O menino no trono de Francisco

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31 Outubro 2013

O vovô Francisco falava do seu modo afável de sempre, e o menino saltitava ao seu redor, como se estivesse no jardim de casa. Como se o avô estivesse podando uma cerca em uma tarde ensolarada qualquer de outono, deixando que o netinho se movesse livremente com a promessa de não se afastar muito. Ele poderia muito bem lhe dizer: "Cuidado que você vai cair", como diz um idoso um pouco ansioso a uma criança irrequieta.

A reportagem é de Paolo Di Stefano, publicada no jornal Corriere della Sera, 29-10-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Isolado do contexto, podia ser um retrato íntimo, de família, mas estávamos na Praça de São Pedro, durante uma homilia, a despeito de milhares e milhares de fiéis incrédulos. Um quadro terno e cômico ao mesmo tempo, porque o avô não era ninguém menos do que o papa, e o menino tinha escapado da multidão para ficar lá em cima, ao lado do vovô que lhe acariciava a cabeça, voltando ocasionalmente a abraçá-lo para um apelo irresistível de afeto e daquela cumplicidade que só os avós conseguem ter com os netos.

Esse papa sabe dar naturalidade a palavras e a gestos que até recentemente pareciam impensáveis. Tudo de uma simplicidade desarmante, como o primeiro "boa noite" do dia 13 de março. Como as caretas sorridentes e confidenciais com o pequeno. Como aquela agitação do menino "impertinente", que, com a sua camisa amarela de mangas longas demais, ia se sentar por um instante no trono pontifício. Talvez alheio a tudo, talvez bem consciente daqueles poucos minutos de celebridade, enquanto o vovô Francisco continuava falando tranquilo ao oceano da Praça de São Pedro, sem prestar muita atenção ao moleque que agora já estava ao seu lado mexendo com uma mão nas pregas do hábito branco.

Era o encontro das famílias, mas já tínhamos visto muitas crianças em torno do vovô Francisco. Em julho, no Rio de Janeiro, ele abraçou Nathan, um garoto de nove anos que escapou da multidão para alcançar o papa, que, para cumprimentá-lo, pediu que o motorista parasse o carro. Em setembro, ele quis telefonar para Federico, de seis anos, que de Chivasso tinha lhe enviado um desenho de flores coloridas. Em Assis, outro abraço com uma criança que tinha se jogado no seu colo sacudindo uma bandeira. Não um abraço qualquer, mas um apertão pleno, forte, reconfortante e, depois, a caminhada acima nas escadas, de mãos dadas.

Certamente, não foi um avô que disse "Deixai vir a mim as crianças", mas não importa.

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