“Os próprios pobres têm que ser os agentes da sua libertação”, diz Gustavo Gutiérrez

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Por: André | 03 Março 2014

Ele é o pai da Teologia da Libertação, condenada durante décadas e agora reabilitada na pessoa e na vida do Papa Francisco com quem, segundo diversas fontes, encontrou-se na última terça-feira, antes da apresentação do livro Pobre e para os pobres. A missão da Igreja, escrito pelo prefeito Müller com a contribuição do teólogo peruano e prólogo de Bergoglio. O sacerdote foi o grande protagonista, recebendo uma sonora ovação.

 
Fonte: http://bit.ly/1gHAYwb  

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 27-02-2014. A tradução é de André Langer.

Após a mesma, Gustavo Gutiérrez conversou de modo informal com alguns jornalistas, precisando que “os teólogos da libertação não foram marxistas”, embora tenha reconhecido que houve “gente comprometida e que tinha uma base teológica”. “Os próprios pobres têm que ser os agentes da sua libertação”, incidiu o teólogo, que quis deixar claro que nem João Paulo II, nem Bento XVI condenaram sua teologia, mas que solicitaram uma “contextualização”.

Perguntado pela agênci Zenit sobre quem eram aqueles que desviavam a Teologia da Libertação conferindo-lhe uma matriz marxista, o sacerdote peruano respondeu: “Não Boff, nem Sobrino, nem Juan Luis Segundo, nem Ronaldo Muñoz, ou seja, diria que não foram os teólogos” e acrescentou que “claro, houve gente muito comprometida antes e que tinha uma base teológica, mas não eram os que faziam teologia”.

Acrescentou que “muitos deles eram pessoas muito generosas, o que não significa ter razão”. E acrescentou que “houve um seguimento político em alguns países”. E quando se diz dimensão política, precisou, deve-se entender por isso “uma dimensão política extraviada, incorreta e sempre há gente assim”.

O padre Gutiérrez considerou, além disso, que, atualmente, existe um clima mais favorável, “sim, porque se sabe melhor algumas coisas, na teologia das ciências sociais antes não apareciam nunca. Há mais de 40 anos, quando nasceu a Teologia da Libertação, estas estiveram presentes e não apenas a filosofia. Atualmente, os estudos bíblicos estão cheios de sociologia e ninguém diz nada, porque se acostumaram”, disse.

Respondendo a uma jornalista, indicou que “o clima e o contexto mudaram muito, os temas da Teologia da Libertação estão mais presentes”, como “pobreza e justiça”. Em particular, disse, “a ideia de que os próprios pobres têm que ser os agentes da sua libertação, e este foi um ponto que esteve presente desde o início da Teologia da Libertação”.

Se pudesse voltar 40 anos atrás, teria as mesmas coisas ou mudaria algo? “Nunca pensei nisso – respondeu Gutiérrez –, porque as coisas que se vive não dependem somente da gente. Creio que não seria a mesma, porque isto significaria que o ambiente teria que ser o mesmo”. E sobre o fato concluiu: “Nunca lamentei isso”.

Interrogado por Angela Ambroggetti, de Korazym, sobre João Paulo II e Ratzinger, e qual teve mais problemas com a Teologia da Libertação, o sacerdote peruano qualificou o encontro em Roma com Ratzinger há sete anos, em 2007, como “muito bom”.

Acrescentou que “Ratzinger era mais teólogo, compreendia mais e isso foi muito importante. Eu, honestamente, posso dizer que sua compreensão era dinâmica, porque sabia do que se tratava, desde o início”, porque sabia “que não era a ideia do marxismo”.

“Nunca me perguntei sobre o marxismo – disse o padre Gutiérrez – porque sabia que não tem nada disto. Basta ter um pouco de cultura para saber que se alguém diz que há conflito, não é porque é marxista, mas porque olha a realidade”. E acrescentou que o diálogo com o cardeal encarregado nesses anos da Congregação para a Doutrina da Fé “era dessa categoria”.

“Com João Paulo II – disse o teólogo peruano – foi diferente. Vi-o apenas uma vez na minha vida, e foi muito brincalhão. Disse-me que pensava que eu era mais alto (o padre Gutierrez é de estatura baixa) e ao final colocou sua mão no meu ombro e me disse: ‘siga, siga’. Embora não soubesse o que queria dizer com isso...”.

“Com Ratzinger – prosseguiu o padre da Teologia da Libertação – o diálogo começou quando ele era cardeal, tenho uma experiência positiva. Isso termina com uma carta que ele envia aos meus superiores indicando que o diálogo terminou de maneira satisfatória”, e quis precisar que, “além disso, era diálogo e não processo”.

É este um momento particular na Igreja? “Como momento é preciso reconhecer que nunca o tivemos. Somente os jornais tratavam destes temas, depende também de quais meios. Mas um momento de Igreja como o de hoje, isso não tínhamos tido ainda”. Com um papa, disse, “que critica o pensamento único e tudo isso”.

Quando lhe indicaram “que você foi muito útil para que Müller conhecesse a situação da pobreza no Peru”, e lhe perguntaram, “mas, talvez, também Müller o ajudou a limpar a Teologia da Libertação”, o padre Gutiérrez disse: “Limpar, não, mas muito útil, sim. Porque colocou a Teologia da Libertação em um contexto, converteu-a, porque ela tem um fundamento de espiritualidade muito grande desde o começo”. E precisou que “devo isso ao teólogo Dominique Chenu, recebi isso na minha formação inicial e isso me marcou muito. Porque estou convencido de que a teologia nasce na vida diária da Igreja”.

Concluiu indicando que hoje tem relações epistolares e pessoais com outros padres da Teologia da Libertação e que eles tomaram temas diversos. Por exemplo, Leonardo Boff, que entrou em cheio no tema da ecologia, tanto assim que já não há necessidade de que ele, Gutiérrez, também entre.

Ao concluir recordou que ele foi pároco durante 25 anos e se sente como tal, e que não está nem aí para a velhice, posto que leciona no Peru e em dois outros lugares no exterior.

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