''Francisco irá mudar a linguagem da Igreja''. Entrevista com Franco Ferrarotti

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19 Março 2013

Um pastor corajoso e comunicativo, capaz de se expressar de forma simples, descarregando, porém, nessa linguagem a sua grande cultura. "Este papa tem um estilo inédito. Batizou um novo sistema de comunicação que mudará a linguagem da Igreja", entusiasma-se Franco Ferrarotti.

A reportagem é de Marida Lombardo Pijola, publicada no jornal Il Messaggero, 18-03-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A simplicidade verbal de João XXIII, capaz de usar palavras que vinham do coração. A cultura profunda de Ratzinger, capaz de analisar com densidade teológica os desafios da Igreja e de reuni-los em três encíclicas magistrais. O carisma de Wojtyla, capaz de se comunicar também através de grandes gestos proféticos. De acordo com o retrato traçado por um grande sociólogo como Franco Ferrarotti, o papado de Bergoglio marcará uma reviravolta.

Eis a entrevista.

O senhor conhece muito bem o mundo sul-americano. O que o Papa Francisco traz, desse mundo, no seu modo de se comunicar?


Ele vem dos países em cujas ruas vagam os meninos de rua. É um papa da estrada. Quer caminhar pelas periferias, quer o contato com as pessoas, pede para diminuir a sua escolta. Ele não tem medo de se misturar com a multidão, nem de eventuais atentados, apesar dos perigos objetivos, apesar do que aconteceu com o seu antecessor, João Paulo II.

Ele saúda dizendo "bom dia", "boa noite", "bom almoço". Ele diz: "Quero-lhes bem" aos jornalistas". O que o senhor acha?

Acho extraordinário. Ele rompeu uma tradição de retórica ciceroniana, no estilo comunicativo da Igreja. Ele evita a busca da frase bonita, do estilo áulico, que sempre se coloca como uma diafragma entre quem fala e quem ouve, e que não permite ir ao encontro da multidão. É um papa culto, assim como todos os jesuítas, mas não é professoral. Sabe usar a linguagem popular, mas sabe trazer para dentro dela toda a sua cultura teológica e filosófica.

O senhor acredita que é uma estratégia comunicativa ou é a sua forma espontânea de entrar em contato com os fiéis?

Eu acho que ele consegue ir ao encontro do sentimento popular, mesmo deixando intactas as imperfeições desse tipo de comunicação. Mas a sua simplicidade não é afetação, não é exibida, nem ostentada. Ele é tão bem preparado que pode se permitir uma linguagem simples, sem simplificações, popular sem populismos.

Como reage, segundo o senhor, quem o ouve?

Sente-se à vontade. O seu comportamento é o oposto em comparação com o do papa professor, que se ergue em cima de uma cátedra, de uma altura superior ao do povo da Igreja. Ele desce ao nível dos fiéis e, de fato, é capaz de cair até abaixo. De se ajoelhar e se curvar diante deles.

Por que, segundo o senhor, ele nunca se autodefine como papa, mas como bispo de Roma?

Isso, para mim, é outro talento. Significa que ele entende a Igreja como realidade de base. Ele tem a autoridade e a preparação para falar com todo o mundo, mas tem vínculos muito sólidos com o território. É um "G-local", como se diz hoje. Global e local ao mesmo tempo.

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