A crítica de um protestante ao primeiro ano do Papa Francisco

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23 Março 2014

Embora afirmando amar muitas coisas no Papa Francisco e reconhecendo que não cabe aos protestantes dizer aos católicos no que acreditar, como se comportar e organizar a vida eclesial, um presbiteriano norte-americano de longa data faz uma crítica ao primeiro ano do atual pontífice.

O artigo é de Bill Tammeus, ancião presbiteriano e premiado ex-colunista sobre fé e religião para o jornal The Kansas City Star. O texto foi publicado por National Catholic Reporter, 19-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Ao aproximar-se do fim de sua série de sermões recentes, intitulada "Jesus, o papa e um protestante entram em um bar", nosso pastor se sentiu obrigado a equilibrar todos os elogios que tinha dado ao Papa Francisco com pelo menos uma pequena lista de suas divergências com o pontífice.

Assim, Paul Rock pediu a vários amigos, inclusive a mim, para lhe dizer não aquilo que nós amamos em relação a Francisco, o que é muito, mas o que nos incomoda sobre o seu primeiro ano de mandato.

Vou compartilhar com vocês o que eu disse ao Paul, embora reconhecendo que não cabe a nós, protestantes, dizer aos católicos como se comportar, no que acreditar ou como organizar a sua vida eclesial. Afinal de contas, já temos problemas suficientes ao fazer isso para nós mesmos. Então, aqui vai a minha lista (sem a queixa óbvia e consistente de que os protestantes ainda não são bem-vindos para receber a comunhão nas igrejas católicas).

Primeiro, até o momento, Francisco não repudiou ou suavizou o comunicado do Vaticano emitido quando Joseph Ratzinger, hoje papa emérito Bento XVI, era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Esse documento, Dominus Iesus, diz que a Igreja Católica é a única Igreja verdadeira e que as outras "não são Igrejas em sentido próprio".

Nós, protestantes (e outros não católicos) achamos essa posição irritante, mas, como eu disse ao Paul, se Francisco sugerisse que é hora de repensar a abordagem desse documento, alguns católicos iriam atacá-lo ainda mais. Mesmo assim, indicar flexibilidade sobre esses pontos de vista certamente ganharia muitos amigos não católicos.

Segundo, até o momento, embora ele tenha sugerido que não está em posição de julgar ninguém por ser gay, ele não fez nada que tenhamos conhecimento no sentido de revogar o artigo 2.358 do Catecismo da Igreja Católica, que diz que "tendências homossexuais profundamente arraigadas" são "objetivamente desordenadas".

Ainda há, é claro, algum debate, mesmo entre os cientistas, sobre as causas da homossexualidade, mas existe hoje um quase total consenso – salvo entre algumas pessoas que distorcem a Bíblia – de que ser gay não é uma escolha. A Igreja deve estar na vanguarda para acolher todas as pessoas ao abraço do Evangelho de Jesus Cristo – e "todos" é um termo muito abrangente. Chamar a orientação sexual de alguém de "objetivamente desordenada" fracassa nesse teste.

Terceiro, até agora, a esperança de que um dia as mulheres possam ser ordenadas como sacerdotes é ainda um sonho impossível. Mas, como eu disse ao Paul, sejamos justos: um homem não pode mudar do dia para a noite uma Igreja que muda lentamente. O que eu acho que Francisco pode fazer sobre esse assunto, no entanto, é falar sobre a questão, ainda debatida pelos católicos, de saber se o Papa João Paulo II declarou infalivelmente que as mulheres nunca serão sacerdotes. Se Francisco estiver do lado daqueles que acreditam que João Paulo II não estava falando ex cathedra e, portanto, não estava emitindo um ensinamento infalível (e presumivelmente irreversível) sobre isso, ele daria às mulheres uma grande esperança. E, é claro, isso resultaria em novos ataques contra Francisco por parte de pessoas que não querem sequer imaginar mulheres como sacerdotisas.

Paul mencionou esses três assuntos no sermão final de sua série, mas não disse nada sobre o ponto final que eu apresentei a ele, que foi o seguinte:

Francisco não fez o que eu sugeri nesta carta aberta que escrevi a ele em uma coluna do NCR: remover o bispo Robert W. Finn, da diocese católica de Kansas City-St. Joseph, Missouri, porque ele foi condenado no tribunal por não denunciar às autoridades governamentais um padre suspeito de abuso sexual de crianças. Francisco poderia fazer muitos amigos ao redor do mundo, e muitos em Kansas City, se ele fizesse isso – ao mesmo tempo que faria mais alguns inimigos.

Mesmo que os protestantes não tenham o direito de dizer em que os católicos devem acreditar ou como agir, é quase divertido pensar sobre isso.

Por sua vez, gostaria de saber quais são as áreas de desacordo que os católicos podem oferecer para e sobre nós, protestantes, em espírito de honestidade ecumênica e amor.

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