Cresce o número de jovens latino-americanos que não estudam e nem trabalham

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Por: Caroline | 02 Novembro 2013

Eles têm entre 15 e 29 anos, não trabalham e nem estudam. São os chamados “nem e nem”, um setor da população que cresce na América Latina e que representa um grande desafio nos planos da criação de emprego e de desenvolvimento da região.

A reportagem é de Isabelle Shaefer, publicada pelo jornal El País, 31-10-2013. A tradução é do Cepat.

Fonte: http://goo.gl/THL6FM

No México, são 8 milhões – ou a quarta parte da população em idade de finalizar o ensino médio, ir para a universidade ou procurar seu primeiro emprego, mas que não faz nenhuma dessas atividades, segundo os números da Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, OCDE.

De fato, entre os países que integram a OCDE, o México ocupa o terceiro lugar em porcentagem de “nem e nem”.

As razões deste fenômeno são múltiplas, de acordo com os especialistas.

“Há uma grande heterogeneidade: desde garotos com graves problemas de drogas, outros que não têm as competências básicas necessárias para conseguir um emprego, até aqueles que, por responsabilidades familiares, não podem entrar no mercado de trabalho”, afirma Rafael Rofman, especialista em Proteção Social do Banco Mundial.

Este é o caso de Celenne Ramírez, graduada em Engenharia Industrial. Há meses procura um emprego, após uma tentativa fracassada de desenvolver um projeto próprio.

“Você pode encontrar um trabalho perto, mas recebendo pouco, e você pode encontrar um trabalho distante e receber mais ou menos um salário regular”, disse Ramírez.

Os “nem e nem” são um problema global, como se viu recentemente na Conferência da Juventude, na qual participaram jovens da África, Europa e América Latina e que teve como principal tema de discussão a busca de soluções para o desemprego juvenil.

Astrid Estefanía Garibay Soto, de 21 anos, participou da Conferência por meio da videoconferência da Cidade do México, e afirmou que, além da escassez de oportunidades adequadas, os jovens também são vítimas de um problema de percepção: “as pessoas pensam em ‘jovem’ e quando dizem “nem e nem”, dizem vícios, dizem relaxo”, comentou.

O problema não é apenas individual. Implica que estes oito milhões de jovens mexicanos não estão aprendendo novas habilidades e não estão contribuindo para a economia do país.

Outro nome para o mesmo problema

Em outros países da região se vive uma situação parecida. No Uruguai, por exemplo, quase quatro de cada dez jovens não estudam, não trabalham e não procuram emprego ativamente. A estes se somam 25% de mulheres que se autodefinem como “donas de casa” e também não buscam emprego porque muitas abandonaram os estudos ao se tornarem mães.

Um estudo do Banco Mundial, que analisa o caso uruguaio, revela que uma das principais características dos “nem e nem” no Uruguai é que estão em uma situação de alta vulnerabilidade social e vivem em áreas urbanas marginais. São 17,1% dos jovens urbanos e, desta porcentagem, quase 8 em cada 10 se encontram na faixa dos 40% mais pobres do país.

Um estudo reconhece os progressos do Uruguai para a proteção social, especialmente em áreas como aposentadorias e associações familiares, mas recomenda um plano que proteja melhor os jovens desempregados e estimule seus potenciais empregadores.

Recomendações ou ideias muito próximas foram feitas pelos participantes da Conferência Mundial da Juventude, no México. Quando foi pedido para que expressassem, em poucas palavras, ideias para superar a o desemprego juvenil, as mais recorrentes foram “Educação”, “Empreendedores”, “Jovens apontando ideias”, “Diálogos” e “Oportunidades de Crescimento”.

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