Divorciados: Igreja alemã já começa o debate sinodal

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02 Dezembro 2013

Ele pode estar no fim do mandato, mas Robert Zollitsch, presidente cessante da Conferência dos Bispos da Alemanha, não tem nenhuma intenção de se preparar para a aposentadoria, encerrando-se em um silêncio meditativo. Muito pelo contrário. Antes do adeus à presidência dos bispos da Alemanha, último cargo que ele ainda ocupa – em setembro, apenas um mês depois de ter completado 75 anos canônicos, ele foi removido da liderança da diocese de Friburgo, permanecendo como seu administrador apostólico –, Zollitsch quer acelerar a readmissão dos divorciados em segunda união ao sacramento da Eucaristia.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 29-11-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

E paciência se o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé – recebido nessa quinta-feira em audiência por Francisco – de Roma disse que não se fala mais no assunto: "Nós seguimos em frente", respondeu Zollitsch durante o Conselho Diocesano dos dias 15 e 16 de novembro. A informação é da Konradsblatt, a revista online da diocese de Friburgo.

No início de outubro, gerou muitos rumores o documento emitido pelo escritório responsável pela cura das almas da diocese alemã, em que se convidava "a tornar visível a atitude humana e respeitosa de Jesus no contato com as pessoas divorciadas e com aquelas que decidiram se casar novamente pelo rito civil". Traduzindo, caminho livre para a comunhão aos divorciados em segunda união, justificando tudo com a misericórdia que perdoa todos os pecados.

Quem trouxe para o chão aqueles que já tinham alçado voos pindáricos foi o guardião da ortodoxia, Gerhard Ludwig Müller, que, do ex-Santo Ofício, alertava para o risco de "banalizar a misericórdia", dando a imagem equivocada segundo a qual "Deus não poderia fazer nada mais do que perdoar". É por isso que o prefeito pedira à diocese de Friburgo que retirasse o texto, pois utilizava uma "terminologia não clara" e por ser "contrário ao ensinamento da Igreja". Müller, por fim, convidava a "não criar confusão entre os fiéis com relação ao magistério da Igreja sobre a indissolubilidade das núpcias".

Mas Zollitsch não quis nem saber: esse documento entra como uma das contribuições em vista do Sínodo sobre a família programado para Roma em outubro de 2014. É preciso dar espaço para todos os "impulsos construtivos" que provêm da base e se dirigem à cúpula episcopal.

O primeiro a desposar a linha do líder dos bispos alemães foi o cardeal Reinhard Marx, pastor da diocese de Munique e Freising, que, abrindo mão do diplomaticamente correto, desafiava Müller abertamente. "O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé não pode frear o debate", dizia ele por ocasião de uma conferência em que estava reunidos todos os bispos da Baviera.

Ele criticava a lectio sobre a pastoral do matrimônio proferida pelo titular do ex-Santo Ofício e publicada no L'Osservatore Romano no fim de outubro: "Falar de divórcio como de fracasso moral é totalmente inadequado", trovejava Marx, reiterando todas essas questões "necessárias e urgentes" sobre a família seriam discutidas no Sínodo "de modo amplo e com resultados não previsíveis por enquanto".

Paciência, portanto, se Müller esclarecia que o ensinamento doutrinal da Igreja não pode ser mudado por um bispo diocesano ou por uma conferência episcopal. O ensinamento da Igreja certamente pode ser atualizado, "mas essa é uma tarefa que cabe ao papa, em pleno acordo com os bispos".

Na Alemanha, no entanto, não se pensa assim. O bispo de Stuttgart, Dom Gebhard Fürst, também pede que se apresse e se chegue a aprovar "as novas regras sobre a comunhão aos divorciados em segunda união até março de 2014", quando ocorrerá a reunião de primavera da Conferência dos Bispos da Alemanha. Esse encontro será o último com Robert Zollitsch como presidente.

O prelago de Stuttgart não se importa muito com os marcos postos por Roma, olha com confiança para a exortação apostólica Evangelii gaudium de Francisco, em que se enfatiza a necessidade de potencializar o papel das Igrejas locais "incluindo alguma autêntica autoridade doutrinal", e explica que eles, os bispos da Alemanha, não fazem nada mais do que "responder às demandas dos fiéis".

Afinal, "as expectativas são grandes, sim, mas também é grande a impaciência". Em suma, não se deve perder tempo em muitas discussões empoeiradas, impregnadas de teologia e doutrina. A Igreja alemã quer agir logo, antecipando e possivelmente orientando o grande debate sinodal do ano que vem.

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