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Por: Jonas | 12 Maio 2012

Prevenir o tráfico de seres humanos, apoiar as comunidades e as pessoas afetadas, reabilitar as vítimas do tráfico e favorecer sua reinserção na sociedade: estas são as diretrizes da ação da Igreja diante da praga do tráfico humano, uma verdadeira “escravidão moderna”, segundo a definição do cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, presidente do Pontifício Conselho “Justiça e Paz”.

A reportagem é de Alessandro Speciale, publicada pelo sítio Vatican Insider, 09-05-2012. A tradução é do Cepat.

O purpurado foi um dos protagonistas da Conferência Internacional sobre o Tráfico de Seres Humanos que aconteceu em Roma, organizada pelo discatério vaticano e pela Conferência Episcopal Inglesa. O objetivo do encontro foi de destacar a contribuição que a Igreja pode oferecer à comunidade internacional na luta contra o tráfico de seres humanos, graças, sobretudo, à rede que constituem todos os católicos que vivem no planeta.

Um fenômeno que tem proporções aterradoras. Segundo os dados que o Vaticano preparou para a Conferência, estima-se que por volta de 2,4 milhões de pessoas são vítimas do tráfico, num mercado que rende, aos traficantes, lucros de 32 bilhões de dólares por ano.

“As leis nacionais e os acordos internacionais - explicou o purpurado africano aos jornalistas - embora sejam necessários, sozinhos não podem derrotar estes males que afligem a humanidade. A promoção dos direitos fundamentais da pessoa, de cada pessoa, é uma tarefa que exige, em primeiro lugar, a conversão dos corações. Poderíamos dizer, parafraseando o que Bento XVI escreveu sobre o desenvolvimento, que a proteção dos direitos humanos é impossível sem homens retos, que vivam fortemente em suas consciências o convite para o bem comum”. Isso significa que os esforços, orientados à proteção das vítimas e para a perseguição dos responsáveis do tráfico, devem ser aperfeiçoados com “uma aproximação holística em que se reconheça, como componente preeminente, uma educação autêntica da população, especialmente dos grupos mais vulneráveis”.

Os estados, sobretudo os mais ricos do ocidente ou do Golfo Pérsico, que são os destinos principais do tráfico de seres humanos, não têm cumprido com seus deveres; tanto os países membros do G8, como os da União Europeia e do Guf Cooperation Council, não ratificaram a convenção internacional sobre a proteção aos direitos dos trabalhadores imigrantes e de suas famílias.

O cardeal, presidente de Iustitia et Pax, também não de colocar no centro da atenção aqueles que sofrem, pessoalmente, este infame tráfico: as vítimas. “Não basta libertá-las da condição de exploração, em que estão submetidas – expressou -, mas é necessário também acompanhá-las no caminho da reabilitação e reintegração”.

Outro tema que o purpurado apresentou aos participantes foi o do ambiente em que se consolidam estes comportamentos delitivos. “Ampliando a perspectiva – disse a respeito – é necessário que toda pessoa de boa vontade se comprometa a construir uma ordem social internacional mais justa, para que a pobreza e o subdesenvolvimento deixem de ser terreno fértil, em que os traficantes conseguem as vítimas potenciais”.

Esse é o terreno em que o trabalho da Igreja pode ser frutífero. “Graças à sua presença em cada lugar do mundo e ao seu serviço a cada pessoa – destacou – a Igreja está comprometida na prevenção e na atenção pastoral das vítimas do tráfico em diversas frentes, do universal ao local, do institucional até o que se verifica “no terreno”. Profundamente convencida da igual dignidade de toda pessoa, a Igreja não cessa de se empenhar para que esta intrínseca dignidade seja reconhecida e garantida em todas as circunstâncias, para que já não exista nem escravo e nem livre, mas que todos sejam um em Jesus Cristo”.

A mensagem final do purpurado orienta-se para que se evite o desalento diante do sofrimento de uma parte tão extensa da humanidade. Melhor, enfatizou, “é necessário recordar que além daqueles que buscam enriquecer-se, explorando as vidas dos outros, existe outra humanidade feita de homens e mulheres, cidadãos e líderes, que a cada dia, com papéis e competências diferentes, consagram suas vidas na luta contra o flagelo do tráfico de seres humanos”. É necessário permanecer junto a estas pessoas, para derrotar uma das pragas mais duras na humanidade contemporânea.

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