Um cardeal para o diálogo com a China

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15 Março 2012

Um cardeal chinês – Ioannes Tong Hon (foto) – que lembra à Igreja os grandes horizontes do Evangelho no tempo: um bálsamo para as atuais feridas e contusões eclesiais.

A análise é Alberto Melloni, historiador da Igreja italiano, professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação João XXIII de Ciências Religiosas de Bolonha. O artigo foi publicado no jornal Corriere della Sera, 13-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

No dossiê China – que está em evidência em cima da mesa do papado há mais de sete séculos –, Bento XVI escreveu uma outra página significativa, criando cardeal o arcebispo de Hong Kong, Dom Ioannes Tong Hon. Uma nomeação crucial, porque o antecessor, o cardeal Zhen, foi durante muitos anos o intérprete de um fechamento com relação ao governo de Pequim tão total que colocou em risco os resultados, às vezes tão pequenos quanto uma semente, obtidos pela diplomacia pontifícia nos tempos de Dom Pietro Parolin.

Com essa criação, e com a nomeação a prefeito da Propaganda Fide de Ferdinando Filoni, proveniente das fileiras da diplomacia e cardeal da mesma fornada de Tong, o dossiê chinês tem dois novos protagonistas, destinados a marcá-lo por pelo menos uma década.

A posição da Santa Sé é conhecida, e recentemente o cardeal Filoni também a repetiu, não para encerrar um diálogo, mas para fundamentá-lo sobre bases claras. Do ponto de vista da Propaganda Fide, nesses 20 anos, o fundo dos problemas políticos e eclesiológicos relacionados com as consagrações episcopais, decididas pelo governo chinês sem que Roma possa exercer a sua função canônica, não pode se dizer resolvido. E não pode ser o ativismo generosos ou interessado dos movimentos e das ordens, muitas vezes em concorrência entre si, que irá defini-lo.

Além disso, não se deve ignorar que em vários casos (muitos ou poucos, dependendo dos pontos de vista) foi possível chegar a consagrar bispos que estão em comunhão com Roma, embora nem sempre o Anuário Pontifício o revele de modo escancarado.

Portanto – não há nada de mais "cristão"? – tanto Pequim quanto a Santa Sé devem ouvir o que é e o que quer ser o catolicismo chinês vivido: um catolicismo minoritário, sim, mas que envia 12 milhões de fiéis praticantes à missa, isto é, mais do que os fiéis italianos do domingo... E, para entender o que essa Igreja diz sobre si mesma, é importantíssima a entrevista que o cardeal Tong concedeu a Gianni Valente para a próxima edição da revista mensal 30 Giorni.

Tong foi refugiado de guerra em Macau durante a ocupação japonesa, educado na fé pela mãe católica e pelos missionários de Maryknoll, jovem diácono durante o Vaticano II, ordenado por Paulo VI na Epifania de 1966 entre os primeiríssimos padres pós-Concílio, participou como tal da liturgia de 1985 na qual foi consagrado o arcebispo de Xangai Aloysius Jin (ordenação ilícita dada a esse confessor da fé, agora em comunhão com Roma).

No consistório, descreveu a situação da Igreja chinesa com três palavras – "maravilhosa, difícil, possível". Surpreendente pelo grande crescimento: um terço dos 3.500 padres chineses têm menos de 50 anos; nos dez seminários reconhecidos pelo governo e nos seis não reconhecidos há 1.400 futuros clérigos; e o número de fiéis, que quadruplicou em 30 anos, não parece ter tocado um teto máximo.

Difícil, por causa da controvérsia sobre a escolha dos bispos: poder que, no regime de cristandade, Roma compartilhou com capítulos ou com as coroas católicas, e que, na China de amanhã, só poderá se fruto de uma seleção qualitativa em coro dos candidatos. Possível, porque precisamente a experiência da perseguição e do conflito (Jin é um caso claro disso) ensina que a corrida do Evangelho na China está apenas começando e ainda tem muito a ensinar à Igreja, cuja tarefa não é "mudar os sistemas políticos (e, acima de tudo, no nosso caso, isso seria totalmente impossível)", mas sim anunciar Jesus Cristo.

Tong se define como um "moderado", aberto ao "diálogo", embora, como é óbvio, fiel à eclesiologia de comunhão, pela qual todo bispo se torna membro do Colégio Episcopal, e ele não é nem um prefeito vaticano, como já lembrava Pio IX, nem muito menos o vigário de um governo.

Mas também não é indulgente para com aqueles que denigram um catolicismo que não se encaixa nos seus esquemas e que se arrogam o poder de dar o adesivo de amigo ou inimigo do papa sem ter autoridade para isso.

Esse estilo prejudicial não provocou danos só na China: os vazamentos de notícias causados por eclesiásticos infiéis, mal formados e ainda mais mal escolhidos, que agitaram os jornais nos últimos anos, também estão talvez relacionados com a indulgência para com esses métodos mais do que possa aparecer.

Que um cardeal chinês lembre à Igreja os grandes horizontes do Evangelho no tempo é também um bálsamo para essas feridas e contusões.

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