Carabineiros usam balas de borracha com marcadores de tinta

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Por: André | 24 Abril 2013

No último protesto dos estudantes, carabineiros usaram balas de borracha com marcadores de tinta para marcar os encapuchados. Mas feriram manifestantes que marchavam de rosto descoberto.

A reportagem é de Christian Palma e publicada no jornal argentino Página/12, 22-04-2013. A tradução é do Cepat.

Na última marcha de estudantes chilenos, carabineiros estrearam uma nova arma repressora: balas de borracha com marcadores de tinta estilo paintball [esporte de combate, individual ou em equipes, usando marcador de ar comprimido] supostamente para marcar os encapuzados. A polêmica aumentou quando mais de uma dezena de manifestações que andavam de rosto descoberto receberam os respectivos impactos em seus rostos. Alguns deles, inclusive, podem perder a visão ou um dos olhos.

Em 11 de abril passado, as organizações estudantis que lutam para conseguir no Chile uma educação gratuita, laica e de qualidade convocaram uma marcha – a primeira do ano – para demonstrar o descontentamento em relação ao pequeno avanço nesta matéria. Do ato participaram mais de 150.000 pessoas apenas em Santiago, constituindo-se em uma das manifestações mais massivas desde que a crise nos colégios e universidades se aprofundou, na metade de 2011.

Enquanto a maré humana caminhava em meio a batucadas, tambores e danças e máscaras, começaram as típicas brigas entre jovens mais radicais com rosto coberto – conhecidos no Chile como encapuzados – e a polícia. Estes enfrentamentos sempre incluíram pedradas, barricadas com pneus, escombros, paus e até bombas molotov por parte dos primeiros. Do outro lado, carros hidrantes, balas de borracha e muitos gases são utilizados pelos oficiais para acalmar os ânimos. Agora os carabineiros acrescentaram as balas com marcadores de tinta.

Os primeiros a reagir a este método de dissuasão policial foram os próprios estudantes. O presidente da Federação de Estudantes da Universidade Católica (FEUC), Diego Vela, convocou energicamente as forças policiais para acabarem com o uso de balas nas manifestações e recordou que os “carabineiros se comprometeram a não usá-las há três anos”.

Outros dirigentes denunciaram um amedrontamento por parte dos oficiais para evitar que a população participe de novas convocatórias.

No Instituto Nacional de Direitos Humanos houve grande preocupação com a situação. “A ferramenta foi idealizada para que os Carabineiros pudessem marcar e identificar os que cometem crimes em manifestações, mas vimos que nenhuma das pessoas presas tinha marcas de tinta, razão pela qual esse objetivo não se está sendo cumprido. Aqui não se cumpriu a distância mínima e onde se aponta”, disse a diretora do INDH, Lorena Fries. “Um caso pode ser uma individualidade, mas quando chegam cinco pessoas com esta mesma situação... há uma questão de fundo em matéria de ordem pública e garantia dos direitos humanos”, declarou.

A última convocatória estudantil também se deslocou para a cidade portuária de Valparaíso. Aí, efetivos carabineiros agiram com excessiva violência contra alguns manifestantes, razão pela qual foram afastados. Não obstante, Fries disse esperar “um pouco mais” que essas sanções para terminar com os abusos policiais. Dias depois, os afetados, junto com outras pessoas, marcharam perto da unidade central de Carabineiros em protesto pelo uso de balas com marcadores de tinta. “Estamos falando de falta de critério dos carabineiros quando há seis ou oito franco-atiradores disparando ao mesmo tempo ao lado de um major, isto não é azar”, defendeu Germán Grunet, que levou um tiro no olho.

O Colégio Médico respaldou estas denúncias e pediu que as balas fossem banidas. “Nossa profissão como oftalmologistas é salvar os olhos; por isso, estamos muito preocupados. Acreditamos que caso continuar a se aplicar poderemos ter muito mais lesionados e cegos”, disse Felipe Vega, médico oftalmologista da Unidade de Trauma Ocular (UTO) do Hospital do Salvador.

“Nossa recomendação às autoridades de governo deveria ser a supressão desta arma dissuasiva, que pode provocar casos realmente gravíssimos e levar até à morte”, acrescentou o presidente do Departamento de Direitos Humanos do Colégio Médico, Alvaro Reyes.

Outro lesionado é o arquiteto Enrique Eichin, de 58 anos, que está para perder o olho devido ao impacto de um destes projéteis. “O objetivo que esses rifles cumpririam, de identificar as pessoas que estão causando prejuízos, é um absurdo, uma desculpa, porque não atiram de maneira dirigida, são rajadas ao azar. Esse tipo de armamento, que aparece como inofensivo, deve ser banido das Forças Especiais. Caso contrário, vai continuar a haver cegos neste país”, disse.

Natalia Kamisato, outra estudante afetada, acusou, por sua vez, os carabineiros de terrorismo. “Isto é um terrorismo que se está gerando para desarticular todo o movimento estudantil e social. Nós somos a favor de que este tipo de elemento seja retirado definitivamente dos carabineiros”, afirmou.

Diante da polêmica, o general diretor dos carabineiros, Gustavo González, anunciou sucintamente que o uso das balas com marcadores de tinta será reavaliado na realização de convocatórias massivas.

A próxima manifestação nacional convocada pela Confederação de Estudantes do Chile será na quarta-feira, 8 de maio. Será preciso ver se efetivamente se acabarão as balas de borracha ou se o paintball com os estudantes vai continuar.

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