Papa convida a Igreja a um banho de humildade

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22 Fevereiro 2012

Apagados os holofotes sobre as cerimônias do Consistório, os antigos e novos cardeais voltam às suas sedes e aos seus escritórios curiais.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 21-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Do Consistório e da jornada de reflexão que o antecedeu, emergiu o protagonismo de uma figura como a do vulcânico arcebispo de Nova York, Timothy Dolan (foto), ao qual o papa confiou a palestra introdutória sobre a nova evangelização. Embora considerada muito "italiana" pelos purpurados estrangeiros, a história dos "venenos" vaticanos e do vazamento de documentos liderou as discussões nos grandes grupos e nas conversas pessoais.

Os cardeais buscaram analisar o que está acontecendo, mas tiveram que se deter nas suposições: confronto entre velha e nova guardas, lutas em vista da sucessão do cardeal Tarcisio Bertone, tensões que têm como pano de fundo até o futuro conclave, conflitos internos ao mundo das finanças vaticanas, ou de um certo submundo de negócios italiano do qual alguns prelados não conseguem se distanciar.

Muitos concluíram que se trata de um mal-estar ainda ligado à gestão da Secretaria de Estado, esperando – em grande parte silenciosamente – por sinais concretos de mudança. As autoridades do outro lado do Tibre esperam que as polêmicas se aplaquem: só então, em alguns meses, será possível que o pontífice leve em consideração a eventualidade de substituir o secretário de Estado ou de pôr ao seu lado um pró-secretário. Embora, neste momento, não tenha sido tomada nenhuma decisão nesse sentido.

Bento XVI, encontrando-se com os cardeais no Consistório, entrou no caso. Mas o fez ao seu modo, sem citar os "Vatileaks", os vazamentos de documentos, as "toupeiras" e os registros da operação que desacreditou a Secretaria de Estado. Ao invés disso, ele quis propor aos purpurados uma imagem da Igreja incomparável com as lutas de poder, os negócios, a busca da glória e do carreirismo.

As suas palavras soaram como uma chicotada no Colégio Cardinalício. Diante das denúncias de episódios de corrupção do ex-secretário-geral do Governatorato, Carlo Maria Viganò, dos documentos sobre as tensões internas acerca das finanças vaticanas, das notas sobre supostos complôs, e sobretudo do fato de que essas cartas saíram dos arquivos, o papa não mostrou considerar tudo isso como um ataque provenientes de inimigos externos contra a cidadela dos "puros".

Aos cardeais, no sábado de manhã, ele disse que "Jesus se apresenta como servo, oferecendo-se como modelo a imitar e a seguir". Ele citou a eles o exemplo dos dois filhos de Zebedeu, Tiago e João, que buscavam "ainda sonhos de glória ao lado de Jesus", pedindo para se sentarem à sua direita e à sua esquerda. O Messias respondera a eles aludindo ao cálice da sua paixão: "O serviço a Deus e aos irmãos, o dom de si: essa é a lógica que a fé autêntica imprime e desenvolve na nossa vivência cotidiana e que não é, ao contrário, o estilo mundano do poder e da glória". E, no domingo, lembrou aos purpurados que "a Igreja não existe para si mesma, ela não é o ponto de chegada, mas deve remeter para além de si mesma, para o alto, acima de nós. A Igreja é verdadeiramente ela mesma na medida em que deixa transparecer o Outro – com o 'O' maiúsculo – do qual provém e ao qual conduz".

Pouco mais de um ano atrás, falando sobre o escândalo da pedofilia e das campanhas midiáticas contra o Vaticano, o papa havia confidenciado ao jornalista Peter Seewald: "Desde que se trate de levar a verdade à luz, devemos ser gratos (...) A mídia não poderia ter feito esses relatos se na própria Igreja não existisse o mal. Só porque o mal estava dentro da Igreja, os outros puderam dirigi-lo contra ela".

Com os discursos de sábado e de domingo aos cardeais, Bento XVI, portanto, não negou a crise, a desorientação – aparente ou real – da Cúria e a falta frequente de uma direção na Secretaria de Estado. Ele tentou relativizar tudo isso, relembrando implicitamente aos cardeais e colaboradores que não se considerem protagonistas do "governo" ou estrategistas da comunicação, talvez assumindo como pretexto as atuais e objetivas dificuldades para a elaboração de novos e futuros programas de pontificado.

Ele os convidou a um banho de humildade, dizendo-lhes que a Igreja não pode se libertar por si mesma do mal que está nele, mas deve se deixar conduzir pelo "Outro com 'O' maiúsculo". Alguns, ao ouvi-lo, podem ter pensado em um discurso teológico. Para Bento XVI, ao invés disso, trata-se de um modelo concreto para exercer a autoridade e o governo dos assuntos eclesiásticos.

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