Por: André | 19 Junho 2013
“A postura de quem espera para os muçulmanos um ‘banho purificador’ no secularismo, parece ingênua e objetivamente errada. Especialmente, posto que lamentamos os efeitos do secularismo na vida das comunidades cristãs e de toda a sociedade. Com respeito à experiência religiosa, o mal comum não é uma ‘meia alegria’”.
A reportagem é de Giorgio Bernardelli e publicada no sítio Vatican Insider, 17-06-2013. A tradução é do Cepat.
Na intervenção que pronunciou durante a abertura, o cardeal Angelo Scola comentou desta maneira a imagem da “crista”, proposta como tema da 10ª reunião do Comitê Científico da Fundação Internacional Oásis, em andamento desde esta manhã, 17 de junho, em Milão. Dois dias de diálogo que este ano também recordam a primeira década do organismo criado por Scola e do qual participam cerca de 70 estudiosos cristãos e muçulmanos. E é justamente a atualidade destes dias (com os ecos dos protestos na Turquia, mas também a transição incompleta que se está vivendo nos países das revoltas de 2011), o que confirma a intuição da Fundação Oásis em um momento de trânsito delicado, que deve ser enfrentado com paciência e equilíbrio.
A partir desta ótica, os cristãos e os muçulmanos parecem encontrar-se diante da necessidade de se afastarem de duas direções contrárias e perigosas: a de um secularismo fechado, que (usando as palavras de um dos participantes do encontro, o filósofo francês Rémi Brague) deixa fora de jogo a questão de Deus; e a contrária, representada por uma fé reduzida a ideologia totalitarista, que afasta os que não a seguem. Estas tendências não seriam tão diferentes, se é verdade que – como já foi dito nesta segunda-feira em Milão – a própria religião imanente do Islã político é muito mais “secularizada” do que parece.
Assim, pois, é necessário chegar a uma nova síntese entre religião, razão e sociedade – disse explicitamente Scola –, e a Europa de hoje, com suas perspectivas cada vez mais multiculturais, é o melhor laboratório para construí-la. Por isso, equilíbrio – precisou o arcebispo de Milão – não quer dizer processo unidirecional, escondido no simples desejo de “recuperação do transcendente” por parte do Ocidente. “Liquidar a questão da ideologização da religião como simples uso inapropriado da religião com fins políticos – indicou Scola – pode facilmente converter-se em uma autoabsolvição”.
A chave encontra-se no encontro, que deve ser percorrido por completo, com as fadigas e as cautelas que exige. Por isso, a resposta que o arcebispo deu, fora de uma entrevista coletiva que o arcebispo concedeu, a uma pergunta sobre a construção de uma mesquita em Milão, foi emblemática destas ideias: “O direito à liberdade religiosa não existe se não chega a prever lugares de culto. Mas, para aplicá-lo concretamente, as autoridades têm a tarefa de verificar quem é e quais são as necessidades de quem faz a solicitação. E como se inseriria a mesquita no contexto. Por exemplo, uma mesquita não deveria estar lado a lado com uma igreja”.
Esta síntese é possível quando se une verdadeiramente e sem prejuízo tudo o que se está movendo em diferentes áreas do mundo. E esta é justamente a vocação específica da Fundação Oásis, com seu método de encontro “face a face” que segue mantendo intacta a sua validade a 10 anos de sua criação. Ontem, por exemplo, chamou muito a atenção a participação do iraquiano Asyyed Jawad al-Khoei, da Fundação al-Koei de Najaf. O religioso xiita falou sobre a longa tradição de diálogo que mantém neste centro religioso e sobre a maneira como está colocando em prática sua história no Iraque de hoje, no qual, ao contrário, se vive uma realidade cada vez mais sectária.
“No dia 14 de março, fundamos o Conselho Iraquiano para o Diálogo Inter-religioso – contou. Buscamos superar o estilo das bajulações recíprocas e das declarações nebulosas, para entrar diretamente no centro dos problemas. E adotamos como ponto de partida os direitos humanos universais e a igualdade absoluta da população”.