Teologia da libertação em debate no jornal do Vaticano

Revista ihu on-line

SUS por um fio. De sistema público e universal de saúde a simples negócio

Edição: 491

Leia mais

A volta do fascismo e a intolerância como fundamento político

Edição: 490

Leia mais

Maria de Magdala. Apóstola dos Apóstolos

Edição: 489

Leia mais

Mais Lidos

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

05 Setembro 2013

Na próxima quinta-feira, 5 de setembro, em Seveso, na Itália, no âmbito do 23º Congresso Nacional da Associação Teológica Italiana, Gustavo Gutiérrez – sacerdote e teólogo peruano, desde 2001 membro da Ordem dos Dominicanos, considerado um dos pais da teologia da libertação – irá dialogar com o teólogo Mario Antonelli sobre o tema "Fazer teologia na tradição na América Latina".

A reportagem é do jornal do Vaticano, L'Osservatore Romano, 04-08-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Gutiérrez escreveu, juntamente com o arcebispo Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o livro Dalla parte dei poveri. Teologia della liberazione, teologia della Chiesa [Do lado dos pobres. Teologia da libertação, teologia da Igreja] (Pádua-Bolonha, Edizioni Messaggero-Editrice Missionaria Italiana, 2013, 192 páginas).

"Nestas páginas – escreve Gutiérrez no primeiro capítulo –, gostaríamos de apresentar algumas considerações sobre como vemos o papel atual e as tarefas futuras da reflexão teológica na vida da Igreja presente na América Latina e no Caribe". Mais adiante, o arcebispo Müller especifica: "Toda teologia deve partir de um contexto. Mas com isso a teologia não se dispersa em uma incomensurável soma de teologias regionais (…). Cada teologia regional, ao invés, deve ter já em si mesma uma vocação eclesial universal", e as questões postas pela teologia da libertação são "um aspecto imprescindível de toda teologia, qualquer que seja o quadro socioeconômico que circunscreva o seu espaço".

"Com um papa latino-americano – escreve Ugo Sartorio no jornal, na atenta resenha do livro –, a teologia da libertação não podia permanecer por muito tempo no cone de sombra em que foi relegada há alguns anos, ao menos na Europa. Posta fora de jogo por um duplo preconceito: aquele de que ela ainda não metabolizou a fase conflituosa de meados dos anos 1980, muito enfatizada pela mídia, e faz dela uma vítima do Magistério romano; e o preconceito engessado na rejeição de uma teologia considerada muito de esquerda e, portanto, tendenciosa".

O livro, no entanto, continua Sartorio, não é apenas uma contribuição para a superação de clichês e preconceitos ideológicos: a sua leitura, de fato, solicita importantes reflexões capazes de integrar e revitalizar perspectivas muitas vezes incrustadas. Além disso, é importante lembrar como a reflexão teológica latino-americana realmente não é um fenômeno unitário: hoje, ela é caracterizada por correntes muito diversificadas entre si também. Graças à teologia da libertação, que tem os pobres no seu centro ("os preferidos de Deus"), portanto, a Igreja Católica pôde aumentar ainda mais o pluralismo dentro dela.