Comissão obtém confissão de tortura

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15 Agosto 2013

O único dos quatro militares da reserva convocados a comparecer à audiência das Comissões Nacional e Estadual da Verdade, ontem no Rio, para esclarecer a morte do dirigente comunista Mario Alves de Souza Vieira, o coronel do Corpo de Bombeiros, Valter da Costa Jacarandá, assumiu ter torturado presos políticos nas instalações do Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do Rio.

A reportagem é de Guilherme Serodio e publicada pelo jornal Valor, 15-08-2013.

Na Assembleia Legislativa (Alerj), frente a ao menos sete vítimas da tortura praticada dentro do quartel da Polícia do Exército, na Tijuca, onde funcionava o DOI-Codi, Jacarandá afirmou desconhecer o paradeiro de Mário Alves, na época secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Alves foi preso e torturado na sede do DOI-Codi do Rio em 17 de janeiro de 1970. Seu paradeiro até hoje é desconhecido. De acordo com a presidente da CNV, Rosa Cardoso, o militante foi morto empalado após ser torturado.

"Não tive qualquer participação na tortura e desaparecimento do seu pai", disse o militar à filha de Mário Alves, Lúcia Vieira, logo no início de seu depoimento. O militar foi reconhecido como torturador por vítimas presentes à sessão.

"O senhor participou diretamente da minha tortura", acusou o professor Álvaro Caldas, membro da Comissão da Verdade do Rio. "Você usava uma bota preta de cano longo, tipicamente de um oficial nazista, e me dava chutes com ela".

"Houve excessos", disse Jacarandá, que pressionado pelo presidente da Comissão da Verdade do Rio, o advogado Wadih Damous, admitiu a tortura praticada no prédio: "O excesso é a tortura e a tortura é o excesso. Não tem como fugir disso", reconheceu, confirmando as práticas usuais nas sessões de tortura que eram listadas pelo advogado. "É fato", respondeu sobre espancamentos e choques elétricos.

Evitando assumir um envolvimento maior com os atos mais violentos de tortura, Jacarandá afirmou repetidas vezes não se lembrar de muitas das acusações que lhe eram feitas, entre elas a de acionar a manivela de choques elétricos.

"Pode até ter acontecido", afirmou apenas. "Com toda a certeza devo ter desenvolvido um mecanismo de defesa", disse o oficial, mais de uma vez foi interpelado por homens e mulheres que o acusavam de práticas de tortura.

"Foi ele quem me disse que mataram o Mário Alves", disse, ao final da audiência, Maria Dalva de Bonet, presa no DOI-Codi do Rio em 1970. "Eu estava no pau de arara e ouvi ele dizer isso. Ele era um dos principais torturadores do DOI-Codi e agora não quer se lembrar de nada".

Na época major do Corpo de Bombeiros, o militar contou que chegou ao DOI-Codi como integrante um grupo de operações antibombas e passou a atuar na repressão a presos políticos atraído pela "aventura de entrar em uma guerra".

"Fui responsável pelo interrogatório no período de poucos dias", disse. "Não cheguei a ficar um mês". Segundo ele, a maior parte das ordens eram passadas verbalmente aos agentes.

Em maio, Jacarandá foi denunciado pelo Ministério Público Federal no Rio pelo desaparecimento de Mario Alves ao lado de outros quatro agentes da ditadura: Luiz Mário Valle Correia Lima (tenente Correia Lima), Luiz Timótheo de Lima (inspetor Timóteo), Roberto Augusto de Mattos Duque Estrada (capitão Duque Estrada) e Dulene Aleixo Garcez dos Reis (tenente Garcez).

Durante o depoimento de ontem, Jacarandá reconheceu todos os nomes como colegas que atuavam no DOI-Codi.

A exceção de Luiz de Lima, todos os militares denunciado pelo MPF foram chamados a depor na audiência de ontem. Com as ausências, uma nova audiência será agendada para ouvir os depoimentos dos torturadores. Se voltarem a se ausentar, os integrantes podem vir a processá-los por crime de desobediência.

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