‘Nada foi pior do que o período no DOI-Codi’, diz ex-preso político

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17 Agosto 2013

Um dia após exortar, cara a cara, o ex-integrante da repressão política Valter da Costa Jacarandá a contar o que sabia sobre as torturas na ditadura, o advogado e ex-preso político José Carlos Tórtima disse que "nada foi pior" do que o tempo que passou no DOI-Codi do I Exército, em 1970. Foram 45 dias marcados por choques elétricos, pau de arara e outras sevícias, recordou ontem - ainda celebrando a confissão, na véspera, do coronel-bombeiro da reserva, em sessão conjunta das Comissões Nacional e Estadual da Verdade, de que torturara e vira torturas quando serviu na unidade. Aos 67 anos, Tórtima reconheceu que Jacarandá não o torturou.

A entrevista é de Wilson Tosta e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 16-08-2013.

Eis a entrevista.

O que o senhor achou do depoimento de Jacarandá?

O grande avanço da audiência é que, pela primeira vez, um oficial envolvido nas torturas reconheceu que elas existiram. E confirmou nomes dos torturadores. Já não pode mais prevalecer aquela versão que eles propalavam, que nunca tinha havido tortura.

Como foi sua prisão?

Foi em 1970, na casa dos meus pais, em Ipanema. Eu tinha concluído o 4.º ano de direito na UEG (hoje UERJ), mas já estava clandestino, no PCBR. Fui visitar meu pai, achando que não era procurado. Mas um cara já tinha caído e falado. Foi em 24 de fevereiro de 1970. Eu tinha me sentado para almoçar, quando tocou a campainha. Estavam armados e foram educados.

Não o agrediram?

Não. Foi uma coisa curiosa. O comandante segredou para minha mãe: 'Se a senhora tiver algum amigo com força nos quartéis, procure, porque lá vai ser muito duro para seu filho'.

O senhor estava armado?

Estava, mas não reagi, botei a pistola sob o sofá, senão matariam a família toda. Se fosse na rua, reagiria. E ia matar um cara bom. Mas não me arrependo de nada. Faria tudo outra vez. Era uma ditadura. Eles começaram a violência.

Quem o torturou?

Os inspetores Boneschi e Timóteo, da Polícia Civil, o capitão Timóteo, da PM, o capitão Gomes Carneiro, que me rebentou um tímpano.

E o major Jacarandá?

Não me torturou. Acho que estava no DOI. Ontem, vendo-o na audiência, acho que lembrei. Ele já tinha cabelos brancos, mas não estava careca. Foram 45 dias no DOI, depois Dops duas semanas e um ano e meio na Ilha Grande. Mas nada foi pior que o DOI.

Como eram os torturadores?

O mais ideológico era o Boneschi, anticomunista. Ironicamente, acabou morrendo por causa disso. Foi como mercenário para Angola, para lutar contra o governo do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), e pegou uma doença grave, nos rins, que o matou.

O que perguntavam?

Nomes e aparelhos. De mim não arrancaram nada.

Como foi a volta?

Difícil. Não deixaram voltar à faculdade. Terminei no interior de São Paulo. Estudava à noite. Formei-me pela Faculdade de Direito de Itu, em 1973. Em 1974, voltei ao Rio.

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