A conversão do papado começa pelos bispos latinos

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30 Novembro 2013

É preciso um longo e profundo discernimento para compreender as diretrizes da Evangelii gaudium, a longuíssima exortação de Francisco revelada esta semana ao mundo. O professor Giovanni Filoramo, historiador do cristianismo, convida a examinar com atenção a primeira parte: é aí que se percebe todo o porte da mudança prometida pelo papa jesuíta. A segunda, ao invés, é um "pot-pourri – em alguns casos, confuso – em que se reiteram temáticas que já foram ouvidas várias vezes, como a crítica ao neopelagianismo. Nada de novo".

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 28-11-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nos parágrafos iniciais, no entanto, "disseminados com muitas referências teológicas", o papa traça com extrema clareza o percurso que a Igreja deverá seguir para alcançar aquele estado de missão permanente várias vezes retomado em homilias e discursos dessa primeira parte de pontificado: "Eu acho que a conversão do papado da qual Francisco fala deve ser interpretada no sentido forte, e não só como um vício retórico. O pontífice diz claramente que é preciso dar soberania às conferências locais. E é isso que o Concílio queria", explica Filoramo, que acrescenta: "Do meu ponto de vista, Bergoglio ressalta que há a necessidade de que o anúncio seja capaz de se adaptar a todas as culturas. Portanto, estamos diante da retomada de passagens do discurso com o qual João XXIII abriu o Vaticano II em outubro de 1962. Volta a se fazer sentir, de modo forte, a questão da relação entre anúncio e cultura, ou, melhor, entre anúncio e culturas".

Uma sensação confirmada pela longa reflexão do papa sobre a religiosidade popular: "Não é habitual que em um texto desse tipo sejam citados muitos documentos de bispos latino-americanos", diz Filoramo. "O fato é que ele sabe bem como são perigosas para a Igreja aquelas experiências religiosas que se afirmam alavancando a religiosidade popular, tão fortes na América do Sul. O inimigo referido por Francisco são sobretudo os movimentos pentecostais, que ganham cada vez mais espaço nesse continente. São uma ameaça para a Igreja Católica".

É por isso que o papa quer responsabilizar as conferências locais "para que possam enfrentar diretamente – e sem passar sempre pelos escritórios da Cúria Romana – os problemas culturais locais". Trata-se de um "convite para que os bispos levem em consideração as especificidades indígenas, que durante os pontificados de João Paulo II e de Bento XVI, tinham caído no esquecimento, sem encontrar uma possibilidade real de se expressar".

É a essa interpretação que deve ser atribuída, segundo o historiador do cristianismo, à passagem em que Francisco fala de "conferências episcopais como sujeitos de atribuições concretas", incluindo também alguma autêntica autoridade doutrinal: "Mas aqui eu tenderia a considerar em chave fraca esse 'doutrinal', posto claramente pelo papa. Eu não vejo riscos para os dogmas, nem penso que possam surgir Igrejas autocéfalas. Mais uma vez, vejo nisso apenas um impulso para olhar com mais atenção as culturas locais. E, além disso, tenhamos presentes que a liturgia também é doutrina".

Inculturação, questão fundamental

Para Filoramo, o projeto de Francisco também é um retorno ao passado: "As Igrejas locais foram mais autônomas nas últimas décadas, basta pensar na conferência do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano) de Medellín, em 1968, em que a teologia da libertação ganhou espaço. Certamente, depois, tomaram um desvio perigoso", observa.

De todos os modos, são muitos os elementos que levam a avaliar a Evangelii gaudium como uma espécie de "semente lançada para uma clara reviravolta do papado". Embora seja "um documento enciclopédico em que há de tudo", o pontífice reitera que "a relação com o mundo não é feito com a transmissão de uma multidão de doutrinas, e nisso se lê uma clara crítica a uma Igreja teológica demais. A necessidade – diz o nosso interlocutor – é que a Igreja saia para ir em busca de novos modos de se expressar, para não ser esmagada e superava pelos novos movimentos".

Este é um ponto-chave: "Francisco afirma que o modo pelo qual uma mensagem transcende as diferentes culturas sempre precisa de mediações culturais. Trata-se de inculturação". Uma questão já abordada, embora com outras palavras, pela Gaudium et spes, a Constituição Pastoral sobre a relação entre a Igreja e o mundo, assinada por Paulo VI no dia 8 de dezembro de 1965, último dia do Concílio Vaticano II.

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