"Que a celebração da Eucaristia seja tornada dependente de um sacerdote celibatário, com isto não concordo”. Entrevista com D. Erwin Kräutler

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20 Maio 2014

O bispo Erwin Kräuter, proveniente de Vorarlberg, na Áustria, e que há 49 anos vive no Brasil, relata sobre sua audiência privada com o Papa: Este estaria solicitando sugestões para superar a falta de sacerdotes.

A entrevista é de Dietmar Neuwirth, publicada pelo jornal Die Presse, 15-05-2014. A tradução é de Benno Dischinger.

Erwin Kräutler (74) é originário de Koblach (Vorarlberg). Desde 1965 vive no Brasil. Desde 1981 ele dirige a Prelazia do Xingu na Amazônia com 700.000 habitantes e uma superfície mais de quatro vezes maior do que a Áustria. Ele se posiciona em favor dos direitos dos povos indígenas e a proteção da Floresta virgem, bem como contra a usina de Belo Monte. Por isso, desde 1986 ele está sob proteção policial. Na quinta-feira ele apresentou em Salzburg seu novo livro: “Mein Leben für Amazonien” [Minha vida pela Amazônia], Ed. Tyrolia-Verlag.

Eis a entrevista.

O senhor superou um atentado de morte e está há oito anos sob proteção policial. Como enfrenta o temor ante a morte?

Se eu só tiver medo, não poderei viver. Minha grande proteção é o povo.

Quais de suas experiências se poderia transferir diretamente para a Europa, para a Áustria?

A palavra-chave é leigos. No Brasil se exige muito dos homens e das mulheres. Comigo há 800 comunidades e 27 sacerdotes, isso diz tudo. Se os leigos não assumem responsabilidade por sua comunidade, então não existe mais comunidade. Daqui a dez anos certamente também será assim na Europa, que mulheres e homens presidam comunidades.

A administração dos sacramentos continua reservada aos sacerdotes?

Não de forma exclusiva. Posso dar a qualquer pessoa a permissão do batismo ou a permissão, que ele presida a casamentos. 90% de todas as comunidades da Amazônia não têm celebração da Eucaristia aos domingos. 70% têm de uma a duas vezes ao ano uma celebração da Eucaristia, ou então é realizado o culto divino da Palavra.

O Concílio Vaticano II fala da celebração eucarística como fone e ápice da vida cristã. Ante esta proposta a práxis que o senhor menciona fica muito aquém.

De forma alguma. Deus também está presente em sua palavra, mas o culto da Palavra é apenas uma parte da celebração eucarística. Na maioria das comunidades falta infelizmente a segunda parte, e este é o maior problema.

Para os católicos também há um direito à Eucaristia. Como se resolve este problema?

Sim, se tem direito a isto. Isto não é um privilégio.

Seria preciso modificar as regras do acesso?

Exatamente e isto eu também disse ao Papa. O Papa é muito aberto. Ele não terá uma receita de hoje para amanhã. Mas o Papa me disse verbalmente: Os bispos, as conferências episcopais regionais devem fazer propostas corajosas.

Como amenizar as regras de acesso à função sacerdotal?

Que possibilidades existem? O celibato não deve ser necessariamente significar Lei para a celebração da Eucaristia. O Celibato significa que um homem ou uma mulher se obriga a viver sem casamento. Quando reflito sobre o que vivenciei: Poderia tê-lo realizado, se tivesse mulher e filhos? Não teria sido então minha primeira tarefa estar aí para a mulher e os filhos e não arriscar minha vida? Uma proposta pode ser, que se desvincule celibato e celebração da Eucaristia. Que a celebração da Eucaristia seja tornada dependente de um sacerdote celibatário, com isto não concordo.

Mas o senhor precisa concordar.

Isso já mudou até o ponto de podermos fazer propostas ao Papa. Minha visita ao Papa foi extraordinária, eu tive audiência privada com ele. Eu relatei à Conferência episcopal (do Brasil; ntd). Com muita probabilidade será criada uma comissão que pegará a bola e sugerirá: Como podemos ajudar o Papa? Ele nos solicita sugestões, ele as quer.

O senhor conta com isso, que Francisco realizará tais reformas?

Espero que sim. Este processo não era permitido até agora. Bento XVI disse que rezássemos por vocações sacerdotais. Com este Papa é diferente. Ele que iniciar um processo. Esta é a novidade. Aí há portas que se abrem.

Sobre a ordenação sacerdotal de mulheres Francisco pensou: esta porta está fechada.

Enquanto houver uma porta... A porta não está murada. Mas que com este Papa ocorra a ordenação de mulheres, isso eu não penso.

A porta deveria ser aberta?

Sim, mas aí não vou antecipar-me.

Alguma vez o senhor já recusou a comunhão a alguém?

Nunca. Isso seria um escândalo. Quem sou eu, para que eu recuse a comunhão? Os envolvidos devem decidir isso com sua própria consciência.

Francisco critica duramente a economia. Quanta crítica ao capitalismo é suportável para a Igreja?

Aí o Papa fala como latino-americano. Questiona-se, quem é sujeito: a economia ou os homens, para quem ela deveria existir? Aqui as coisas também se confundem.

Alguns constatam uma tendência à esquerda na Igreja...

A loucura consiste em se estigmatizar a Teologia da Libertação como marxista. A Teologia da Libertação é bíblica.

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