O padre mexicano ameaçado de morte. “Não tenho medo”

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Por: Jonas | 19 Maio 2012

O padre mexicano Alejandro Solalinde (foto), um destacado defensor dos direitos do grande número de imigrantes que cruzam o México rumo aos Estados, expostos à violência do crime organizado, deixará seu país durante um tempo, após ter recebido ameaças de morte.

A reportagem é de Pablo de Llano, publicada no jornal El País, 16-05-2012. A tradução é do Cepat.

Desde que fundou, em 2007, o albergue de ajuda aos imigrantes, Irmãos no Caminho, no sul do estado de Oaxaca, um nó geográfico do tráfico clandestino de imigrantes - fundamentalmente centro-americanos -, Solalinde, de 67 anos, se tornou uma das principais vozes do movimento civil pela paz no México, junto ao poeta Javier Sicilia. Porém, agora, ao menos durante três semanas, o padre deverá fazer um intervalo nas atividades. Nesse período, ele estará em viagem pela América do Norte e pela Europa (Espanha), na espera de que melhorem suas condições de segurança.

Nesta terça-feira (15/05), Solalinde explicou, numa conferência de imprensa, na Cidade do México, que a luz de alarme acendeu no último dia 20 de abril, quando uma mulher se aproximou dele, num caixa eletrônico, para avisá-lo que existe uma ordem para assassiná-lo. “Disse-me que vão me matar, que já pagaram um matador para isto”. Segundo o sacerdote, nos últimos meses, foi a sexta ameaça recebida.

Em razão desse panorama obscuro e levando em conta os conselhos de diferentes entidades, como a Procuradoria (promotoria) Geral da República, a ONG Anistia Internacional e o Episcopado mexicano, Solalinde aceitou abandonar o país, enquanto são averiguados esses avisos de morte. Essas ameaças se unem a tantos outros episódios de censura, sofridas por ele, desde que começou seu trabalho de proteção aos imigrantes com o albergue em Ciudad Ixtepec, um povoado de 25.000 habitantes que fica a uns 400 quilômetros da fronteira com a Guatemala.

“Minha vida é como um jogo de cartas”, disse Solalinde, assumindo que já não é dono de seu destino. “Fica claro para mim, que cada tentativa (de atacá-lo) é uma carta a mais que me é dada, antes de jogarem a última, que é me matar. A carta está preparada, está por baixo, e essa última carta jogarão a qualquer momento”.

O padre dos imigrantes assegura que aceitou dar uma trégua, por algumas semanas, por uma questão de “prudência”, mas avisa que voltará ao albergue para continuar seu trabalho em defesa dos direitos humanos. “Sinto muito, mas eu voltarei, melhorem ou não as condições. Não tenho medo. Eu repito: não tenho medo”.

Solalinde relatou a vivência de outros momentos difíceis, como no dia em que foi fechado num calabouço, em 2010, num povoado de Oaxaca ao leste de Ciudad Ixtepec, ou quando dezenas de paisanos, acompanhados de policiais municipais, chegaram ao albergue, em 2008, com garrafões de gasolina para incendiar o local, fato registrado pela Anistia Internacional. Da mesma forma em que continuou seu trabalho, depois desses episódios, uma vez passado esse impasse obrigatório, o padre reitera que continuará sua tarefa. “Não se descarta a missão”, disse, “não se abandona a missão. Nada, nem ninguém, irá nos deter. Uma vida é pouco para defender essas pessoas”.

Durante a roda de conversa, com a imprensa, não se certificou de onde vêm as novas ameaças. Solalinde não as atribuem unicamente ao tráfico, que mescla o tráfico de drogas com o tráfico de pessoas, seja para que tenham mais “soldados” para suas atividades, para extorqui-los, para prostituir as mulheres ou para comercializar órgãos. Ele também destaca que a sombra que o cobre, e que supostamente engole um bom número dos milhares de clandestinos que atravessam o território mexicano para o “sonho americano”, possui tonalidades criminais, mas também oficiais. “Em Oaxaca existe uma colusão covarde da criminalidade organizada com as corporações policiais e com os funcionários corruptos”.

De acordo com suas explicações, este Estado mexicano, que forma um istmo ou um estreitamento na zona sul da República, é a garganta pela qual passa os entorpecentes e os migrantes para o norte, além das armas vindas do norte para o sul da América Central e para o restante da América Latina. Isto cria um desmesurado coquetel geográfico da violência e do negócio ilegal. Seu albergue, então, seria uma pedra no sapato do crime, uma pequena voz que convém apagar. “Não irão desperdiçar esse negócio só porque um missionário tonto não deixa com que façam o seu trabalho”, disse Alejandro Solalinde antes de deixar seu país até nova ordem.

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