O argentino “Cura Gaucho” é beatificado

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Por: André | 18 Setembro 2013

Uma multidão vinda de diferentes lugares do país participou, no sábado, dia 14 de setembro, na localidade cordobesa de Villa Cura Brochero da beatificação do “Padre Gaúcho”, como José Gabriel Rosario Brochero era chamado. Através de uma carta, o Papa Francisco expressou a sua alegria pelo acontecimento: “É uma bênção muito grande para os argentinos e devotos deste pastor com cheiro de ovelha, que se fez pobre entre os pobres, que lutou sempre por estar bem perto de Deus e das pessoas”.

 
Fonte: http://bit.ly/1gv4sMv  

A reportagem está publicada no jornal argentino Página/12, 15-09-2013. A tradução é de André Langer.

A cerimônia foi presidida pelo enviado do papa, o cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, que leu o instrumento pelo qual o Vaticano concedeu “ao venerável servo de Deus” a condição de “beato” e que dispõe que “sua festa pode ser celebrada” de agora em diante, anualmente, “no dia 16 de março”. O presidente da Câmara dos Deputados, Julián Domínguez, que participou como representante do Poder Executivo federal, declarou: “Recebemos o chamado para sermos peregrinos comprometidos com o nosso povo nesse tempo de fé na Argentina”.

Domínguez, acompanhado pelo secretário de Culto, Guillermo Oliveri, afirmou que a beatificação “representa o mais profundo das nossas origens, daqueles que fizeram da solidariedade e do serviço ao próximo sua filosofia de vida, confirmando os mais altos valores da nossa identidade”. Acrescentou que “a luta do padre gaúcho pela igualdade, por uma sociedade mais justa, é a luta que compartilhamos como justicialistas identificados com a Doutrina Social da Igreja. Estamos em um novo momento, em que na América Latina o humanismo social prevaleceu sobre o liberalismo mercantilista desumanizado, e a economia volta a estar a serviço do homem e não o homem a serviço da economia”.

O governador José Manuel de la Sota, por sua vez, agradeceu ao Papa Francisco pela beatificação e pediu que este seja o “passo imediato” para a canonização do sacerdote. “Cada terra tem os homens e santos que merece. Poxa, que bonito é que Brochero tenha nascido em Córdoba e mais bonito ainda que nos siga acompanhando na fé e com o seu exemplo de luta para levar aos pobres educação, trabalho, progresso e felicidade”.

O ato se desenvolveu em um contexto de alegria popular. Em sua homilia, o cardeal Amato valorizou a figura de Brochero porque foi “um verdadeiro benfeitor da humanidade”. Por isso instou a seguir “admirando-o, imitando-o em suas obras materiais e espirituais”. O enviado do papa assinalou que o beato Brochero “dedicou sua vida para o bem e a santificação dos fiéis, sobretudo dos mais necessitados”.

Ressaltou que o sacerdote soube ter “uma linguagem simples e popular para que todos pudessem entender o que dizia. Um vocabulário serrano” que o converteu em “um verdadeiro comunicador que transmitia alegria e esperança” às pessoas. Destacou a “coerência” entre a vida e o ensinamento evangélico de Brochero, a quem qualificou de “uma pessoa de grande riqueza espiritual que comunicava o amor ilimitado de Deus”.

Amato assegurou que Brochero “se caracterizava pela imensa caridade pastoral para com os mais necessitados. Esquecia-se de si mesmo para sair a cavalo para visitar as pessoas que moravam em lugares mais distantes. Elas o amavam e o seguiam. Foi um verdadeiro benfeitor da humanidade”. Seu trabalho pastoral, disse Amato, contemplou a construção de escolas, albergues, igrejas e sua intervenção pessoal para que os trabalhadores “recebessem um salário justo”.

O enviado do papa deu a comunhão aos presentes. Os primeiros a recebê-la foram Nicolás Flores e seus pais, Sandra Violino e Osvaldo Flores. Em 2000, Nicolás sofreu um grave acidente de carro e salvou sua vida “ao seu pai invocar o padre Brochero, cujo milagre foi o fundamento da beatificação do ‘padre gaúcho’”, destacou-se durante a cerimônia. Em 20 de dezembro de 2012, Bento XVI, hoje Papa emérito, assinou o decreto que reconhece o “milagre” atribuído a Brochero.

Foi assim porque se considera que a recuperação de Nicolás “não teve uma explicação médica” tendo em conta que os estudos assinalavam um prognóstico de “vida vegetativa” e problemas neurológicos severos após sofrer o grave acidente rodoviário.

Os organizadores do ato estimaram que entre 100.000 e 150.000 peregrinos vindos de diferentes lugares da província e de todo o país participaram da celebração. Na carta enviada de Roma, o Papa Francisco considerou que Brochero “conheceu todos os rincões da sua paróquia, não ficou na Sacristia penteando ovelhas” e que “a sua visita era a do próprio Jesus a cada família”. Assinalou-o como “pioneiro em sair às periferias geográficas e existenciais para levar a todos o amor e a misericórdia de Deus. Desgastou-se sobre a mula e acabou doente de lepra, à força de sair para buscar as pessoas, como um sacerdote das ruas da fé”. Insistiu em que o sacerdote escapou da “cova do egoísmo mesquinho que todos temos” e que conquistou para Deus as pessoas de “má vida e conterrâneos difíceis”.

Às 10h27, uma gigantesca fotografia estampando a imagem de Brochero foi fixada ao altar, em meio a aclamações e aplausos da multidão reunida no prédio situado no Cerro de la Cruz, em Traslasierra. Em outro momento da cerimônia, passou-se o vídeo que mostra o momento em que Francisco, no Vaticano, abençoa um sino com a seguinte frase: “Brochero, um padre com cheiro de ovelha”. Agora, o sino ficará na paróquia do povoado.

O padre Brochero faleceu em 1914, aos 74 anos. Além da sua tarefa social, intercedeu junto às autoridades pela abertura de estradas, canais, diques, um correio postal e o primeiro telégrafo. A doença que o levou à morte o havia deixado surdo e cego.

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