Bárbara Hubbard responde às críticas do cardeal Müller sobre as religiosas dos EUA

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14 Mai 2014

"A seguir encontra-se a reposta de Barbara Marx Hubbard, presidente da Foundation for Conscious Evolution, aos apontamentos sobre a evolução consciente feitos pelo cardeal Gerhard Müller durante uma reunião de representantes da Congregação para a Doutrina da Fé com a presidência da Conferência de Liderança das Religiosas - LCWR no dia 30 de abril", escreve o editor de National Catholic Reporter - NCR, 13-05-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Nota do editor:

Agradeço ao cardeal Gerhard Müller por levantar algumas inquietações a respeito da evolução consciente e sua relação com o ensino católico. Espero que o seu foco sobre este assunto venha a estimular muitas pessoas, tanto de dentro quanto de fora da Igreja Católica, a aprofundarem o entendimento humano da evolução consciente e de como podemos avançar em nossa própria ação evolutiva para o bem de toda a vida na Terra.

Não sou católica nem teóloga, embora tenha me inspirado para ajudar no desenvolvimento do “significado” da evolução consciente em autores como Teilhard de Chardin, Ilia Delio, John Haught, Beatrice Bruteau, Padre Thomas Berry, David Richo, Diarmuid O’Murchu e outros. E, como é de se esperar, também no Novo Testamento.

Hoje, reunindo-me com tantas religiosas através da Conferência de Liderança das Religiosas (Leadership Conference of Women Religious – LCWR, em inglês), percebo a evolução consciente em ação. Elas vêm desenvolvendo a Igreja e o mundo durante centenas de anos através de uma profunda vivência evangélica, de uma presença mística, de sua fidelidade em servir, em sua solidariedade com a Terra, na construção das comunidades, correndo riscos em nome da missão, ávidas pela autogovernança e pelas tomadas de decisão e, sobretudo, em trazer amor e esperança pelo futuro para a vida de milhões de pessoas.

Para mim, a fonte mais vital do “significado” da evolução consciente é a compreensão católica de Deus e de Cristo como fonte de evolução, como sua força motriz bem como sua direção. Tal como Ilia Delio disse: na evolução, experimentamos o Cristo Emergente e o Deus à Frente.

Através da ciência, da pesquisa, da tecnologia, das comunicações e de praticamente toda e qualquer área da atividade humana estamos tecendo uma membrana de consciência, aquilo que Teilhard de Chardin chamou de “noosfera” ou a esfera do pensamento da Terra que está trazendo, para dentro de si, o planeta inteiro. Isto irá infundir o todo da humanidade com um sentimento de relação e ressonância. Ele chamou esta experiência potencial de “a cristificação da Terra”.

Muitos de nós estamos nos tornando o que Teilhard de Chardin denominou “Homo progressivus”, aqueles atraídos para o futuro do mundo que vai em direção ao desconhecido, em direção a uma consciência, a uma liberdade, a uma ordem e a um amor cada vez maiores.

Deste ponto de vista, a evolução em si se torna um trabalho espiritualmente motivado de amor em direção a um mundo inspirado em Cristo, levando a vida em constante evolução para além do atual estágio do Homo sapiens sapiens.

É claro que a base científica para a evolução da consciência provém de muitos campos do saber, mas principalmente de uma compreensão da nova cosmologia, dos 13,8 bilhões de anos da “História do universo”, como escrito por Brian Swimme e Thomas Berry, e da “Cosmologia do Big Bang”, com chamou Ilia Delio. Recentemente, o livro “Big History: From the Big Bang to the Present” [A grande história: do Big Bang ao momento presente], de David Christian, Cynthia Stokes Brown e Craig Benjamin, está mudando a visão da própria história.

Enquanto isso novas tecnologias estão nos dando amplos e novos poderes que costumávamos atribuir aos deuses: destruir este mundo ou criar novos mundos nesta Terra ou neste espaço, como descrito no novo livro de Ted Chu intitulado “Human Purpose and Transhuman Potential: A Cosmic Vision for Our Future Evolution” [O propósito humano e o potencial transumano: Uma visão cósmica de nossa evolução futura].

