Bergoglio remove cardeal conservador e choca movimento antiabortista

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19 Dezembro 2013

Há apenas alguns dias, o sitio LifeSiteNews.com, um dos mais importantes sites dos católicos integralistas norte-americanos, convidava para rejeitar a tese dos cristãos liberais segundo a qual o Papa Francisco está pouco interessado na luta contra o aborto e os casamentos gays: "Não é verdade, ele recebeu e elogiou os chefes do Instituto para a Dignidade Humana, muito comprometidos com essas questões", afirmara a publicação digital.

A reportagem é de Massimo Gaggi, publicada no jornal Corriere della Sera, 18-12-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas, nessa terça-feira, o mesmo site expressava sua consternação com a decisão do pontífice de excluir da Congregação para os Bispos – um dos órgãos mais poderosos da Igreja, aquele que designa os chefes das dioceses de todo o mundo – o cardeal norte-americano Raymond Burke (foto): o líder da cruzada antiabortista, um personagem em grande evidência sob o papado de Bento XVI e muito estimado também por João Paulo II.

"O movimento pró-vida está chocado", escreveu o site LifeSiteNews.com, mas o Papa Francisco foi implacável. E provavelmente não poderia fazer diferente, depois das críticas recebidas pelo cardeal norte-americano. Diante do seu convite a não enfatizar demais as batalhas contra o aborto e o casamento gay, concentrando-se mais nas questões por ele definidas como "essenciais", ou seja, as da fé, da dignidade humana e da luta contra a pobreza, Burke respondeu rispidamente: "E o que há de mais essencial do que a proteção das leis éticas sobre a natureza do homem? Nunca falaremos o suficiente da defesa da vida humana, dos nascituros indefesos que são privados do seu direito à vida, do massacre dos não nascidos".

Uma rebelião aberta por parte de um cardeal nos antípodas de Francisco, da coreografia aos paramentos sagrados. Burke continuou escolhendo os mais solenes, chamativos e "luxosos", em uma implícita rejeição do vestuário mais sóbrio e humilde sugerido pelo pontífice. Uma rebelião que Francisco decidiu não tolerar, mas ao seu gesto não deve ser dado um significado doutrinário, nem de "deslocamento à esquerda" do eixo da Igreja.

Francisco substituiu Burke por Donald Wuerl, o cardeal de Washington: um moderado que pode ser colocado à esquerda de Burke só porque, ao contrário deste último, não quer negar o sacramento da Comunhão aos políticos católicos favoráveis à livre escolha em relação ao aborto, como o secretário de Estado, John Kerry.

Mas o Papa Francisco confirmou na Congregação que nomeia os bispos outro conservador moderado norte-americano: o cardeal William Levada, embora em posições menos duras do que as de Burke. Outra "depuração" entre os prelados conservadores dos EUA, a do cardeal Justin Rigali, era óbvia, já que o ex-arcebispo da Filadélfia se envolveu em um escândalo pelo péssimo modo pelo qual geriu o caso dos padres pedófilos da sua diocese.

Em suma, o Papa Francisco não muda a doutrina católica, mas reorienta as prioridades da Igreja e tenta abri-la mais às instâncias do mundo. Mas sem rasgos. A atual corrente liberal dos cristãos norte-americanos arrefeceu o seu entusiasmo com o sucessor de Bento XVI, quando, em outubro, o papa promoveu, nomeando-o como bispo de Hartford, Dom Leonard Blair: o prelado que liderou a investigação eclesiástica contra as irmãs progressistas que se rebelaram contra a rigidez da hierarquia eclesiástica dos EUA.

Agora, alguns começam a pensar (ou a esperar) que essa promoção foi desejada justamente por Burke e que, também por isso, o papa decidiu tirar-lhe a importante atribuição.

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