O jesuíta e a conversa. Entrevista com Antonio Spadaro

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23 Setembro 2013

"Há algo que lhe surpreendeu em particular, padre?"

"Tudo."

O padre Antonio Spadaro, 47 anos, há dois anos diretor da Civiltà Cattolica, se permite um sorriso, mas não se trata de uma piada. Estudioso da rede e blogueiro, teólogo apaixonado por literatura – escreveu ensaios sobre Flannery O'Connor e Pier Vittorio Tondelli –, ele fala da entrevista com Francisco como de "uma experiência espiritual". Mas ressalta uma coisa: "Muitos, talvez, não a terão captado, ela escapa no texto, mas é significativa da atitude do papa...".

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 20-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

E qual é essa coisa?

Em um certo ponto, ele fala de quando ensinava literatura, dos seus estudantes que queriam ler as obras contemporâneas mais "picantes" em vez dos clássicos. E ele explica que "desestruturou" o programa: fez com que eles começassem pelas leituras que queriam, disponível a acolher as suas exigências, e assim lhes abriu o gosto pela palavra literária, até passar para outros autores, a expressarem a si mesmos na escrita...

Por que "experiência espiritual"?

Falando com ele, percebe-se a autoridade, mas nunca a distância. Além de gravar, eu tomava nota. Senti-me à vontade e deixei de anotar: eu me distraía pela conversa. Francisco não põe distâncias. A sua acolhida é interior e profunda, de paz, a paz profunda desse homem... Sim, eu vi um homem que vive em Deus, e isso o ajuda a manter os olhos abertos sobre a realidade. Aquilo que nós, jesuítas, chamamos de "discernimento"...

A espiritualidade de Inácio de Loyola é central no papa jesuíta...

Absolutamente sim. Buscar e encontrar a Deus em todas as coisas. O fato de que a comunicação do Evangelho não é no abstrato, mas sim para pessoas específicas em contextos específicos. E não requer condições prévias, mas sim uma consciência aberta. Chamou-me a atenção quando ele me disse que, às vezes, o coração das pessoas não é tão aberto a Deus, mas sempre há um pedacinho... Francisco convida a ter um pedacinho do coração aberto, e depois o Senhor dará os seus frutos.

A todos: começando pelos "feridos"...

O papa é apaixonado por fronteiras. As periferias existenciais. É preciso viver em desequilíbrio, a Igreja samaritana que se inclina sobre o homem ferido. O coração da entrevista está nesta definição esplêndida: o hospital de campanha. Se alguém está ferido de morte, você não pode pensar no colesterol.

As questões éticas?

Atenção, ele diz: eu sou um filho da Igreja. Sobre isso, ele é claro. No máximo, o discurso é que elas não vêm antes. Não se pode apenas e sempre insistir nelas. O papa insiste no coração do Evangelho, a mensagem de salvação que deve ser pregada a todos.

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