“Seria uma loucura renunciar ao conselho de Bento”, comenta o papa Francisco

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Por: Jonas | 13 Julho 2013

“Você não imagina a humildade e a sabedoria deste homem... Nunca renunciaria ao conselho de uma pessoa deste tipo. Seria uma loucura de minha parte!” São palavras do papa Bergoglio sobre Bento XVI. Palavras que disse por telefone a Jorge Milia, jornalista, escritor e ex-aluno de Bergoglio. Elas foram incluídas pelo próprio Milia em um artigo publicado no blog de Alver Metalli, “Terre d’America”.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 11-07-2013. A tradução é do Cepat

O escritor começa dizendo que o Papa se queixou de ter recebido dele uma carta com 12 páginas. “No entanto, não posso negar que lhe fiz rir...”, respondeu-lhe Milia. “E riu. Por essas razões que ninguém pode explicar, muito menos eu, ainda tolera minha prosa, assim como há tantos anos, quando éramos professor e aluno. Disse-lhe que comecei a ler a encíclica “Lumen Fidei” e ele abriu mão de qualquer mérito pessoal. Comentou que Bento XVI tinha feito a maior parte do trabalho, que era um pensador sublime, desconhecido ou que a maior parte das pessoas não entende”.

Em seguida, o escritor cita outras palavras do Pontífice: “Hoje estive com o velho... – assim, à moda argentina, com aquele caráter afetuoso que a palavra lhe dá – conversamos muito, para mim é um prazer trocar ideias com ele”.

“E, de verdade, quando fala de Ratzinger – sublinha Milia – o faz com muito reconhecimento e ternura. A mim me dá um pouco a sensação de alguém que reencontrou a um velho amigo, um ex-companheiro de classe, daqueles que se encontra de vez em quando, que frequentava a escola um ou dois anos acima e que, de alguma maneira, admiramos, talvez com as diferenças polidas pelo tempo, suavizadas”.

Por telefone, Francisco acrescentou: “Você não imagina a humildade e a sabedoria deste homem”. Milia respondeu: “Então, você o tem perto...”. “Nunca renunciaria ao conselho de uma pessoa deste tipo. Seria uma loucura de minha parte!”.

Em relação à possibilidade de se relacionar com as pessoas, Francisco disse ao seu amigo e xará: “Não foi fácil, Jorge, aqui há muitos “patrões” do Papa e com mais tempo de serviço”.

“Depois comentou – escreve Milia – que cada uma das mudanças que introduziu lhe custou esforços (e, suponho, inimigos...). Entre estes esforços, a coisa mais difícil foi a de não aceitar que se ocupassem de sua agenda. Por isso é que não quis viver no palácio, porque muitos papas acabam se tornando “prisioneiros” de seus secretários”.

“Sou eu que decido a quem ver – disse Francisco a seu ex-aluno -, não meus secretários... Às vezes, não posso ver quem gostaria porque preciso ver quem quer me ver”.

“Esta frase me surpreendeu muito – observou o escritor. Eu, que não sou Papa e que não tenho seu poder, sinto que o coração se acelera quando espero um amigo querido e não sei se poderia dar a precedência para outro em seu lugar. Ele, ao contrário, priva-se do encontro que gostaria para estar com quem o solicita. Disse-me que os papas estiveram isolados durante séculos e que isto não é certo, o lugar do Pastor é com suas ovelhas...”.

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