Sinaxe ortodoxa: os católicos deveriam estar interessados?

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Por: André | 11 Março 2014

É um momento crucial para a ortodoxia. Na quinta-feira, 06 de março, começou uma sinaxe, reunião entre os líderes das Igrejas ortodoxas, em Istambul, por iniciativa do Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I.

A reportagem é de Marie-Lucile Kubacki e publicada no sítio da revista francesa La Vie, 07-03-2014. A tradução é de André Langer.

Na pauta desta reunião, um objetivo principal: a preparação do santo e grande concílio ortodoxo que está em preparação desde os anos 1960. Mas também, muito provavelmente, serão discutidos alguns temas mais quentes, como a situação política e eclesial na Ucrânia e na República Tcheca (com a eleição de um primaz tcheco reconhecido apenas por uma parte das Igrejas ortodoxas), o conflito jurisdicional entre o Patriarca da Antioquia e o de Jerusalém sobre o Catar (o território que pertence à jurisdição canônica do Patriarcado da Antioquia, mas para o qual o Patriarca de Jerusalém decidiu nomear um bispo seu dando-lhe o título de arcebispo do Catar), assim como a situação dos cristãos no Oriente Médio.

Momento crucial para a ortodoxia, certamente, mas não exclusivamente. A sinaxe deveria também interessar aos católicos. Com efeito, a alguns meses do encontro entre Francisco e o Patriarca Bartolomeu I, a questão das relações entre católicos e ortodoxos parece incontornável. “Penso que a ortodoxia tem tanto mais coisas para dizer quando ela tem hoje uma dinâmica de reformas no interior da Igreja católica muito propícia para uma aproximação entre cristãos”, explica Carol Saba, responsável pela comunicação da Assembleia dos Bispos Ortodoxos da França (AEOF). E quais são as razões desse contexto propício? “O Papa Francisco coloca em prática uma espécie de revolução evangélica que descentraliza o poder, e que procura posicionar a Igreja no centro da equação e das interrogações do mundo moderno de hoje, através do canteiro de reformas que ele procura colocar em prática. E ele não para de falar da conciliaridade experimentada pelos ortodoxos”.

Assim, do ponto de vista ortodoxo, Francisco fez avanços significativos: no primado do governo da Igreja, ponto altamente sensível nas relações entre católicos e ortodoxos, em primeiro lugar. Em sua entrevista à revista La Civiltà Cattolica de setembro passado, o Papa evocou a possibilidade de rever as questões do governo da Igreja através do prisma do primeiro milênio, antes da separação de 1054, quando ainda havia a unidade dos cristãos, coisa que os ortodoxos vêm pedindo há décadas à Igreja católica. Para recordar, em 2010, católicos e ortodoxos se debruçaram sobre a questão por ocasião de uma reunião em Viena da Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre a Igreja católica e a Igreja ortodoxa. Mas na época, o metropolita Hilarion Alfeyev, presidente do Departamento de Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou, fez saber através de um comunicado no sítio oficial do Patriarcado que não houve nenhum avanço neste encontro na medida em que o documento que saiu abordava apenas uma “aproximação histórica”.

Estaria Francisco quebrando os grilhões que impedem o encontro das Igrejas? É o que pensa Carol Saba: “Ele não para de se apresentar como Bispo de Roma e é uma questão eclesiológica, a eclesiologia da Igreja local, que diz muito para os ortodoxos. Entre os ortodoxos, pensamos que não há uma jurisdição universal, mas as Igrejas locais em comunhão entre si e que formam juntos a pleroma da Igreja. O Papa, ao falar da colegialidade ortodoxa e ao se apresentar como Bispo de Roma, envia sinais positivos e de esperança para os ortodoxos”.

O momento parece, pois, propício à unidade. “Desde a queda do muro de Berlim, as Igrejas do Leste, da Rússia, Romênia, Polônia, Bulgária, Sérvia, etc. começam a reviver e reposicionar-se na cena eclesial e política. Hoje, o encontro das Igrejas num mundo novo com uma nova modernidade que se impõe a todo o mundo é algo muito importante, analisa Carol Saba. É um desafio lançado a todas as Igrejas, católicas e ortodoxas: compreender esta nova modernidade. Este momento de reformas no interior da própria Igreja católica poderia talvez permitir o encontro rápido das duas Igrejas, pois é propício à unidade. Se os ortodoxos chegam a falar de uma só voz no que diz respeito ao mistério da unidade na diversidade e se, ao mesmo tempo, a Igreja católica avança neste espírito de reformas em matéria de conciliaridade e do primado, um certo número de ferrolhos cai. Esta sinaxe vem a propósito para afirmar e consolidar a unidade ortodoxa, porque ela poderia acompanhar esta dinâmica. Por outro lado, o próximo encontro na cúpula entre o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu em Jerusalém, para celebrar conjuntamente o 50º aniversário do encontro de 1964 na Terra Santa entre Paulo VI e Atenágoras, inscreve-se nesse momento de esperança”, conclui Carol Saba.

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