A primeira viagem de Francisco será entre os imigrantes

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03 Julho 2013

Será uma peregrinação ao mar (com organização de "último minuto" confiada a Dom Georg) a primeira saída oficial de Roma por parte de Francisco. A sua viagem de estreia é uma blitz entre os pobres que passa por cima e desorienta a máquina curial. De surpresa, na segunda-feira, a visita privada aos migrantes de Lampedusa inaugura o pontificado "on the road" de Bergoglio. O anúncio veio da Sala de Imprensa vaticana: sem a mediação da Secretaria de Estado, Francisco confirmou diretamente ao arcebispo de Agrigento, Francesco Montenegro, que aceitou o convite do pároco da ilha, padre Stefano Nastasi. No programa, não estão previstas presenças de autoridades oficiais do Estado italiano ou da Conferência Episcopal Italiana (CEI).

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 02-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Primeiro papa a visitar Lampedusa, Francisco realiza uma viagem-relâmpago para lembrar os muitos que da África a Lampedusa perdem a vida no mar, vítimas das guerras e de traficantes aproveitadores. Para encorajar os habitantes da ilha à solidariedade e apelar à responsabilidade de todos para que cuidem dos imigrantes.

"Um gesto significativo que sacode as instituições da indiferença com relação às tragédias do mar", explica o ministro vaticano da Imigração, Antonio Maria Vegliò. Dois meses atrás, Francisco havia lançado um apelo aos governantes, legisladores e à comunidade internacional para que pensem para os refugiados "iniciativas eficazes e novas abordagens para proteger a sua dignidade, melhorar a sua qualidade de vida e enfrentar os desafios que surgem de formas modernas de perseguição, opressão e escravidão".

O impulso para concretizar o projeto de um gesto pelos imigrantes e refugiados veio do "recente naufrágio de uma embarcação", em meados de junho, que "tocou profundamente" o pontífice que pôs os pobres no centro da nova evangelização. Uma visita o máximo possível sóbria. Os pescadores acompanham o papa com os seus barcos. Depois da saudação aos migrantes no mar, o papa irá lançar uma coroa de flores em memória dos que perderam a vida no mar; depois a missa no campo de esportes; e a parada na paróquia de São Geraldo. Uma agenda apertada para um evento inesperado que acende os holofotes do mundo sobre a emergência dos migrantes.

"A escolha de ir para Lampedusa como a primeira viagem do pontificado fala mais do que qualquer palavra", afirma o L'Osservatore Romano. Entre acelerações imprevistas dos preparativos, clamor midiático planetário por uma decisão mais uma vez contra a corrente, rupturas do cerimonial e "low profile", o pontificado itinerante de Francisco começa onde a sua "Igreja pobre para os pobres" experimenta cotidianamente a fronteira do desconforto.

Na era global, aparentemente sem mais muros geopolíticos, Bergoglio visita o posto avançado da caridade, a primeira vanguarda de uma guerra pela sobrevivência combatida todas as noites nas carretas do mar.

Uma peregrinação à ilha que somente em 2011, com a explosão da Primavera Árabe, viu 50 mil pessoas desembarcarem nas suas costas. O presidente da Fundação Migrantes, padre Giancarlo Perego, destaca que o papa, indo a Lampedusa, reitera "a opção preferencial da Igreja pelos pobres". O último naufrágio leva o papa até a porta de entrada da Europa.

E, na sexta-feira, a Lumen Fidei, a primeira encíclica de Francisco e a última de Bento XVI, irá indicar o caminho: a fé em um Deus que se fez pessoa, se encarnou na vida e na morte do ser humano.

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