''A ameaça dos lobbies vaticanos vai além da questão sexual''. Entrevista com John Allen Jr.

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14 Junho 2013

O vaticanista norte-americano John Allen reflete sobre os comentários do Papa Francisco sobre o "lobby gay" e os enquadra nos esforços que o pontífice está fazendo para reformar a Cúria.

A reportagem é de Paolo Mastrolilli, publicada no sítio Vatican Insider, 13-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

O que o papa quis dizer, na sua opinião?

É preciso lembrar que a frase sobre o "lobby gay" surgiu no contexto do escândalo Vatileaks, e a questão mais importante era quem estava agindo atrás das cortinas. A teoria era de que, talvez, houvesse alguns homossexuais envolvidos, não pelo fato de serem homossexuais, mas porque todos aqueles que têm um segredo a manter poderiam ser suscetíveis a pressões ou a chantagens. O que mais preocupa não é a orientação sexual, mas se há alguém que esteja agindo contra os interesses do papa.

Como funciona esse "lobby" dentro do Vaticano?

Eu não tenho certeza de que se trata de um verdadeiro "lobby"... Eu duvido que haja reuniões ou apertos de mão secretos como saudação. De todos os modos, as pessoas que têm uma vida dupla (por razões sexuais, por dinheiro ou por qualquer outro motivo) muitas vezes sentem uma afinidade natural com outras pessoas que são como eles.

Esse comentário se referia aos esforços do papa para reformar a Cúria, aos abusos sexuais ou a ambos?

Ele tem a ver com a reforma da Cúria Romana, na qual Francisco quer ter a certeza de que as decisões são tomadas pelos motivos certos, e não por pressões ocultas.

Na sua opinião, quando vai começar essa reforma e qual será a chave dos procedimentos do papa?

Obviamente, Francisco está tomando o seu tempo, mas ele entendeu claramente que foi eleito pelos cardeais de todo o mundo com um mandato de reforma, porque eles estavam cansados do que consideravam como o mau governo do Vaticano.

Como foram recebidas as ações do Papa Francisco nos Estados Unidos?

Até agora, Francisco goza de grande simpatia nos Estados Unidos. Um estudo recente revelou que 82% dos católicos norte-americanos aprovam o papa. Pelo fato de, em geral, estarem divididos, isso já é um pequeno milagre.