Todos os dias, as manchetes mostram a milhares de nós que as crises que enfrentamos estão exigindo que nos tornemos conscientes de nossos efeitos em nossa própria evolução, para agirmos a partir da escolha pelo bem e não por mero acaso, ou para encararmos a destruição de nosso sistema de suporte à vida.

Por fim, um novo campo ou metadisciplina está começando a se formar em torno de temas da evolução consciente. Gênios filosóficos como Ken Wilber, autor da teoria integral, surgiu como um dos grandes pensadores de nossos tempos. O seu livro “A Brief History of Everything” [Uma breve história de todas as coisas] vem sendo útil para mim como um texto inicial.

Sri Aurobindo, da Índia, em sua obra-prima – “The Life Divine” [A vida divina] –, revisitou o budismo e o hinduísmo a partir de uma perspectiva evolutiva. A sua companheira, a Mãe, fundou a primeira comunidade evolutiva, a Auroville, na Índia.

Hazel Henderson, em seu website Ethical Markets [Mercados éticos] e em livros recentes, e Elizabet Sahtouris, em “Earthdance: Living Systems in Evolution” [A dança da Terra: Sistemas vivos em evolução], iluminaram a evolução consciente no campo da economia.

Jean Houston chamou-nos para evoluirmos no campo da criatividade e da capacidade humana em livros como “Jump Time: Shaping Your Future in a World of Radical Change” [O pulo do tempo: Modelando o seu futuro num mundo de mudanças radicais]. Jan C. Smuts escreveu “Holism and Evolution” [Holismo e evolução], chamando-nos a compreender a tendência da natureza a formar, sempre mais, sistemas inteiros cada vez mais abrangentes.

Buckminster Fuller nos revelou a natureza da sinergia em evolução e previu um mundo que funcione para todos. Duane Elgin, em “The Living Universe” [O universo vivo] iluminou-nos com uma nova visão do universo.

Um novo livro publicado por Carter Phipps, intitulado “The Evolutionaries: Unlocking the Spiritual and Cultural Potential of Science's Greatest Idea” [Os evolucionários: Desbloqueando o potencial espiritual e cultural da maior ideia da ciência], revisita líderes neste novo campo.

Steve McIntosh escreveu um lindo livro chamado “Evolution’s Purpose” [O propósito da evolução], sondando a natureza espiritual da própria evolução.

Ervin Laszlo iluminou a base científica e social da evolução consciente contando com mais de 50 livros. Uma organização chamada “50 Evolutionary Leaders” [Os 50 Líderes Evolucionários] (cf. o site evolutionaryleaders.net) publicou um “Global Call for Conscious Evolution” [um Chamado global para a evolução consciente] como um objetivo mundial.

No entanto, o “significado e a direção” da evolução consciente estão vindo, a meu ver, para nós claramente a partir de grandes teólogos e pensadores modernos católicos – e o mais importante, é claro, estão vindo diretamente do Novo Testamento: “Vou dar a conhecer a vocês um mistério: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados, num instante, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta”, como São Paulo nos contou. A trombeta está soando nesta fase do comportamento e do crescimento autocentrado no ser humano. Ou iremos evoluir de forma mais consciente em “nossas vidas”, ou volveremos e destruiremos grande parte da vida terrestre.

A questão-chave, creio eu, de nossa época é a evolução “consciente” – ou seja, como evoluir conscientemente como um novo sistema planetário integral. O que se precisa atualmente são convocatórias de disciplinas, credos, entendimentos para se ter, pela primeira vez, um sentido de responsabilidade humana compartilhada para com o destino da vida na Terra. As nossas novas crises e oportunidades exigem que todos nós façamos estas pergunta a nós mesmos: Qual é a minha contribuição singular para a evolução consciente da humanidade? Qual é o meu maior propósito na vida? O que eu posso fazer, de grande ou pequeno, para contribuir em direção a um futuro positivo para todos? Quais são os propósitos do coração de Cristo?

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