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"Despertem o mundo!". O apelo do Papa Francisco aos religiosos

Coragem, profecia, clericalismo, conflitos: Bergoglio dialoga abertamente com os religiosos de todo mundo e explica a Igreja que quer.

"É preciso formar o coração. Caso contrário, formamos pequenos monstros. E depois estes pequenos monstros formam o povo de Deus".

Esta é uma das passagens mais fortes da conversação entre o Papa Francisco e os 120 superiores religiosos de todo mundo. O encontro, de três horas, aconteceu no dia 29 de novembro de 2013, no Vaticano, e no dia 03-01-2014, a revista Civiltà Cattolica, publicou o conteúdo redigido pelo diretor, padre Antonio Spadaro.

A reportagem é de Ignazio Ingrao e publicada pela revista italiana Panorama, 03-01-2013.

Papa Francisco com a presidência da União dos Superiores Religiosos, em Roma, 29-11-2013.

O Pontífice falou livremente, ou seja, sem um texto elaborado e escrito, e abordou muitos temas delicados que dizem respeito à vida religiosa mas, mais em geral, a vida da Igreja. "A Igreja deve ser atrativa. Despertar o mundo!". Sem medo de errar: "A vida é complexa. Ela é feita de graça e pecado. Se a gente não peca, não é humano. Todos erramos e devemos reconhecer a nossa fraqueza. Um religioso que se reconhece fraco e pecador não contradiz o testemunho que é chamado a dar, mas o reforça e isto faz bem a todos".

O convite feito pelo Papa aos religiosos é o de se tornarem verdadeiramente "profetas e não brincar de sê-lo". Este ser profetas "às vezes pode significar fazer ruído, não sei como dizê-lo... A profecia causa rumor, barulho, alguém diria "bagunça". Mas na realidade o seu carisma é o de ser fermento: a profecia anuncia o espírito do Evangelho". O Papa pede ainda coragem: "O carisma não uma garrafa de água destilada. É preciso vivê-lo com energia, relendo-o também culturalmente. Mas aí se corre o risco de errar. É arriscado. Sem dúvida. Sem dúvida: faremos erros, não há dúvida. Mas isto não nos deve frear, porque há o risco de cometer erros maiores. Sempre devemos pedir perdão e olhar com muita vergonha para os insucessos apostólicos que causamos pela falta de coragem".

O pontífice, como jesuíta, conhece muito bem a vida religiosa e convida a saber viver com serenidade também a vida em comunidade, sem temer os conflitos. Segundo ele, "é preciso apreciar o conflito" já que "a realidade diz que em todas as famílias e em todos os grupos humanos há conflitos". E o conflito deve ser assumido: não deve ser ignorado. Se encoberto, ele cria pressão e explode. Uma vida sem conflitos não é vida". Isto o próprio Bergoglio sabe muito bem. Depois de ter sido superior provincial dos jesuítas na Argentina, muito jovem, entrou em conflito com a Companhia e esteve a ponto de abandoná-la. Agora, pouco a pouco, está nivelando a fossa que durante quase trinta anos o separou dos seus co-irmãos. Um passo muito significativo nesta direção foi dado na Missa celebrada no dia 3 de janeiro de 2014, na Igreja "del Gesù", na presença de 350 jesuítas de todo mundo, como açao de graças pela canonização do padre jesuíta Pedro Fabro. Na homilia o pontífice convidou os jesuitas a serem homens 'inquietos" sempre em busca e recordou que "o Evangelho se anuncia com doçua e amor, e não com porretadas".

Nota da IHU On-Line:

Para ler a íntegra, em espanhol, da reportagem sobre a Conversa do Papa Francisco com os Superiores Religiosos clique aqui.

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