Um rápido bate-bola dos últimos desenvolvimentos no ritmo do Papa

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07 Janeiro 2014

Simplesmente não há tempo ocioso sob o papado de Francisco, e os últimos dias provam isso. Tradicionalmente, o período entre o Ano Novo e a festa da Epifania do Senhor – quer dizer, de 1º de janeiro até o dia 6 – é um período morto no Vaticano. Porém, desta vez, ao menos oito histórias válidas de nota emergiram.

Apresentamos aqui um rápido bate-bola dos últimos desenvolvimentos no ritmo do papa.

A reportagem é de John L. Allen Jr. e publicada por National Catholic Reporter, 06-01-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Denunciando o “tráfico de noviços”

No sábado, o padre jesuíta Antonio Spadaro, editor da revista Civiltà Cattolica, publicou um conjunto de notas feitas durante o encontro do pontífice com os Superiores Gerais, ocorrido em 29 de novembro. Entre outros destaques, o papa disse que a formação não é uma “ação policialesca”, que a Igreja não deveria moldar “pequenos monstros” e que ele quer rever as diretrizes vaticanas sobre as relações entre bispos e os religiosos para refletir melhor a autonomia das ordens. Francisco também denunciou o que chamou de “trafico de noviços”, deliberadamente fazendo comparação com o tráfico de escravos, pelo que ele pareceu querer dizer que as ordens religiosas, ao recrutar novos membros em países desenvolvidos, assim o fazem para que estes executem tarefas domésticas e assegurem o fardo do envelhecimentos dos religiosos no Ocidente.

Desfazendo-se dos monsenhores

No que equivale a mais um golpe contra o que Francisco descreveu como a tentação do carreirismo na Igreja, o papa supostamente decidiu que o título de “monsenhor” não mais irá ser concedido a padres abaixo de 65 anos de idade, comunicando a decisão para os seus núncios (embaixadores) ao redor do mundo. Aparentemente, aqueles que já possuem o título irão continuar a ter permissão de usá-lo, embora na era Francisco fica aberto a questão de quantos irão optar por assim fazer.

O déficit do Dia Mundial da Juventude

A arquidiocese do Rio de Janeiro informou no sábado que o Papa Francisco se comprometeu em doar quase 12 milhões de reais para cobrir um débito estimado em 43 milhões deixado desde a edição de julho da Jornada Mundial da Juventude. O débito era originalmente de 90 milhões de reais, de acordo com a diocese, porém foi pago parcialmente com a ajuda provinda das vendas de CDs e DVDs do evento, além de doações particulares. O Vaticano não especificou de onde sairiam os 11 milhões de reais, embora o papa tenha vários fundos financeiros à sua disposição, incluindo a coleta anual chamada “Óbolo de São Pedro”, que geralmente rende algo entre 140 e 165 milhões de reais.

Os Franciscanos da Imaculada

A decisão do papa, tomada no início deste ano, de impor um comissário para uma pequena porém crescente congregação religiosa e de limitar a sua permissão para celebrar a Missa Latina pré-Concílio Vaticano II foi citada por alguns analistas como um sinal de antipatia com os tradicionalistas da Igreja. Fontes do Vaticano insistem que as razões para a reprimenda têm menos a ver com a filosofia litúrgica do que com acusações de crimes financeiros e divisões internas relativas a sua liderança. O jornal Corriere dela Sera relata, no último sábado, que o Papa Francisco teve uma reunião tranquila com alguns dos membros da congregação no dia 1º, na basílica de Santa Maria Maior, em Roma, acompanhado por apenas um segurança e um motorista, no intuito de garantir aos frades que sua intenção é amigável.

Uniões homoafetivas

Um trecho das observações do Papa Francisco aos Superiores religiosos que geraram manchetes na Itália foi sua insistência no fato de que a Igreja deve se aproximar das crianças em novas situações familiares, incluindo casais homoafetivos, no intuito de evitar dar a elas uma “vacina contra a fé”. Coincidentemente, a Itália está se preparando para um debate sobre a legalização de uniões de mesmo sexo, e o comentário do pontífice foi considerado, por uns, como uma abertura a tal ideia. O padre jesuíta Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, chamou esta interpretação de um “exagero” e disse que ela sugere que as palavras do papa estão sendo manipuladas com objetivos políticos.

Galantino e “O último será o primeiro”

A nomeação recente de Dom Nunzio Galantino, da minúscula diocese de Cassano all’Jonio, como novo secretário da poderosa conferência italiana dos bispos italianos foi saudada como um movimento clássico do Papa Francisco, dado que Galantino se recusa a ser chamado de “Sua Excelência”, recusa-se a viver no palácio dos bispos e é famoso por passar seu tempo ao lado de pessoas comuns. Segunda-feira, uma reportagem no jornal Corriere dela Sera indicou que o nome de Galantino foi precisamente o último de uma lista de possíveis candidatos submetidos ao papa. Supondo que esta informação tenha procedência, a reportagem dá a entender que Francisco seria capaz de derrubar recomendações para mudanças de pessoal quando assim o desejar, o que pode também ter implicações no modo como ele lida com escolhas importantes para o bispado.

Francisco na Terra Santa

Durante a oração do Angelus, no domingo, Francisco confirmou que irá visitar a Terra Santa nos dias 24, 25 e 26 de maio, dando a entender que irá parar em Amã, na Jordânia, indo para Belém e então Jerusalém. O primeiro motivo é ecumênico, visando culminar em um encontro com o Patriarca de Constantinopla e com representantes de todas as demais confissões cristãs na Terra Santa, na famosa igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém. Neste ano completar-se-á o 50º aniversário da visita do Papa Paulo VI à Terra Santa, a primeira viagem feita por um papa fora da Itália em mais de um século. O subtexto político e regional irá também figurar na agende do papa, incluindo planos para jantar com refugiados armênios em Amã na noite de 24 de maio. Uma questão que o papa irá enfrentar já se mostra clara nas reclamações da mídia israelense, de que o principal evento público no calendário do religioso está agendado para Belém, que fica em território palestino.

O papa como bispo de Roma

Francisco tinha agendado para segunda-feira à tarde ir à paróquia romana de Sant'Alfonso sulla Giustiniana, no intuito de ver um presépio vivo organizado todos os anos por membros de classe trabalhadora da paróquia. O papa foi convidado por meio de uma carta enviada pelos jovens da paróquia, e há três poucos dias, como é de seu costume, pegou o telefone e ligou para o pároco para dizer que ele estava a caminho. Em Roma, o gesto foi considerado como uma indicação do entusiasmo que Francisco tem por passar o tempo com pessoas comuns, bem como de sua determinação a levar a sério seu papel como o bispo da diocese local.

O papa “voicemail”

O Papa Francisco é conhecido como o “papa dos telefonemas”, por estar constantemente telefonando para pessoas “do nada”, e na véspera de Ano Novo, ele deixou uma mensagem numa secretária eletrônica a uma pequena comunidade carmelita em Lucena, na Espanha, desejando-lhes um feliz ano novo e para lembrar os 400 anos de aniversário da comunidade. Quando as feiras assustadas passaram a gravação a uma rádio católica espanhola, ela rapidamente rodou o mundo. Mais tarde, o Papa Francisco telefonou novamente e encontrou as irmãs em casa, instando-as a jamais perder esperança ou sucumbir à tristeza.

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