O “carrinheiro” do Papa, em greve de fome pelos pobres de Buenos Aires

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Por: André | 02 Junho 2014

Apoiado na sua amizade com Francisco, Sergio Sánchez, conhecido como o “carrinheiro” do Papa, uniu-se à greve de fome que moradores dos bairros marginalizados de Buenos Aires estão fazendo há mais de um mês para reclamar a urbanização das zonas mais pobres da capital.

 
Fonte: http://bit.ly/1nKDirL  

A reportagem é publicada pelo portal Terra, 28-05-2014. A tradução é de André Langer.

Já se passaram 37 dias desde que um grupo de cidadãos decidiu acampar ao pé do emblemático Obelisco para forçar as autoridades a se comprometerem definitivamente com os moradores das chamadas “villas”, áreas de exclusão social que o arcebispo Jorge Mario Bergoglio visitava assiduamente.

“O Papa sempre falou de inclusão, mas não apenas de ter trabalho, mas dos direitos que qualquer ser humano reivindica, como moradia digna, poder dar estudos aos filhos, contar com um colégio e saúde, o que é primordial”, disse Sánchez em uma entrevista à Efe.

O representante dos carrinheiros, pessoas que ganham a vida coletando lixo reciclável nas ruas da capital argentina, conhece bem o Papa Francisco, porque participou de algumas das homilias que Jorge Mario Bergolio fazia nos lugares mais deprimidos da cidade quando era arcebispo de Buenos Aires.

“Mas não venho por ser amigo do Papa, simplesmente por lutar pelo direito próprio”, destaca Sánchez.

“A nossa organização (o Movimento de Trabalhadores Excluídos, que ele preside) trata de aproximar-se de todas as pessoas que não têm voz. Nós podemos brigar e mostrar que os carrinheiros apóiam as pessoas das favelas, porque nós saímos delas”, explica.

De acordo com dados do censo de 2010, mais de 160.000 pessoas moram amontoadas em favelas na capital argentina, que ocupam 260 hectares. Mas o número não para de aumentar.

“A nossa luta é para que essas zonas sejam legalizadas como bairros. As pessoas moram muito precariamente. Estamos pedindo o mínimo, por exemplo, que tenhamos uma ambulância. Há pessoas que morrem nas favelas, e estamos falando da cidade de Buenos Aires”, destaca Sánchez.

Acesso a água potável, instalação de rede de esgotos, rede fluvial, iluminação pública, melhorias na coleta do lixo e a pavimentação das ruas dos bairros são as principais demandas, englobadas sob o pedido de “urbanização”.

“Até podemos aceitar que a rua seja ainda de terra, mas o que se necessita é que as pessoas tenham uma salinha ou um hospital onde possam ser atendidas, porque ninguém te tira da favela, ninguém pode entrar para te tirar”, assinala o representante dos carrinheiros que bate firme em algo tão básico como a “saúde”.

Por isso “estamos aqui, para que o Governo da cidade se aproxime e possamos dialogar”, reforça Sánchez.

“Ouvimos dizer que com uma barraca podemos pressionar, mas não é assim, simplesmente temos uma só forma de luta. Isto não é uma medida de pressão, mas algo pacifista para que cada pessoa, cada cidadão, que passar por aqui e veja que há pessoas que se encontram nessa situação e que são também argentinos”, reivindica.

Diante da ausência de respostas das autoridades, “que dizem que está tudo pronto para iniciar a urbanização, mas nunca começam”, o movimento dos carrinheiros colocou em ação outra estratégia.

“Nossa organização está tratando de abrir as portas, nós brigamos muito com o governo para que os carrinheiros sejam reconhecidos na cidade e queremos ajudar os companheiros que necessitam”, explica Sánchez.

Em relação à greve de fome iniciada pelos moradores dos bairros marginalizados, os carrinheiros solicitaram ao atual arcebispo de Buenos Aires, Mario Poli, a mediação do padre Toto, um dos conhecidos como “padres vileiros”, como ponte “para transmitir as nossas necessidades de forma mais direta”.

“A relação com Francisco já existe, mas acreditamos que com um padre a mensagem chegará melhor”, indica Sánchez.

O carrinheiro está convencido de que essa mensagem chegará ao Papa, “porque, embora não saiba que eu estou aqui, esta é sua luta, a da inclusão social e dos que merecem moradia e trabalho dignos”, disse.

“Acreditamos que em algum momento virá uma comunicação direta do Francisco, mas isso é coisa de Deus, é ele que deve consegui-lo”, sustenta confiante Sánchez.

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