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24 Março 2013

"O novo papa pagou pessoalmente o seu quarto de hotel!" "O Papa Francisco chegou a Roma sem secretário!" "Ele manteve a sua simples cruz de bispo e nunca usa os sapatos vermelhos de papa!" "O papa argentino pediu que os fiéis não vão a Roma, mas que doem o valor da passagem aérea para os pobres!" As anedotas sobre o estilo e sobre a "simplicidade" do cardeal Bergoglio alimentam as conversas romanas depois da eleição-surpresa do sucessor do Papa Bento XVI, no dia 13 de março.

A reportagem é de Stéphanie Le Bars, publicada no jornal Le Monde, 23-03-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O papa alemão ao cardeal argentino, a Igreja Católica parece ter passado, em poucos dias, de um mundo para outro. Da Europa para a América Latina, da frieza do professor teólogo de estilo compassado à espontaneidade e ao calor do "pastor dos pobres", que limita o máximo possível a pompa romana.

A decisão dos 115 cardeais, reunidos no conclave nos dias 12 e 13 de março, de confiar uma Igreja em crise em muitos países do mundo a um prelado de 76 anos surpreendeu muito todo o mundo católico, mas, à parte algumas poucas exceções, os fiéis parecem gostar dessa surpresa.

O cardeal argentino Jorge Bergoglio, é verdade, apresenta algumas vantagens: vindo "do fim do mundo", como ele mesmo disse na noite da sua eleição, esse representante da Igreja de um país da América Latina encarna o continente onde vivem hoje 40% dos católicos do mundo. Bispo atuante, esse religioso formado pelos jesuítas nunca abandonou o seu cargo de pastor por um posto de ensino ou por uma promoção à Cúria Romana, o governo do Vaticano.

A sobriedade com que viveu durante anos em Buenos Aires, próximo da população dos bairros mais pobres, tende a tornar crível a mensagem que ele continuou a enviar há uma semana: o seu desejo de ver surgir uma "Igreja pobre para os pobres", de promover uma Igreja e um mundo que prestem mais atenção ao destino "dos mais humildes" e da "natureza".

A sua idade, em um primeiro momento percebida como um inconveniente por causa da energia necessária para conduzir a Igreja Católica, é agora vista como um sinal de total liberdade. A renúncia inédita de Bento XVI, de fato, abre para o seu sucessor a possibilidade de pensar a sua própria função como uma missão de duração determinada. Isso poderia levá-lo a dar sinais rápidos sobre inúmeros temas com os quais ele deve lidar: reforma da Cúria, nova evangelização, novo modo de se dirigir ao mundo.

O papa, por meio do discurso evangélico, de paz, aberto às outras religiões e aos não crentes, por enquanto desenvolvido por ele, parece querer fazer esquecer os escândalos que envolveram a Igreja nos últimos tempos (pedofilia, falta de transparência financeira). Mas, como a mensagem da Igreja é muitas vezes percebida como uma série de proibições e de posições retrógradas, a sua tarefa será tornar a fé católica, o seu clero e as suas instituições mais convincentes em uma sociedade marcada pela descrença e pela difusão de outras religiões.

Além da "simplicidade", o papa será julgado pela sua capacidade de falar ao mundo.

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