Leonardo Boff: Francisco, Papa da libertação

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29 Julho 2013

"Creio que Francisco mudará muita coisa. Ele não está reformando somente a Cúria, está reformando o papado", afirma Leonardo Boff , teólogo, filósofo e escritor, em entrevista publicada pelo jornal La Stampa, 25-07-2013.

A entrevista é de Andrea Tornielli. A tradução é de Benno Dischinger.

Eis a entrevista.

Francisco quis começar a viagem com uma visita ao santuário de Aparecida. Por que?

Porque em 2007 os bispos latino-americanos publicaram um documento que restitui espaço aos pobres e afirma que certos métodos de evangelização são antiquados e serão mudados. Servem pastores que têm o cheiro das ovelhas mais do que o perfume das flores do altar”. Francisco mostra ter uma grande devoção mariana e uma grande atenção à piedade popular. Não parecem ser aspectos tão próximos à sensibilidade progressista...

E, ao invés, o são, são próximos à teologia da libertação. Não Argentina esta se desenvolveu particularmente como teologia do povo, levada em frente pelo jesuíta Juan Carlos Scannone, que foi professor de Bergoglio. O Papa é próximo a esta teologia. Não é uma devoção popular “pietista”, mas uma devoção que conserva a identidade do povo e se empenha pela justiça social.

O Papa fala com frequência dos pobres e no hospital do Rio repetiu que ir para os pobres significa tocar “a carne de Cristo”. O que significa isso?

O pobre é o verdadeiro representante de Cristo, num certo sentido o pobre é o verdadeiro Papa, e Cristo continua a ser crucificado no corpo dos condenados da terra. O Cristo é crucificado nos crucifixos da história.

O que muda na Igreja com o Papa Francisco?

Creio que mudará muita coisa. Francisco não está reformando somente a Cúria, está reformando o papado. Sua insistência sobre ser bispo de Roma, o ter deixado o palácio para habitar na residência Santa Marta, significa ir em direção ao mundo. O Papa explca que prefere uma Igreja incidentada, mas que vai pela estrada, antes que uma Igreja asfixiada e asfixiante e fechada no templo. Agora se sente que a Igreja é um lar de esperança e não uma fortaleza assediada e sempre em polêmica com a modernidade ou uma alfândega que controla e regula a fé, em vez de facilitá-la.

Há quem critica Francisco dizendo que está dessacralizando o papado...

Não o está dessacralizando, mas o apresenta em sua verdadeira dimensão evangélica. É o sucessor de Pedro e Pedro era um simples pescador. É preciso combater a “papolatria” que temos visto nas últimas décadas. Os cardeais não são príncipes da Igreja, mas servidores do povo de Deus. Os bispos devem participar da vida do povo. E o Papa não se sente um monarca: também diante da presidente do Brasil disse: “Venho aqui como bispo de Roma”, isto é, como aquele que preside a Igreja na caridade e não no direito canônico.