Religiosas aceitam a mão estendida de Dom Braz de Aviz

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08 Mai 2013

Cerca de 800 religiosas líderes mundiais, reunidas sob a égide da União Internacional das Superioras Gerais (UISG), testemunharam o que algumas descreveram como um momento incomum e esperançoso na tortuosa saga do caso Vaticano/religiosas.

A reportagem é de Thomas C. Fox, publicada no sítio National Catholic Reporter, 06-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Foi o que aconteceu na forma de uma visita do cardeal João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Religiosos, ao encontro da UISG. Ao contrário do seu antecessor, o cardeal Franc Rodé, que simplesmente não compareceu quando a assembleia foi convocada em Roma há três anos, Braz de Aviz se disponibilizou, passando quase um dia inteiro na conferência, celebrando uma missa, oferecendo reflexões sobre as leituras e depois respondendo às perguntas que lhe foram feitas pelas mulheres e pela mídia.

Durante o seu tempo na assembleia, o cardeal exibiu uma abertura e um nível de conforto muitas vezes não vistos quando prelados católicos entram em contato com mulheres brilhantes. No fim do dia, muitas mulheres estavam respirando com mais facilidade, dizendo que elas têm um amigo na Congregação para os Religiosos.

Algumas descreveram o cardeal do Brasil como um homem com um "grande coração".

Mas o que parecia vincular Braz de Aviz e as mulheres, acima de tudo, era a sua disponibilidade de tratá-las com um respeito atencioso, de igual para igual. Ao fazer isso, ele deu força ao seu apelo por uma maior cooperação intraeclesial. Braz de Aviz especificamente pediu a colaboração entre os ministérios, entre a hierarquia e o ministério profético.

Enquanto falava, ele mostrou uma rica humanidade, enraizada na sua aparente capacidade de se arriscar e de ser atormentado por muitos críticos descontentes. Ele compartilhou voluntariamente a sua própria vulnerabilidade, assim como feridas pessoais experimentadas pelas mãos de seus colegas cardeais.

Ele contou a história de quando ficou sabendo que havia sido deixado de fora da avaliação doutrinal da LCWR por parte da Congregação para a Doutrina da Fé. Como chefe do grupo eclesial mais afetados pelos resultados, esse foi um grande golpe, que lhe causou, segundo ele, "muita dor."

Ele ressaltou: "Temos que mudar essa forma de fazer as coisas". Embora suas considerações visassem a prelados vaticanos, as religiosas pareceram entender que essa mudança precisava incluí-las também.

Braz de Aviz, sentando-se junto com as religiosas, falou de um ambiente de trabalho disfuncional e anticristão, com o que as mulheres consentiram, sabendo muito bem que elas foram vítimas dessa quebra de civilidade.

Aos olhos de algumas, Braz de Aviz não respondeu adequadamente a todas as perguntas que lhe foram feitas. Ele pareceu subestimar o impacto negativo da visitação apostólica às congregações dos Estados Unidos. Ele disse que o relatório está na mesa do papa, sem oferecer informações ou opiniões sobre o assunto. Ele pode não ter entendido totalmente a urgência de corrigir as injustiças contra a LCWR.

No entanto, muitas religiosas concordaram que haviam testemunhado um acontecimento raro. Elas viram um prelado vaticano que havia ido ao encontro delas e as havia tratado seriamente em um clima de apreciação e respeito.

No contexto mais amplo das longas e hostis tensões e mal-entendidos entre homens-mulheres e clero-religiosas, a visita de Braz de Aviz, no fim, pode não ter tido muita importância.

Por outro lado, ela foi, ao mesmo tempo, sinal de boas intenções e um passo rumo a uma maior comunicação. Estas não são questões pequenas.

As religiosas irão se reunir nesta quarta-feira em uma audiência privada com o Papa Francisco. Elas esperam que ele permita uma conversa de duas vias, embora isso ainda não faça parte do formato publicado.

Nunca se sabe. Talvez algo que espelhe o que aconteceu com Braz de Aviz e as religiosas poderia acontecer novamente. Se assim for, o curso da nossa Igreja provavelmente será alterado para melhor. Muitas mulheres disseram que ter à disposição um ouvido papal pode fazer a diferença. No mínimo, ainda há um medo generalizado de que nobres ações de Braz de Aviz, embora bem-vindas, não sejam suficientes.

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