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21 Janeiro 2014

''A proibição do "rolezinho" só marginaliza nossa juventude. Aliás, quais são os critérios para enquadrar seus participantes? A aparência e a cor da pele? E mais, quem será o responsável por definir quem deveria e quem não deveria ser barrado nas entradas dos shoppings?'', escreve Taniana Ivanovici, jornalista, e diretora da Rede DoLadodeCá, em artigo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, 18-01-2014.

Eis o artigo.

No país da ascensão econômica, o "rolezinho" é uma oportunidade de negócios mal aproveitada.

Enquanto se gasta dinheiro com mídia para atingir consumidores, o "rolezinho", se transformado em um evento cultural, economizaria esforços. Seus organizadores nada mais são que formadores de opinião. O público-alvo, os participantes, já estão reunidos e, não à toa, durante as férias escolares.

O que nos impede de criar ações para ensinar esses jovens a produzir um evento, a montar um projeto e apresentar aos donos dos shoppings?

Se as classes populares são formadas sobretudo por negros, como se pode reprimir a estética dessas pessoas? O nosso povo consome, e já faz tempo, a sua própria cultura, criada de dentro para fora das periferias --os saraus, o futebol de várzea, o samba, o rap, o funk, etc.

Os jovens vão ao shopping porque aprenderam que lazer é consumo. Mas um país não sobrevive só de consumo. É preciso educação e preparo para lidar com o dinheiro. As quebradas já entenderam isso e estão buscando o estudo, os cursinhos. Mas a educação formal não acompanha essas mudanças, não dialoga com o universo dos jovens da periferia, não ensina como é gostoso o sentimento de vitória.

No Brasil da economia emergente, falar de dinheiro é mais tabu do que falar de sexo.

Uma marca associada ao "rolezinho" conquistaria milhares de pessoas simplesmente por visar o crescimento humano, o bem coletivo. Isso é o negócio social, é o progresso compartilhado. Todos ganham: povo, empresas, poder público.

A massa prefere o que exalta a gente renegada. Gosta dos estilos musicais que possuem características negras. O funk, por exemplo, estourou no Brasil com o tamborzão: batida eletrônica criada com percussão de candomblé e capoeira.

Mas, infelizmente, o Brasil é o país do racismo velado. Pergunte-se quantos negros trabalham na mesma empresa que você. Todos os movimentos culturais negros foram reprimidos. Até 70 anos atrás, um negro que andasse na rua com um pandeiro debaixo do braço era preso.

Existem muitos eventos que podem ser potencializados nas periferias. Atualmente, muitos jovens das classes A e B querem ir para a quebrada curtir um samba. A periferia é "hype", lança tendências e gírias que chegam aos Jardins. O "rolê" não está ligado apenas à falta de lazer, mas também à falta de mobilidade entre a periferia e o centro expandido de São Paulo.

Só quem vem do sofrimento sabe o que significa não ter opção. Vive-se num limbo. É um esforço quase sobre-humano se destacar: você começa a vida dez anos atrás de quem teve educação. Quem vem da quebrada não ganhou mesada, não foi treinado para se comportar no mundo. A invisibilidade é o motor propulsor do "rolezinho", que é um pedido de socorro: estamos aqui e queremos oportunidades.

A proibição do "rolezinho" só marginaliza nossa juventude. Aliás, quais são os critérios para enquadrar seus participantes? A aparência e a cor da pele? E mais, quem será o responsável por definir quem deveria e quem não deveria ser barrado nas entradas dos shoppings? E se os encontros fossem marcados por jovens brancos das classes A e B? Quais seriam os critérios? A cor da pele?

A minha atitude tem reflexo na sua vida, caro leitor, e vice-versa, pois nós compartilhamos a cidade, as ruas, os shoppings. Precisamos de autoanálise, urgentemente.

Ser honesto é pressuposto, não é mérito. Precisamos encarar os problemas com tolerância para acharmos soluções em conjunto. Essa juventude é, no limite, uma imensa força de trabalho que, se direcionada, vai mudar o Brasil.

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