“Francisco é a revolução da humanidade e do papado”, afirma Leonardo Boff

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Por: Jonas | 14 Março 2014

O teólogo brasileiro Leonardo Boff fez referência ao primeiro aniversário de pontificado do papa e destacou que “Francisco é um projeto de Igreja e de mundo” e que está fazendo “uma revolução de humanidade, a revolução do papado”. “Francisco é mais do que um nome, é um projeto de Igreja e de mundo: uma Igreja pobre, sem aparato de poder, uma Igreja do encontro, da misericórdia. Como ele disse, uma Igreja que faz a revolução da ternura”, sustentou Boff, em entrevista à Rádio del Plata.

 
Fonte: http://goo.gl/XPUlfT  

A reportagem é publicada por Religión Digital, 13-03-2014. A tradução é do Cepat.

O teólogo considerou que a “grande revolução” que Francisco está fazendo não é a reforma da Cúria, mas a “revolução do papado, que começou com ele próprio”.

“Ele não se encaixou no perfil clássico do papa, mas fez com que a sua maneira de ser se impregnasse na figura do sumo pontífice e se transformasse em algo extremamente humano e próximo ao povo: é uma revolução de humanidade que devolveu à Igreja sua dimensão, seu rosto humano, de compaixão, de abertura, de diálogo”, afirmou.

Boff, que também é filósofo, escritor, professor e ambientalista, enfatizou que Francisco quer “uma Igreja para todos” e que seu perfil, que combina “força e ternura, ajudará as coisas mudarem”.

“O Papa tem uma liderança que aponta para novos valores, que estão na linha da compreensão, da mútua aceitação das diferenças, do diálogo e da misericórdia como valores centrais da tradição de Jesus”, apontou.

Boff considerou, além disso, que o Sumo Pontífice tem “uma profunda liberdade de espírito”, que “a grande maioria dos líderes e chefes de Estado não possui”.

“Ele é alguém que não precisa de aparato de segurança, que pode tocar no povo e se deixar tocar, que não precisa se proteger porque se sente protegido por Deus. Há muitos que falam de forma burocrática ou em função de interesses, mas ele fala a partir do coração e diz coisas simples, claras, que todos podem entender”, sustentou.

O teólogo e sacerdote brasileiro ressaltou que Francisco “não vive em palácios” e que “come junto com os outros”, algo que “a tradição do cristianismo não conhecia”.

“É preciso dizer que isso é possível porque ele vem de um caldo de cultura que não é a agônica e decadente cristandade europeia, mas vem da América Latina e possui uma experiência de povos, de celebrações vivas, de contato direto corpo a corpo com os pobres, com as vilas misérias”, afirmou.

Para Boff, Francisco é “o primeiro de uma grande dinastia de papas do terceiro mundo, porque aqui vive mais de 65% dos católicos”. “Isso conferirá ao cristianismo sua verdadeira dimensão, que agora é muito ocidental e cada vez mais acidental”, concluiu.

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