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21 Maio 2011

O clericalismo sofreu um duro do  golpe do Concílio Vaticano II quando enfatizou o sacerdócio de todos os fiéis e o batismo comum. Mas há evidências de uma reação clericalista entre alguns seminaristas de hoje e recém-ordenados.

Publicamos aqui o editorial da última edição da revista católica britânica The Tablet, 21-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto e revisado pela IHU On-Line.

Eis o texto.

Ser contra o clericalismo não é o mesmo que ser anticlerical. Este último significa a forte resistência secular ao poder social e político da Igreja Católica. O clericalismo tem a ver com uma ênfase excessiva no papel do clero nos assuntos internos da Igreja. Ele implica em elitismo clerical, na superioridade do sacerdócio sobre os leigos.

O anticlericalismo, como um conceito da política da Europa continental, passou, de alguma forma, do seu prazo de validade. Mas o clericalismo ainda está muito na moda, como um conceito-chave na análise dos fatores culturais que deram origem ao escândalo dos abusos sexuais clericais dentro da Igreja Católica. Tornou-se quase de rigueur que os líderes da Igreja digam que são contra o clericalismo nesse contexto.

O clericalismo sofreu um duro golpe por parte do ensino do Concílio Vaticano II, quando ressaltou o sacerdócio de todos os fiéis e o batismo comum. Mas há evidências de uma reação clericalista entre algumas das pessoas que estão recebendo formação para o sacerdócio ou que foram recém-ordenados.

No vestuário e na atitude, alguns deles parecem ansiar – quase narcisicamente – por uma restauração do elevado status do padre que caracterizava a vida paroquial nos anos 1950. Uma forma mais suave de clericalismo ainda está aparente nas estruturas diocesanas e no próprio Vaticano, onde poucos leigos podem ser encontrados, e geralmente em posições relativamente inferiores. E o clericalismo automaticamente marginaliza ou exclui as mulheres.

Às vezes, ele também está implícito na motivação daqueles que pressionam pelo retorno do rito tridentino ao uso geral. Enquanto o novo rito da missa pós-Vaticano II enfatiza a Eucaristia como uma atividade compartilhada por toda a comunidade, a missa proposta a partir do Concílio de Trento coloca mais peso sobre a separação de papéis, com o padre ativo, e a congregação assistindo passivamente.

O Vaticano continua colocando munição nas mãos do lobby pró-tridentino na Igreja, como na última instrução Universae Ecclesiae, emitida pela Comissão Pontifícia Ecclesia Dei. Será que ele não percebe o quanto isso vai incentivar as tensões de divisão na Igreja e um espírito de rebelião reacionária contra a autoridade episcopal local, sem falar do renascimento de um clericalismo misógino e elitista?

O restabelecimento do rito tridentino foi concebido para unificar a Igreja e reconciliar aqueles que se encontram afastados dela. Há um perigo real de que ele tenha o efeito oposto. Se os bispos não estão alarmados com isso, eles deveriam estar.

Enquanto isso, a mais recente instrução da Congregação para a Doutrina da Fé referente ao tratamento das denúncias de abuso clerical se move na direção oposta. Ela reconhece que, enquanto os bispos não podem fugir de suas responsabilidades, também não podem ter uma lei específica para si mesmos nesses assuntos. As conferências episcopais nacionais estão sendo exigidas a elaborar linhas diretrizes e a submetê-las ao Vaticano.

A importância da cooperação com as autoridades seculares, como a polícia, é enfatizada, embora a Congregação para a Doutrina da Fé curiosamente só enfatize o dever de comunicar todos os casos em que isso já é exigido por lei. Ela precisa ser mais geral do que isso: em muitos países não existe a obrigação de denunciar um crime. Com exceção disso, a instrução move a Igreja para o mundo real, em que uma prática melhor (como na Inglaterra e no País de Gales, talvez) seja o padrão comum. Como resultado, a Igreja será muito menos clerical – e mais segura.

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