''O apelo a salvar o ambiente é coerente com o nome Francisco''. Entrevista com Jeremy Rifkin

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20 Março 2013

"Hoje, diante da multidão reunida em São Pedro, ressoaram palavras potencialmente revolucionárias: o papa recém-eleito pediu que as mulheres e os homens e de boa vontade sejam guardiões da criação, do ambiente. Se essa linha for mantida, significará que 1,2 bilhão de católicos serão chamados em primeira pessoa a se mobilizarem nas batalhas pela defesa dos seres humanos e das outras espécies ameaçadas por uma poluição crescente. Seria uma reviravolta epocal". Jeremy Rifkin, presidente da Foundation on Economic Trends, ele acompanha de Washington, com crescente interesse, o nascimento do novo pontificado.

A reportagem é de Antonio Cianciullo, publicada no jornal La Repubblica, 20-03-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

O senhor se surpreendeu com o discurso na cerimônia de inauguração?


Só em parte, porque, é preciso dizer a verdade, eu esperava esse sinal forte. Eu o esperava desde que ouvi dizer que o cardeal Bergoglio havia escolhido se tornar Papa Francisco. Naquele momento, com a minha esposa, nos olhamos e entendemos que algo importante podia acontecer.

Na verdade, a expressão "guardiões da criação" não é nova: sempre houve uma grande batalha sobre a interpretação dessa frase.

É verdade, e, de fato, a mensagem não pode ser compreendida sem colocar sobre a mesa todos os termos utilizados nos primeiros dias de pontificado: junto com "guardiões", por outro lado, está a escolha de se chamar Francisco. E a interpretação franciscana do cuidado pela criação é muito clara: em nítida contraposição com as escolhas feitas por séculos pela hierarquia vaticana. Para Francisco, os animais não são um instrumento à disposição da expansão humana. E as próprias forças da natureza são consideradas de modo empático, algo para entrar em sintonia por um bem comum, não um pé de cabra a ser usado para desestabilizar os ecossistemas e aumentar o lucro de poucas gerações, deixando as outras no desespero. O fogo como irmão, e não como fornalha nuclear a se desencadear contra o inimigo.

No campo da paz, a história da Igreja, ao menos nos tempos recentes, também teve uma continuidade própria.

Mas aqui o conceito de paz é diferente, mais alto. Não somente a ausência de guerra, mas também a harmonia com o outro: o ser humano como parte de um contexto do qual ele é garantidor. E quem é garantidor se põe em jogo. Deve se comprometer. É nesse campo que veremos se o desafio se mantém, se a aposta será ganha.

Como entenderemos?

Damos um exemplo concreto. Ser guardiões da natureza significa defendê-la não com as palavras, mas com os fatos. E nós estamos indo em linha reta direto à sexta extinção de massa: a primeira causada por uma única espécie, a nossa, queimando combustíveis fósseis e desmatando. Significa que 70% das espécies que compartilham o planeta conosco serão varridas se não fizermos nada para frear as mudanças climáticas: um processo que, além de apagar boa parte da biodiversidade, aprofundará o fosso entre ricos e pobres, distribuindo a sua carga de desgraças de modo mais violento entre aqueles que têm menos. Uma perspectiva dessas pode ser tolerável para um católico?

Até agora, houve sinais, até de uma certa importância, mas não um ataque sistemático como, por exemplo, o que a Igreja de João Paulo II fez contra os regimes do Oriente.

Se Francisco de Assis estivesse vivo, ele seria hoje o líder natural da batalha pela defesa do clima. Eu penso que a escolha do nome é um sinal tão forte, inédito e inovador que abre espaço para a esperança.

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