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Emissões de CO2 das 10 maiores empresas de alimentos equivalem a um país

Se fossem um país, as dez maiores empresas do setor de alimentos e bebidas, juntas, estariam na frente de grandes produtores de petróleo e gás, como Emirados Árabes e Catar, no que diz respeito às emissões de gases do efeito estufa (GEE). A conclusão consta em um estudo da ONG britânica Oxfam, divulgado na última semana.

A reportagem foi publicada por EcoD, 26-05-2014.

Elas representam algumas das marcas mais famosas do mundo doméstico: Associated British Foods, Coca-Cola, Danone, General Mills, Kellogg, Mars, Mondelez International, Nestlé, PepsiCo e Unilever. Se fossem um país, estas gigantes da indústria de alimento e bebidas seriam a 25ª nação com maior emissão de GEE.

Embora seja uma das atividades mais ameaçadas pelas mudanças climáticas, a produção de alimentos também contribui para o problema. Ao partir de uma análise crítica das políticas sobre o tema adotadas por cada uma, a Oxfam adverte que essas empresas estão arriscando sua própria saúde financeira “se não fizerem mais para enfrentar a crise climática, usando sua influência e tamanho”.

Para fazer frente às ameaças, o relatório sugere que as chamadas “Big 10” cortem suas emissões combinadas em pelo menos 80 milhões de toneladas até 2020. Isso seria equivalente a tirar das ruas todos os carros de Los Angeles, Pequim, Londres e Nova York.

Os dados sobre as emissões das empresas foram obtidos a partir do Carbon Disclosure Project (CDP), plataforma referência mundial em reporte de emissões nos negócios.

Origens das emissões

 

De acordo com o estudo, juntas, essas 10 gigantes emitem 263,7 milhões de toneladas de gases efeito estufa por ano. É mais do que as emissões combinadas da Finlândia, Suécia, Dinamarca e Noruega.

Do total, 29,8 milhões de toneladas se originam das operações, e mais da metade vem da produção agrícola de suas cadeias de fornecimento, que não fazem parte dos planos internos de redução de emissões das empresas.

É por essas emissões agrícolas que a Oxfam acusa as empresas de serem “particularmente negligentes” e as incita a rever seu métodos de produção e ações de combate às mudanças climáticas.

Fome e pobreza

O estudo destaca ainda que os eventos extremos afetam o abastecimento de alimentos e pressionam os preços, causando mais fome e pobreza.

Especialistas preveem que até 2050, 50 milhões de pessoas deverão ser lançadas à fome por causa das mudanças climáticas.

Algumas das empresas admitem que o fenômeno já está começando a prejudicá-los financeiramente.

A Unilever, segundo o relatório, relata que perde 415 milhões de dólares por ano, enquanto a General Mills informou perder 62 dias de produção no primeiro trimestre fiscal de 2014 só por causa de condições climáticas extremas.

Se as empresas não mudarem sua estratégia de ação frente às mudanças climáticas, pelos cálculos da Oxfam, o preço de produtos essenciais, como flocos de milho Kellogg e cereais da General Mills podem aumentar 44% nos próximos 15 anos.

“A indústria de alimentos tem um imperativo moral e uma responsabilidade empresarial para intensificar dramaticamente os seus esforços para combater as alterações climáticas”, ressalta o diretor-executivo da Oxfam Winnie Byanyima.

Outros dados do relatório:

  • Todas as empresas citadas reconhecem a necessidade de reduzir as emissões agrícolas;

  • Três das dez empresas deixam de reportar e divulgar as emissões agrícolas todos os anos (Associated British Foods, General Mills e Kellogg’s);

  • Oito das dez empresas não têm metas de redução das emissões agrícolas (Coca-Cola e Unilever tem metas “em parte”);

  • Seis das dez empresas não identificam fornecedores com emissões elevadas;

  • Nenhuma empresa requer que fornecedores tenham metas de redução de emissões.

Conheça aqui o relatório da Oxfam em inglês (em PDF).

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