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Por: Jonas | 09 Novembro 2012

“Nestes anos, se houve uma região que os Estados Unidos esqueceram, foi a nossa [América Latina]. Duas razões se sobressaem: excessivos recursos diplomáticos e militares dedicados à área turbulenta que se estende do Mediterrâneo até o Paquistão, e elevada tranquilidade neste hemisfério para ter com o que se preocupar”. Esta é a opinião de Gabriel Puricelli, especialista em política internacional, em artigo publicado no jornal Página/12, 08-11-2012. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Bilhões de pessoas se veem afetadas pelo resultado de uma eleição em que apenas um pouco mais cem milhões decidiram que Barack Obama continuará sendo presidente dos Estados Unidos, por mais quatro anos. Com o poder econômico que atualmente um punhado de corporações acumula, não parece prudente continuar dizendo que esse cargo torna a pessoa que o ocupa a mais poderosa do mundo, apesar do fato de que seu polegar pode provocar a destruição termonuclear da vida no planeta, colocando-o tão perto de ser todo-poderoso como podemos imaginá-lo.

No entanto, esse poder que os Estados Unidos detêm no mundo não é proporcional com o lugar que a preocupação por esse mundo tem no debate eleitoral. Nisto, o país não tem nada de excepcional, embora seja necessário dizer que o habitual é que se trate do país (talvez junto à França, em alguns momentos) em que a discussão sobre a política exterior ocupe mais tempo. A campanha que terminou respeitou religiosamente um formato habitual, incluindo um debate específico sobre a questão. Tudo foi tão marcado pelo predomínio da questão econômica, que agoniza os estadunidenses, que o tema esteve no fim da tábua de prioridades dos dois candidatos. Nem sequer o tema do conflito palestino-israelense, que interessa a uma porção precisa do eleitorado, terminou gravitando, por mais esforços que fizeram alguns financistas de Romney e o próprio (imprudente) primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O resultado da eleição, pelo qual se viveu com um interesse mais inquieto do que o habitual nas fronteiras afora dos Estados Unidos, trouxe um alívio que se fez eloquente nas palavras que quase todos os líderes dos países do mundo fizeram chegar, por meio de felicitações, a Obama. A visão pouco articulada e menos ainda sofisticada, que Mitt Romney teve a oportunidade de mostrar, tinha arrepiado a pele de muitos, começando pela cúpula dirigente chinesa, que assistiu tão impávida, como atenta, o uso de invectivas contra o país, pelo qual o falido candidato republicano utilizou. Um tratamento parecido, porém com roteiro emprestado do cinema de espionagem, foi dedicado à irritável Moscou. O mesmo também pode ser dito das capitais árabes, mesmo daquelas pró-estadunidenses, não ficando claro se Romney entendia algo do (muito) que estava ocorrendo para além da questão palestina.

Quanto à América Latina, não fosse as débeis tentativas de atrair algum eleitor dessa origem, praticamente não apareceria, exceção obviamente feita ao grande parceiro comercial dos Estados Unidos, que é o México. Nesta ausência da América Latina, os dois candidatos tiveram ações parecidas, o que não se viu em quase nenhum outro tema. Nestes anos, se houve uma região que os Estados Unidos esqueceram, foi a nossa. Duas razões se sobressaem: excessivos recursos diplomáticos e militares dedicados à área turbulenta que se estende do Mediterrâneo até o Paquistão, e elevada tranquilidade neste hemisfério para ter com o que se preocupar.

O presidente Obama foi consistente em sua política de terminar a guerra de Bush filho no Iraque, diminuir sua presença no Afeganistão e de deixar que a Primavera Árabe seguisse seu curso com menos ingerência de Washington, do que a acostumada. Essa política vai de mãos dadas com sua busca de uma economia “verde” e em aumentar as importações de petróleo de países como Canadá. No futuro, esta decisão se traduzirá (e talvez o segundo mandato de Obama seja o momento em que começaremos a ver isto) numa política exterior que gravitará mais nas Américas. Desta vez, não será por causa de nenhuma turbulência, mas porque há um dividendo da paz que reina na região, que para Washington começa a ser mais atrativo do que as guerras imperiais sem resultados, da década passada. Embora não tenha sido falado muito disto durante a campanha, talvez seja o momento de pensar como será essa relação, assim que Obama, em algum momento dos próximos quatro anos, encerrar o ciclo bélico posterior ao 11 de setembro de 2001.

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