Padre Georg, a eminência parda que protege Bento XVI

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20 Fevereiro 2012

Secretário pessoal do papa, ele é cada vez mais mediador entre os poderes vaticanos.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no sítio Vatican Insider, 19-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Desde o momento da eleição de Joseph Ratzinger, até o site do Avvenire, o jornal da CEI [Conferência dos Bispos da Itália], ao descrever o seu secretário particular, enfatizava mais do que qualquer outra coisa o seu aspecto atlético: "Loiro, de 1,80m, físico esportivo e decididamente um belo homem". Por muito tempo, foi o único sacerdote de batina preta que detinha a agenda de Bento XVI. Mais do que um mordomo, menos do que um spin doctor. Desde que estourou no Vaticano a "guerra de dossiês" entre a velha guarda próxima do decano Angelo Sodano e a atual liderança ligada ao secretário de Estado, Tarcisio Bertone, a música mudou.

O padre Georg Gänswein tornou-se, assim como o seu antecessor, Dom Stanislaw Dziwisz, na última parte do pontificado wojtyliano, o centro de gravidade e o mediador dos equilíbrios de uma Cúria em que, entre papéis e venenos, voam corvos e escavam toupeiras. Aos 50 anos, atlético, charme grisalho à la Hugh Grant, filho de um ferreiro da Floresta Negra, de vocação adulta, ex-carteiro e fã do Pink Floyd. Brigava na família por causa do corte de cabelo; depois, a paixão pela bolsa; por fim, o amor definitivo pela teologia.

Formou-se em direito canônico em Munique e aportou no Vaticano na Congregação para o Culto Divino, para passar, no ano seguinte, à da Doutrina da Fé. Há uma década, a dedicação total a Joseph Ratzinger.

O secretário papal não é mais apenas o "anjo da guarda" do apartamento pontifício, mas também o dominus daqueles Sagrados Palácios que, recém-chegado, descrevia aos meios de comunicação alemães com uma mistura de temor e distância:" O Vaticano também é uma corte e há boatos e fofocas de corte. Mas também há flechas que são lançadas de modo consciente e focado. No início, eu tive que aprender a conviver com isso".

Depois, uma confidência que soou quase como uma profecia na atmosfera que se tornou incandescente nos últimos dias por causa das cartas particulares do ex-número dois do Governatorato, Viganò (com acusações de corrupção movidas contra a Secretaria de Estado), da nota confidencial sobre o IOR e do memorando sobre um suposto atentado contra o pontífice: "Um ponto fraco certamente são os rumores. Infelizmente, sempre há vazamento de notícias sobre as nomeações, sobre a elaboração de documentos ou sobre medidas disciplinares. Não é só desagradável, há também o perigo de que seja exercida uma influência externa que traga consigo irritações".

Desde o tempo passado na Santa Croce, a universidade do Opus Dei, ele parecia ser a antítese do influentíssimo Dziwisz, hoje cardeal de Cracóvia. Sobre as milhares de decisões de governo rotineiras da Igreja, que João Paulo II negligenciava, o seu braço direito tinha uma palavra a dizer. Wojtyla reinava, ele governava. À mesa e nas negociações, ele nunca faltava. Ao contrário, assim que Ratzinger subiu ao sólio de Pedro, o Pe. George, quase tímido, comparecia e tinha menos influência. O papa alemão falava sempre reservadamente com qualquer interlocutor.

Agora, no entanto, o Pe. George está por trás de muitas decisões, aplainando arestas. Uma antecipação do "batismo de fogo" como "governante-sombra" ocorreu anos atrás com o caso Boffo: nos bastidores, foi sua a pacificação quando o conflito no Sacro Colégio contrapôs Bertone e Ruini. Ele se aproxima cada vez mais do "modelo" Stanislaw, o homem mais influente do Vaticano pela sua proximidade com o pontífice.

Ao escritor compatriota seu, Peter Seewald, ele confidenciou em 2007 que "recebo, às vezes, cartas de amor" e que experimentou a "inveja clerical". Assim ele descreve a passagem de bastão: "Não existe uma escola de 'etiqueta papal'. Eu só tive uma conversa a sós com o meu antecessor". Ocorreu cerca de duas semanas depois da eleição e da entrada no apartamento. "Dom Stanislaw colocou sobre as minhas mãos um envelope em que haviam algumas cartas e a chave de um cofre, um cofre muito velho fabricado na Alemanha. Depois, me disse apenas isto: agora você tem uma tarefa muito importante e muito bonita, mas muito, muito difícil. A única coisa que posso lhe dizer é que o papa não deve ser esmagado por nada nem por alguém. Como fazer isso, você deve entender sozinho". O conteúdo do envelope é top secret: "São coisas que se transmitem de um secretário do papa a outro". Discrição útil na Cúria indócil. Stanislaw docet.

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