caminho onde todos sentem novamente a necessidade desta paz” e de “esperar e sonhar” para “devolver ao âmbito da discussão política também esse respiro – que está um pouco em falta – amplo, com uma perspectiva de altura e para o outro. Também para ter um impacto sobre a opinião pública”.

As delegações de Israel e Palestina ainda estão incompletas. Provavelmente, estarão formadas por cerca de 15 a 20 pessoas cada uma. Está prevista a presença junto a Peres de representantes do judaísmo italiano, como o presidente da União das Comunidades Judaicas Italianas, Renzo Gattegna. Confirmada também está a presença dos dois amigos argentinos que acompanharam o Papa na Terra Santa, o rabino Abraham Skorka e o muçulmano Omar Abboud. Não está prevista, explicou Lombardi respondendo às perguntas dos jornalistas, a presença do Papa emérito Ratzinger. O cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, também não teve um papel específico na preparação do evento. Expoentes do Hamas, que acaba de formar uma coalizão com o governo palestino? “O objetivo do evento é religioso”, respondeu Pizzaballa, “não participarão figuras dos dois governos, mas da sociedade israelense e palestina. É uma pausa da política”.

Nota da IHU On-Line: Os textos da celebração "Invocação pela Paz", em italiano e inglês, podem ser acessados clicando aqui.

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