Anistia Internacional quer caso dos guaranis kaiowás incluído nos trabalhos da Comissão da Verdade

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Manifesto do Laicato em apoio aos bispos que subscreveram a “Carta ao Povo de Deus” com 1440 assinaturas no primeiro dia

    LER MAIS
  • Com mais de 1.500 assinaturas, Padres da Caminhada relançam mensagem de apoio à Carta ao Povo de Deus dos bispos

    LER MAIS
  • “A pandemia viral é o resultado da pandemia psicológica e espiritual”, afirma Gastón Soublette

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


Por: Cesar Sanson | 04 Março 2013

A Anistia Internacional vai pedir que a Comissão Nacional da Verdade inclua o caso dos índios guaranis- caiovás de Mato Grosso do Sul no programa que apura o que houve com as vítimas da ditadura. Segundo Maurício Santoro, assessor de direitos humanos da Anistia Internacional, de certa forma os índios foram vítimas do período ditatorial no país e, por isso, vivem ameaçados pela violência por causa dos conflitos agrários.

A reportagem é de Paulo Yafusso e publicada pelo jornal O Globo, 04-03-2013.

O último relatório da violência divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) aponta que 62% dos assassinatos de indígenas no país em 2011 foram registrados em Mato Grosso do Sul. Ocorreram 32 assassinatos e 27 tentativas contra indígenas, a maioria guaranis-caiovás.

Santoro fez parte do grupo de representantes das entidades de direitos humanos ligadas às questões indígenas que esteve nesta semana no acampamento montado pelos índios na fazenda Santa Helena, em Caarapó, ao sul do estado. No último dia 17, o guarani-caiová Denílson Barbosa, de 15 anos, foi morto a tiros e o corpo dele foi enterrado dentro da propriedade pelos indígenas que ocuparam a área um dia após o crime. O fazendeiro Orlandino Gonçalves Carneiro se apresentou à polícia e confessou que matou o adolescente, mas disse que atirou sem intenção de matar. Um irmão de Denílson, de 11 anos, e o cunhado, de 20 anos, estavam juntos da vítima e disseram em depoimento à polícia que o ruralista atirou para matar.

Segundo Santoro, o episódio retrata bem a realidade vivida pelos índios. Com a caça e a pesca escassa, eles saem das aldeias onde vivem o drama da superpopulação, em busca de alimento e água. Denílson e as duas testemunhas foram atacados por estarem pescando num açude que fica dentro da fazenda de Orlandino. Segundo os índios, o fazendeiro já havia ameaçado outros guaranis-caiovás que foram pescar no local.

Logo que ocuparam a fazenda e montaram os barracos, os cerca de 300 indígenas afirmam que foram atacados e ameaçados por seguranças. Por conta disso, nove familiares de Denílson, entre eles o irmão e o cunhado que testemunharam o crime, foram incluídos no Programa de Proteção a Testemunhas do governo federal. À polícia, Orlandino Gonçalves afirmou que estava sozinho quando atacou os indígenas. Mas as testemunhas afirmam que ele estava com seguranças quando chegou atirando.

O delegado regional de polícia, Carlos Videira, disse que, para esclarecer esse fato, o irmão e o cunhado do índio assassinado terão que ser ouvidos novamente, mas que isso deverá ser feito por carta precatória, pois agora estão sob proteção e não podem ter o endereço onde estão morando informada, nem para autoridades.

A Comissão Nacional da Verdade foi criada pela Presidência para investigar os casos de violação aos direitos humanos ocorridos de 1946 a 1988. No entendimento da Anistia Internacional, a situação em que vivem os guaranis-caiovás hoje é reflexo do tratamento dado à questão indígena na época da ditadura.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Anistia Internacional quer caso dos guaranis kaiowás incluído nos trabalhos da Comissão da Verdade - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV