LCWR: religiosas devem ''evoluir'', como ensina a história do universo

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17 Agosto 2013

Enquanto as irmãs católicas dos Estados Unidos avaliam o futuro das suas ordens e o seu estilo de vida, elas devem viver com um "espírito evolutivo" e com uma compreensão da era e da complexidade do universo, disse uma teóloga religiosa às suas 825 coirmãs reunidas em sua assembleia anual.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 15-08-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A evolução, disse a irmã franciscana Ilia Delio aos membros da Leadership Conference of Women Religious (LCWR), não descreve uma função biológica, mas sim "um processo contínuo de desdobramento que envolve as mãos de Deus".

Nesse processo, disse Delio, as irmãs têm uma "vocação incrível".

"Somos chamadas a atrair os pobres, os solitários, os marginalizados, todos aqueles que buscam fazer parte de um todo", afirmou. "Isso não é nada mais nem nada menos do que a vocação mais incrível, que é dar à luz a Deus".

As considerações de Delio foram ditas no segundo dia da assembleia anual da LCWR, que se estende até esta sexta-feira. A LCWR, que representa cerca de 80% das cerca de 57 mil irmãs norte-americanas, está se reunindo 18 meses depois que o Vaticano emitiu uma afiada crítica ao grupo e pediu que um arcebispo dos EUA exercesse o controle sobre os seus estatutos e programas.

Esse prelado, o arcebispo de Seattle, J. Peter Sartain, está presente na assembleia e esperava-se que ele se dirigisse às religiosas, em profundidade, em uma sessão a portas fechadas nessa quinta-feira. Também está presente na assembleia deste ano o arcebispo Carlo Viganò, núncio apostólico, ou embaixador, do Vaticano nos EUA.

As irmãs devem receber uma atualização das suas lideranças em uma sessão executiva fechada na manhã dessa quinta-feira sobre o resultado das conversas que tiveram com Sartain nos últimos meses, disse um membro ao NCR.

A discussão entre LCWR e Sartain ocorreu em grande parte fora do escrutínio público.

A irmã – que falou nessa quarta-feira ao NCR na condição de anonimato, porque as lideranças do grupo pediram que os membros se abstivessem de falar à mídia sobre o mandato do Vaticano – disse que Sartain deveria falar à assembleia na tarde dessa quinta-feira, em outra sessão fechada.

As irmãs, disse a fonte, foram informadas pelas líderes da LCWR que o arcebispo falaria por 30 minutos antes de responder às perguntas de "várias representantes" das mais de 100 mesas em que as irmãs estão distribuídas.

A presidente da LCWR, a irmã franciscana Florence Deacon, pediu que os membros da LCWR não discutissem a reunião de Sartain com membros da imprensa. O pedido foi feito nas considerações de abertura da assembleia, na terça-feira.

"Só na conclusão [da assembleia] é que iremos fazer qualquer declaração pública sobre os procedimentos", disse Deacon. "Por favor, façam honrar isso e abstenham-se de fazer qualquer comentário sobre processo daquilo que está ocorrendo a cada dia, enquanto vamos em frente".

A palestra-chave, de Delio, que possui doutorado em farmacologia e em teologia e é conhecida pelo seu trabalho sobre questões ambientais, estava intitulado: "Vida religiosa às margens do universo".

Falando em duas sessões por mais de 2,5 horas no total – e respondendo a perguntas por mais uma hora –, Delio se centrou primeiro no contínuo entendimento humano da história e da função do universo de 13,8 bilhões de anos, antes de perguntar como a pessoa histórica e mística de Jesus Cristo se encaixa nessa compreensão.

"Um universo dinâmico provoca a ideia e a compreensão de um Deus dinâmico", disse Delio, diretora de Estudos Católicos da Georgetown University. "Não se trata de um Deus 'dono de casa'".

"Trata-se de um Deus que está profundamente imerso em um caso de amor com o amado, a criação que flui do seu coração divino", continuou ela. Dizer que Deus é amor, afirmou, "significa que Deus está eterna e dinamicamente enamorado".

A partir da sua descrição de um universo evolutivo, Delio retirou quatro lições que ela quis destacar para as irmãs:

• O universo está inacabado: "Deus não acabou de criar (...) e, portanto, a vida não está atrás de nós, ela está à nossa frente".

• A morte é parte integrante da vida: "Nós tentamos segurar e agarrar, e quanto mais agarramos, mais extinguimos qualquer vida que exista".

• As pessoas não são essências fixas, mas sim "devires dinâmicos": "O que nós nos tornamos depende da nossa participação".

• É preciso viver em um "sistema aberto": "Um sistema fechado se desgasta e se esgota".

Salpicando a sua palestra com referências a teólogos e cientistas, de Platão e Aristóteles a Galileu e Newton, passando por Tomás de Aquino e pelo padre Raimon Panikkar, Delio também pediu que as irmãs levem Jesus em consideração como um "fazedor do todo" – alguém que "reúne o que está fragmentado e dividido".

"Por muito tempo, tivemos uma sensação do católico como mesmice", disse Delio. "Na pessoa de Jesus de Nazaré, há um espírito novo – um espírito de coleta. Jesus está constantemente saindo e coletando".

"Viver em Cristo ressuscitado é ver o mundo com novos olhos, ser coletores (...) viver a partir de um novo centro de amor", disse. "O que acontece em Jesus deve ser continuado em nossas vidas também, se o Cristo for realmente a plenitude do que as nossas vidas estão destinadas a ser".

Na quarta-feira de manhã, antes da palestra de Delio, as irmãs tiveram missa com Sartain e Viganò, que concelebrou.

No fim da manhã, as irmãs celebraram um ritual de 30 minutos que envolveu a reflexão do caractere chinês para o amor abnegado e no mantra "Profundamente dentro de nós, compartilhado entre nós, que possamos sempre manter a mente e o coração de Jesus Cristo".

Na sexta-feira, o grupo vai conceder a sua mais alta honraria à irmã franciscana Pat Farrell, que liderou a LCWR de 2011 a 2012 e guiou a sua resposta inicial ao mandato do Vaticano. A LCWR está homenageando a ex-presidente pela liderança que ela mostrou "ao longo de um tempo excepcionalmente desafiador".

Na sua avaliação de abril de 2012 que anunciava a supervisão de Sartain sobre o grupo de irmãs, a Congregação vaticana deu ao arcebispo um mandato de "até cinco anos, se for necessário". As conversas na assembleia da LCWR do ano passado se focaram em saber se o grupo poderia aquiescer com tal controle por todo esse período de tempo.

Depois de quatro dias e de mais de uma dezena de reuniões, as lideranças da LCWR anunciaram aos seus membros, no fim da assembleia, que haviam decidido continuar as discussões com as autoridades da Igreja com relação à tomada de controle, mas iriam reconsiderar se era "obrigatório comprometer a integridade da sua missão".

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