PUC do Peru não pode usar 'católica' no nome

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23 Julho 2012

O Vaticano divulgou no sábado um comunicado informando que a Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP) perdeu o direito de usar em seu nome os títulos de "Pontifícia" e "Católica". Conforme decreto do secretário de Estado Tarcisio Bertone, o número dois do Vaticano, a universidade, fundada em 1917 pela Santa Sé, vem alterando unilateralmente seus estatutos desde 1967, "com grave prejuízo para o interesse da Igreja".

A reportagem é de Filipe Domingues e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 23-07-2012.

A decisão foi tomada depois de uma série de visitas de representantes da Santa Sé à universidade, em dezembro de 2011, e de reuniões com o atual reitor, Marcial Rubio. "A Santa Sé foi obrigada a adotar essa medida", diz.

A crise na PUC do Peru começou em setembro do ano passado, quando o arcebispo de Lima, cardeal Juan Luis Cipriani Thorne, identificou diferenças ideológicas entre professores e alunos em relação às posições da Igreja.

Cipriani pediu mudanças nos estatutos da universidade, conforme as orientações da Igreja para as universidades católicas. Exigiu, por exemplo, o direito de indicar o reitor com base em uma lista tríplice. O atual reitor Marcial Rubio e alunos recusaram a mudança, alegando perda de autonomia universitária.

Rubio declarou à imprensa local que Cipriani tem interesse no controle econômico da PUCP. Ao mesmo tempo, a universidade não quer perder os títulos de "católica" e "pontifícia", pois teria de abrir mão das propriedades que pertenceriam à Arquidiocese de Lima - o doador do terreno vinculou a herança ao uso por uma universidade pontifícia.

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