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20 Agosto 2013

Encontrar um equilíbrio entre o que os leitores devem ler e o que eles querem ler é a difícil tarefa que todos os sites da mídia impressa alemã enfrentam. Mas os editores não podem impedir que os leitores montem seu próprio jornal online a partir do que os sites oferecem, e isso --normalmente para a frustração de seus editores bastante políticos-- geralmente acaba se parecendo muito com um tabloide.

A reportagem é publicada pela revista Der Spiegel e reproduzida pelo Portal Uol, 19/08/2013.

Com base nos padrões de tráfego de usuários do site do Die Welt, a seção "Panorama" é a mais popular, com matérias sobre sutiãs e um livro sobre sexo em países árabes entre aquelas que recebem o maior número de cliques. De acordo com o site someedia, que informa sobre o setor, o jogo Sudoku do site é muito popular, o que aponta para uma semelhança com os leitores do Zeit Online, a versão online do semanário Die Zeit, que, depois da homepage, passam a maior parte do tempo jogando Sudoku. Outros dos principais chamarizes foram uma matéria intitulada "A pornografia mais carinhosa do mundo" e uma história sobre a cirurgia de mama da atriz Angelina Jolie.

Cúmplices perigosos

O usuário online é mais perigoso para qualquer jornalista que o leitor do jornal impresso. O jornalista pode manter o leitor do impresso cativo assim que ele paga por um jornal ou revista, muitas vezes sob a forma de uma assinatura vitalícia. O leitor online é exigente, temperamental e volátil, uma vez que o próximo site, o próximo vídeo ou a próxima música está sempre a apenas um clique de distância. E o leitor online tem dois cúmplices perigosos: agregadores de conteúdo e mídias sociais.

Agregadores como o Google ou Flipboard varrem a web em busca de matérias, fotos e vídeos que interessam aos usuários. Eles levam os potenciais leitores e telespectadores aos sites que oferecem o que estes procuram. "E a cada clique no Google, eu forneço ao motor de busca informações sobre mim, que ele pode monetizar", diz o editor do FAZ, Schirrmacher.

As mídias sociais, como Facebook e Twitter, estão se tornando cada vez mais importantes para a mídia online. Elas se tornaram pontos de coleta significativos de notícias, agora que milhões de usuários recomendam e enviam matérias por e-mail.

Cerca de 20% de todos os norte-americanos, duas vezes mais do que há dois anos, recebem a maior parte das notícias através das redes sociais. O número salta para 35% entre aqueles entre 18 e 24 anos de idade. Para a elite digital global, o Facebook e o Twitter se tornaram veículos de comunicação oficiais.

"As mídias sociais possuem jornais com muito mais feedback dos leitores", diz Krach, editor do Süddeutsche Zeitung, "e recebemos informações às quais não tínhamos acesso no passado". O Facebook e o Twitter são como um "teste de mercado permanente", diz seu colega online Plöchinger. "Para nós, o número de recomendações [de leitura] é fundamental, não o número de cliques."

A mudança estrutural dentro do público é, no entanto, reversível. É impulsionada pelos gigantes que lucram com ela, os editores que veem nela a salvação de seus modelos de negócios, a nova mídia, que só existe por causa disso, e os usuários, que não querem ficar sem os brinquedos do público digital.

Participação ininterrupta

Smartphones e tablets facilitam a participação ininterrupta, mas ela funciona de forma diferente daquela do público da mídia de massa do século 20. O cidadão digital se comunica em nichos, em grupos interligados e em blogs, entre seguidores e amigos.

O internauta é uma diva da mídia, mimado pelas possibilidades das novas mídias digitais, entediado com os pacotes de texto analógicos e com os jornais, que são caros demais para o gosto de muitas pessoas e recheados com conteúdo que não as interessa. O internauta quer um produto personalizado em vez de algo que saiu da prateleira, e o cidadão digital também quer que isso seja barato ou, de preferência, gratuito. Os internautas gostam do Flipboard, Zite, Huffington Post, tumblr, TED e taptu.

Os produtos digitais dos jornais não são suficientemente inovadores para as divas da mídia porque dificilmente se distinguem das versões impressas e tiram muito pouco proveito das novas possibilidades. Isso explica o sucesso modesto das edições eletrônicas de jornais, especialmente porque a cultura da leitura, que também causa satisfação pela sensação física do contato com jornal, continua tendo um impacto hoje.

Muitas pessoas sentem que os tablets permitem que leiam artigos mais longos, em particular, de forma mais eficiente do que o jornal, especialmente porque podem ser complementados por vídeos, gráficos e informações adicionais. Entretanto, a evolução do ser humano ainda é mais lenta do que a evolução de suas invenções.

O número de tablets na Alemanha dobrou em 2012, e até 2016 cerca de 24 milhões de alemães deverão estar usando os dispositivos. Os milhões de aplicativos baixados de jornais e revistas alemães atestam o interesse pelo jornalismo entre os proprietários dos tablets, e mesmo assim as compras diárias e semanais continuam aquém do esperado.

A expectativa dos editores de que eles poderiam ganhar novos leitores para os jornais impressos através dos canais de distribuição está se mostrando uma falácia. "Nós temos que começar a contar novas histórias e aproveitar as possibilidades que os tablets oferecem", diz o subeditor-chefe do Süddeutsche, Krach. "Imagens de 360 graus, vídeos, gráficos interativos, todas as coisas que não podemos fazer no jornal impresso".

O jornalismo impresso que espera se comercializar no mundo digital precisa aprender com o jornalismo online, a partir do diálogo com os leitores, a partir das formas e da linguagem. As palavras devem abrir caminho para fotos, vídeos e gráficos em locais onde as palavras são inferiores. Simplesmente administrar montanhas de palavras não é a forma de mostrar a qualidade do jornalismo.

Jornalismo de dados, apresentações com áudio, gráficos animados --todas as coisas que o jornalismo online tem produzido-- precisam se fundir com o conteúdo impresso, nos tablets, para formar um novo jornalismo digital. "Com essas novas formas, podemos alcançar uma profundidade de detalhes que não é possível no jornal", diz o editor-chefe do Süddeutsche.de, Plöchinger.

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