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14 Março 2012

O neocardeal John Tong Hon, bispo de Hong Kong, em 1985, como sacerdote, participou da ordenação ilegítima do bispo de Xangai Jin Luxian, que teria sido reconhecido por Roma alguns anos depois. É o próprio purpurado que conta esse fato na entrevista publicada pela revista 30 Giorni, assinada por Gianni Valente e intitulada "Gratidão, paciência, espera. Três palavras para a Igreja na China".

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no blog Sacri Palazzi, 13-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Das palavras do cardeal Tong surge toda a complexidade da situação dos católicos chineses, mas também a esperança representada pela Igreja viva e vital, assim como brota uma atitude atenta e dialogante, que, mesmo sem se desviar dos princípios, marca o início de uma nova estação.

Reporto algumas das passagens mais significativas da entrevista, na qual Tong sintetizou o seu discurso no recente consistório, e convido-lhes também a ler a entrevista que o mesmo purpurado chinês concedeu a Gerard O'Connell no Vatican Insider (disponível aqui, em italiano).

"Para descrever a situação na China, eu usei três palavras. A primeira é wonderful, maravilhosa. É um fato surpreendente que, nas últimas décadas, a Igreja na China tenha crescido e continue crescendo, mesmo que esteja submetida a muitas pressões e restrições. Esse é um dado objetivo e também pode ser encontrado nos números. Em 1949, os católicos na China eram 3 milhões, agora são pelo menos 12 milhões. Em 1980, depois de iniciada a reabertura desejada por Deng Xiaoping, os sacerdotes eram 1.300. Agora, são 3.500. E depois há 5.000 irmãs, dois terços das quais pertencem às comunidades registradas junto ao governo. E também 1.400 seminaristas, dos quais mil estão sendo formados nos seminários financiados pelo governo. Há dez seminários maiores reconhecidas pelo governo e seis estruturas similares ligadas às comunidades clandestinas. De 1980 até hoje, 3.000 novos padres foram ordenados, e 4.500 irmãs fizeram os votos. 90% dos padres tem idade entre 25 e 50 anos".

"A segunda palavra com a qual eu descrevi a situação da Igreja na China foi a palavra difficult, difícil. E a prova mais difícil que a Igreja está enfrentando é o controle imposto sobre a vida eclesial por parte do governo através da Associação Patriótica Católica Chinesa. Eu citei uma carta que me foi enviada por um bispo muito respeitado da China continental, que escreveu: 'Em todo país socialista, o governo recorre ao mesmo método, usando alguns cristãos de palavra para dar início a organizações estranhas às estruturas próprias da Igreja, às quais confia o controle da própria Igreja'. A Associação Patriótica é um exemplo desse modus operandi. E, na carta do papa aos católicos chineses publicada em junho de 2007, ele escreveu que esses órgãos não são compatíveis com a doutrina católica. Vimos isso de novo nas ordenações episcopais ilegítimas impostas à Igreja entre 2010 e 2011".

"A terceira palavra que eu usei para descrever a condição da Igreja na China é a palavra possible, possível. Para explicar o motivo dessa escolha, eu li outros trechos da carta do bispo que já mencionei. Esse bispo se dizia sereno e confiante com relação ao presente, até porque olhava para os problemas de hoje a partir também das experiências que ele vivera nas turbulentas décadas da perseguição, entre 1951 e 1979. Ele, nessas duras provas passadas, pudera experimentar que tudo está nas mãos de Deus. E Deus pode dispor as coisas de modo que as dificuldades também possam, enfim, concorrer para o bem da Igreja. Assim, vemos que, por si só, não é o aumento dos controles que pode apagar a fé. Ao contrário, pode acontecer que o efeito seja o de aumentar a unidade na Igreja. Assim, o futuro também pode parecer luminoso. E podemos esperar com confiança a graça de Deus. Talvez a solução de certos problemas não acontecerá amanhã. Mas também não é preciso esperar um tempo muito distante".

"De minha parte, estou tentando ser moderado. É preferível ser paciente e aberto ao diálogo com todos, mesmo com os comunistas. Estou convencido de que, sem diálogo, nenhum problema pode ser realmente resolvido. Mas, enquanto dialogamos com todos, devemos, ao mesmo tempo, manter firmes os nossos princípios, sem sacrificá-los. Isso significa que, por exemplo, um novo bispo pode aceitar a ordenação somente se houver o consentimento do papa. Não podemos renunciar a isso. Faz parte do nosso Credo, no qual confessamos a Igreja como una, santa, católica e apostólica. E depois também a defesa da vida, os direitos invioláveis da pessoa, a indissolubilidade do casamento... Não podemos renunciar às verdades de fé e de moral assim como estão expostas no Catecismo da Igreja Católica".

"Sim, eu estava presente na missa de ordenação de Jin Luxian. Foi em 1985. Eu era então um sacerdote da diocese de Hong Kong e, desde 1980, dirigia o Holy Spirit Study Centre [renomado centro de pesquisa sobre a vida da Igreja na China]. Jin me pediu que eu estivesse presente. Ele queria ter o meu apoio naquele momento. Ele havia me dito que estivera na prisão, que queria conservar a sua fé e a sua comunhão com a Igreja universal e que enviaria cartas a Roma para reafirmar a sua submissão à Sé Apostólica e ao primado do papa. Ele dizia que havia ponderado tudo em consciência, e que naquele momento histórico lhe parecia que não havia outro caminho senão aceitar a ordenação episcopal. Dadas as circunstâncias, lhe parecia uma escolha obrigatória para fazer avançar a diocese de Xangai e salvar o seminário. Sete anos atrás, a Santa Sé acolheu os seus pedidos e o reconheceu como legítimo bispo de Xangai. Mas essas são coisas passadas. Agora, é preciso olhar para o futuro...".

"Não podemos nos fixar sobre um único ponto, não podemos ficar revendo todas as decisões e fingindo que toda ação e toda decisão realizadas pelos membros da Igreja na China sempre são perfeitas em todos os momentos e em todas as situações. Somos seres humanos, somos seres humanos! Todos nós erramos e cair muitas vezes ao longo do caminho. Mas podemos pedir perdão. Mas se cada erro for isolado e se tornar um motivo de condenação sem apelo, quem pode se salvar? É no longo prazo que se vê se um padre ou um bispo trazem no coração um propósito bom. Vê-se se o que eles fazem, mesmo com todos os erros humanos, é feito por amor a Deus, à Igreja e ao povo. Isto é importante: descobrir que as pessoas perseveram na fidelidade porque são movidas pelo amor de Jesus, mesmo nas situações difíceis. No fim, todos verão. E certamente Deus o vê, ele que perscruta o coração de cada um de nós".

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