Se fosse um país, classe C brasileira estaria no G20 do consumo mundial

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20 Fevereiro 2014

Se fosse um país, a classe média brasileira, com seus 108 milhões de pessoas, seria a 12ª nação do mundo em população, algo como a Alemanha inteira ou duas vezes a Austrália. Em matéria de consumo, a classe social que mais cresce no Brasil estaria em 18º lugar, ou seja, no G20 do consumo mundial, com um gasto calculado em 1,17 trilhão de reais em 2013.

A reportagem é de Marina Rossi, publicada pelo jornal El País, 18-02-2014.

Os dados são da pesquisa realizada pelo instituto Data Popular em parceria com a Serasa Experian. De acordo com o levantamento, sozinha, a classe C, que compreende os brasileiros que ganham entre 320 reais e 1.120 reais por mês, consome mais que a Holanda ou a Suíça inteiras.

Embora o montante seja alto, a comparação precisa levar em conta que a população da Holanda é de pouco mais que 16 milhões de habitantes, que produziram uma renda per capita de pouco mais de 42.000 dólares, ou 101.000 reais. Valor distante dos 22.400 reais gerado por cada brasileiro no mesmo ano, 2012. Já a Suíça, com seus oito milhões de habitantes, registra um PIB per capita de mais de 50.000 dólares.

Ainda assim, o consumo da classe C se distribui por diversas áreas. Comparando com outros países, o potencial da classe C com alimentação, com gastos calculados em 223 bilhões de reais em 2013, equivale ao consumo de todas as famílias da Bolívia, Paraguai, El Salvador e Uruguai juntas.

Porém, parte do dinheiro gasto por essas famílias brasileiras, é com produtos de marca, o grande desejo dessa classe social. "A classe C está consumindo cada vez mais produtos premium", diz o presidente do Data Popular, Renato Meirelles."Mas também está cada vez mais pesquisando preços. Basicamente porque o dinheiro está curto", pondera.

Ou seja, ainda que haja uma pesquisa prévia, essa classe social, que abrange os jovens do "rolezinho", deseja consumir. E não é pouco. "Ocorre que a democratização do consumo foi mais rápida que a dos espaços do consumo", diz Meirelles. "O cara tem dinheiro para a passagem muito antes do aeroporto estar pronto, por exemplo. Com poder de compra, esse jovem se apodera", diz, sobre os maiores consumidores do país.

O sonho da classe média

Além do que já foi consumido, o levantamento também traçou o que essa classe social pretende comprar neste ano de 2014. Em primeiro lugar, estão as viagens nacionais, seguida de aparelhos de TV, geladeiras e tablets. "Percebemos um crescimento grande do consumo de eletrônicos, basicamente porque esse bem é visto como uma ferramenta para a qualidade de vida", explica Meirelles. "Outro grande responsável pelo consumo são os serviços de beleza, impulsionados pela ingresso das mulheres mulheres no mercado de trabalho, já que, a cada cinco mulheres da classe média brasileira que estão trabalhando, quatro têm alguma função relacionada com o atendimento ao publico", diz. "E depois, vem a educação, que é vista como um investimento no futuro".

E para entender essa parte da população que mais consome no país, os pesquisadores dividiram a classe c em quatro grandes grupos: Promissores, Batalhadores, Experientes e Empreendedores.

Os Promissores, ou 19% da classe média, são jovens com idade média de 22 anos, solteiros, com ensino médio completo e trabalham com carteira assinada. Eles consomem 230 bilhões de reais em sua maioria com beleza, automóveis, educação, entretenimento e tecnologia. 42% deles estão na região sudeste do Brasil.

Os Batalhadores representam 39% da classe média, com 30 milhões de pessoas de idade média de 40 anos e 48% têm ensino fundamental completo. A maioria é solteira e 41% têm acesso à internet. Para esse grupo, o estudo é visto como uma oportunidade para ascensão social. Por ser a maior parcela, os Batalhadores são responsáveis pela maior parte do consumo: 389 bilhões de reais, gastos em viagens pelo Brasil, automóveis, imóveis, móveis, eletrodomésticos e seguros.

Os Experientes são compostos por 20 milhões de pessoas ou 26% da classe média. Têm idade média de 65 anos e apenas 7% têm acesso à internet e continua trabalhando mesmo depois de se aposentar, em busca de uma atividade para preservar o padrão de consumo, que é de 274 milhões de reais ao ano. Esse dinheiro é gasto em viagens nacionais, eletrônicos, saúde, móveis e eletrodomésticos.

O último grupo, os Empreendedores, abrangem 16% da classe média, com 11 milhões de pessoas, formando o grupo mais escolarizado: 42% deles estão cursando ou já concluíram o ensino médio e 19%, o ensino superior. Com idade média de 43 anos, 60% têm acesso à internet e 43% trabalham com carteira assinada. Consomem anualmente 276 bilhões de reais em educação, eletrônicos, turismo internacional, tecnologia, automóveis e entretenimento.