Mário de França Miranda e a perspectiva de uma nova configuração eclesial

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23 Novembro 2012

Márcio de França MirandaComo entender a complexa crise experimentada hoje pelo cristianismo? E a partir desse contexto, que perspectivas podem ser apontadas para a caminhada eclesial?

São questões como essas que implicam o professor e doutor em Teologia Mário de França Miranda e que podem ser conferidas na publicação Rumo a uma nova configuração eclesial . Nela, Miranda desenvolve três ideias básicas: 1) o papel do Espírito Santo não só numa eclesiogênese dogmática, mas também numa configuração eclesial adequada; 2) a problemática da fé em nossos dias e a importância de um laicato adulto para vivê-la, expressá-la e irradiá-la; e 3) a urgência e o valor do testemunho na crítica situação da atual sociedade.

Vivemos um contexto de rápidas e sucessivas mudanças socioculturais que questionam fortemente o modelo de cristianismo expresso em linguagens ultrapassadas e modelado em padrões mais próprios do passado. Trata-se de uma realidade em que a mensagem da Igreja é desvalorizada e, por conseguinte, não é recepcionada como significativa para os desafios que implicam a humanidade contemporânea.

Miranda afirma que “a configuração institucional da Igreja não corresponde em muitos aspectos à sua identidade teológica. Em outras palavras, a Igreja não deixa transparecer para nossos contemporâneos o que ela é realmente.” Para o teólogo, esse fato é “sumamente grave para uma instituição que se compreende como sinal, sacramento, visibilidade histórica, referência inequívoca da nova comunidade humana construída pela ação salvífica de Deus, já presente na história a caminho de sua realização perfeita na eternidade, e antecipadamente celebrada na ceia eucarística”.

Os desafios que se apresentam impactam na vida e na configuração institucional da Igreja Católica. Entretanto, Miranda esclarece que não basta uma análise crítica. Além de esclarecer o momento vivido pela Igreja, implica-se no desafio de motivar os próprios fiéis a desencadearem processos de mudança e assumirem atitudes propositivas, abrindo a possibilidade de uma nova configuração histórica da Igreja adequada aos nossos dias.

Em meio aos desafios, há cenários também de esperança. No dizer de Miranda: “felizmente este desencontro entre o ser e o aparecer não pode ser afirmado de toda a Igreja. Em muitas regiões do planeta, graças ao devotamento generoso e, por vezes, heroico de seus membros a comunidade de fiéis irradia sua verdade e sua força para a sociedade, mesmo carecendo do apoio das autoridades competentes”.

Em seu entender, buscar caminhos e respostas para os desafios contemporâneos ainda não significa “apresentar um modelo pronto de Igreja que solucionasse como num passe de mágica as dificuldades que hoje experimentamos”. Do mesmo modo, não basta constatar a problemática como meros observadores. “Como membros desta Igreja, nós somos atores que, queira ou não, influenciam a atual situação eclesial.”

A mudança da Igreja implica a participação de todos os fiéis nas expressões da fé cristã. Nesse sentido, segundo Miranda, coloca-se a urgência de um laicato adulto, conforme foi indicado pelo próprio Concílio Vaticano II. Com efeito, o Concílio “marca o início de um processo que busca recuperar não só uma eclesiologia de comunhão, mas também a fundamental igualdade, dignidade e vocação de todos os membros da Igreja, sua participação no tríplice múnus de Cristo, a missão comum de todos na Igreja.”

Nesse horizonte de responsabilidade que transborda os muros da igreja hierárquica, “nasce a consciência de que todos são responsáveis pela missão, consciência esta que retroage urgindo a criação de instituições adequadas.” E nessa percepção de responsabilidade comum, a primeira característica da Igreja é a sinodalidade e não a hierarquia. Nas palavras de Miranda, o relacional “deveria prevalecer sobre o jurídico, o vivido em comunidade sobre a opção individual. Pois todos são Igreja, todos são necessários, todos estão a serviço da mesma missão.”

A comunidade humana que constitui a Igreja não está situada fora do tempo e do espaço. É no mundo que os cristãos são interpelados para testemunhar a fé que vivem. Escreve Miranda: “numa expressão ousada poderíamos dizer que a fé traz Deus ao mundo. [...] A transmissão da fé não significa passar um pacote de verdades a outras gerações, mas transmitir o próprio Deus vivo, entregando-se a nós no Filho e no Espírito, agindo em nós para nos salvar”.

Assim, Rumo a uma nova configuração eclesial se apresenta como uma publicação pertinente ao nosso tempo. Com efeito, Miranda fundamenta as necessárias e urgentes mudanças na Igreja em vista de uma configuração histórica adequada aos nossos dias. Daí se tratar de um texto esclarecedor e motivador.

A publicação de Miranda foi editada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU nos Cadernos Teologia Pública, no. 71.

Exemplares podem ser adquiridos na Livraria Cultural, no campus da Unisinos (São Leopoldo) ou pelo endereço Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Em breve a versão completa da edição estará disponível neste sítio para download em PDF.

O texto é de Luís Carlos Dalla Rosa, doutor em Teologia.

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