Darei volta ao mundo em busca de recursos, diz presidente do Haiti

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04 Dezembro 2012

Sua biografia política, de apenas dois anos, concorre com sua lista de sucessos. Michel Joseph Martelly (Porto Príncipe, 1961) foi o cantor mais famoso do Haiti antes de se transformar em chefe de Estado em maio de 2011. É presidente de um país onde “uma maioria sempre foi deixada de lado”, uma maioria miserável, e tem um discurso político inevitavelmente preciso, medido em dólares. Um país que encadeia desgraças, a última há um mês, quando foi arrasado pelo furacão Sandy. O Haiti precisa de ajuda. Muita. Mas Martelly quer acabar com a imagem de país pedinte. Vê um país orgulhoso, com capacidades próprias. Foi o primeiro presidente haitiano a comparecer a uma Cúpula Iberoamericana, no dia 16 passado em Cadiz, onde foi aceito como membro observador.

A entrevista é de Pablo Ximénez de Sandoval, publicada pelo jornal El País e reproduzida pelo Portal Uol, 03-12-2012.

Eis a entrevista.

Você sente falta de quê? Qual é sua prioridade?

Na campanha assumi o compromisso de me dedicar a cinco prioridades: emprego, educação, meio ambiente, energia e Estado de direito. Há muitos avanços na educação. Porque para mim, a reconstrução do Haiti começa pela reconstrução dos homens e mulheres haitianos, da alma haitiana, da dignidade haitiana. Mas os dois últimos furacões nos fizeram perceber que era importante também investir no meio ambiente, para o qual não havíamos previsto um orçamento importante. São as fragilidades que estou notando num país que foi deixado de lado nos últimos 100 anos. Nossa cobertura florestal está em menos de 5%. Basta uma simples chuva, e as águas inundam as planícies, as cidades e as plantações. Perde-se gado, perdem-se colheitas e as cidades se inundam. As casas dos mais vulneráveis se vão. Precisamos reflorestar. É preciso trabalhar nas voçorocas. O Haiti é um país montanhoso e temos milhares de voçorocas. Por exemplo, uma que tinha 20 metros de largura, agora mede mais de 100 por falta de manutenção. Voltar a fazer com que tenha dez metros de largura, só num trecho de seis quilômetros, para evitar inundações, custa 50 milhões de dólares. A voçoroca tem ao todo mais de 30 quilômetros de extensão. Ou seja, numa só voçoroca vão centenas de milhões de dólares, e estamos falando de milhares delas.

Precisamos de um plano. Já falei com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento para que façam uma avaliação. Com o plano aprovado, a próxima missão será fazer uma turnê mundial. Os países que fizeram promessas ao Haiti depois do terremoto e que não as cumpriram, estarão na lista. Assim, minha próxima missão é dar a volta ao mundo em busca de fundos. Será uma missão muito difícil, porque precisamos de uma quantia muito grande.

Dentro do país, você tem apoio suficiente para desenvolver seu programa? Refiro-me a instituições, juízes, polícia ou partidos.

As forças internas do país existem. Algumas são fracas, outras ainda não foram implementadas, mas temos a vantagem de ter um presidente forte, popular, com um compromisso firme e uma coragem extraordinária. É um presidente que sempre foi um vencedor. Foi artista e durante duas décadas o número um em seu país. Não é por acaso que se chega ao primeiro lugar. É necessário compromisso, disciplina e savoir faire. Um presidente que nunca esteve num partido, que se mete na política e que ganha de primeira. Talvez não seja o mais forte, pode não ser um especialista nos âmbitos nos quais quer atuar. Mas ao menos está selecionando bons parceiros. Identifica os especialistas e os contrata, isso lhe permite vencer.

Utilizam seu passado de artista para duvidar de sua capacidade como presidente?

Nem sequer precisam do meu passado de artista. Para a oposição é natural [duvidar]. Mas para ter sucesso é preciso superar esses obstáculos. Já estou acostumado. Não me concentro no que a oposição faz ou diz. Se alguém se fixa nisso, perde o foco. Eu tenho um objetivo, queria chegar ao poder porque tinha um sonho. Como artista, teria respondido aos que me criticam. Mas como presidente, para evitar jogar lenha na fogueira, ignorarei o que dizem. Estou aqui para fazer este trabalho. Prometi a meu povo que vou ter sucesso. Deve-se cumprir aquilo que se promete.

Apenas um mandato será suficiente?

Em absoluto. Até dois mandatos não seriam suficientes quando se vê a dimensão de nossas fragilidades. É preciso pensar num prazo de 25 ou 30 anos para poder desfrutar dos resultados do que estamos fazendo. Mandar mais de um milhão e meio de crianças à escola é uma vitória para mim e para o Haiti. Mas o Haiti desfrutará dela dentro de 20 anos, quando essas crianças terminarem a universidade e se tornarem altos funcionários que possam trabalhar e desenvolver nossas instituições. Um simples mandato de cinco anos é bom para mudar a direção das coisas, para romper a tradição, o que se fazia antes. Falamos de um país onde a taxa de desemprego é de 80% e 85% das escolas são particulares. Nosso programa faz com que nos responsabilizemos por esses 80% e os que não podem ir à escola. Isso nos facilita as coisas. Temos conosco uma grande maioria da população que entende que é preciso sofrer um pouco para ir no caminho certo.

Você se referiu ao “que se fazia”, a “tradição” política do Haiti. Pode explicar?

Quando disse o que se fazia, falei do que não se fazia. Não protegeram nossas florestas, não impedimos o desmatamento, não impedimos nossos agricultores de cortar as árvores, não impedimos a construção anárquica ou que os pais de família deixassem de enviar seus filhos à escola. Não pensamos no Haiti. Não pensamos nos mais vulneráveis, em lutar contra a pobreza extrema, em defender o Estado de direito, não fortalecemos as instituições. O Estado demonstrou não ser responsável. Isso é o que se fazia.

Pode-se esperar algum tipo de ajuste de contas com os responsáveis anteriores no Haiti?

Estamos interessados no futuro. Poderíamos passar nosso pequeno mandato julgando as pessoas, mas creio que é melhor passar na reconciliação, mudando nosso comportamento, fortalecendo o Estado de direito da justiça para o que se fazia no passado não se repita. Seria preciso julgar todo o país. Os responsáveis passados e os presentes.

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