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21 Maio 2011


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O Conselho Católico Norte-Americano (ACC, na sigla em inglês), grupo reformista formado em Washington em setembro de 2008, planeja realizar sua primeira conferência nacional em Detroit, entre os dias 10 a 12 de junho. A organização já recebeu duras críticas da hierarquia devido a partes de sua plataforma.

A reportagem é de Jerry Filteau, publicada no sítio National Catholic Reporter, 02-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em outubro passado, o arcebispo de Detroit, Allen H. Vigneron, advertiu os católicos locais a não participar da conferência e ordenou que as paróquias, escolas e outras instituições católicas locais não devem patrocinar ou hospedar qualquer uma das sessões de audição preparatórias que antecedem a conferência.

Em nota, a arquidiocese chamou a conferência de um "esforço mal orientado", que propõe objetivos "amplamente em oposição aos ensinamentos do Concílio Vaticano II" e que "distorce o verdadeiro espírito do Vaticano II".

Entre as organizações que se uniram para formar o Conselho Católico Norte-Americano estão:

  • Voice of the Faithful, organização internacional de leigos fundada em Boston, no rastro do escândalo dos abusos sexuais do clero, a fim de promover uma maior transparência e responsabilidade na Igreja;
  • FutureChurch, grupo católico com sede em Cleveland, liderado pela irmã de São José Christine Schenk, que defende a expansão do ministério ordenado às mulheres e aos homens casados;
  • Corpus, organização de padres casados que buscam o fim do celibato obrigatório aos padres católicos da Igreja latina.

Entre os principais oradores do encontro de junho em Detroit estarão presentes:

  • O famoso teólogo suíço Pe. Hans Küng, professor emérito de ecumenismo da Universidade de Tübingen, na Alemanha. Desde 1979, Küng foi proibido de lecionar como teólogo católico. Informações preliminares indicam que, dependendo de sua saúde, ele pode se dirigir ao grupo apenas por meio de um vídeo pré-gravado;
  • Ir. Joan Chittister, ex-priora da abadia beneditina de Erie, Pensilvânia, famosa autora e colunista do NCR, que tem criticado frequentemente as posições da Igreja em uma ampla variedade de questões;
  • Anthony Padovano, teólogo, escritor, ex-padre e ex-presidente da Corpus, que há muito tempo defende a abolição do celibato obrigatório na Igreja latina e outras mudanças na prática da Igreja;
  • James Carroll, colunista do jornal Boston Globe, ex-padre e autor muito premiado, cujo livro de 2009, Practicing Catholic [Católico praticante], é uma crítica muito forte ao papado de Bento XVI;
  • Kathleen Kennedy Townsend, filha de Robert F. Kennedy [senador dos EUA assassinado em 1968] e ex-vice-governadora de Maryland.
  • Jeanette Rodriguez, cátedra de teologia e de estudos religiosos da Universidade de Seattle e autora de várias obras sobre teologia hispânica. Rodriguez também atua no conselho diretivo do NCR.

No trabalho preparatório para a conferência de Detroit, o Conselho Católico Norte-Americano realizou inúmeras sessões de ouvidoria ao redor do país e elaborou uma Declaração de Direitos e Responsabilidades dos Católicos. Ela diz, em parte, que todo católico tem direito a:

  • "Desenvolver uma consciência esclarecida e agir de acordo com ela";
  • "Participar de uma comunidade de fé" e receber um "cuidado pastoral responsável";
  • "Proclamar o Evangelho e responder ao chamado da comunidade à liderança ministerial";
  • "Liberdade de expressão e liberdade de dissentir";
  • "Uma voz na escolha dos líderes e na forma em que o governo e a tomada de decisões são exercidos";
  • "Convocar e falar nas assembleias em que diversas vozes possam ser ouvidas".

"Os líderes da Igreja", diz o documento, "devem respeitar os direitos e as responsabilidades dos batizados e de suas comunidades de fé".

"Não se deve dizer que uma pessoa se torna católica às custas de ser menos norte-americana", diz o preâmbulo da Declaração de Direitos e Responsabilidades dos Católicos. "Não podemos declarar que os direitos fundamentais não têm lugar na Igreja de Cristo".

"Muitas vezes ouvimos que a `Igreja não é uma democracia`", acrescenta o texto. "Isso não é verdade: os concílios ecumênicos, as eleições papais e a eleição dos superiores religiosos ocorrem regularmente. O primeiro concílio ecumênico em 325 [em Niceia] declarou que nenhum padre estaria validamente ordenado a menos que a comunidade tivesse feito a seleção. Papas e bispos eram escolhidos pelo povo em geral. Fundamentalmente, a doutrina católica afirma que o Espírito é dado a todos e que o batismo torna iguais todos os católicos".

Em seu site, americancatholiccouncil.org, o conselho se descreve como "um movimento que reúne uma rede de indivíduos, organizações e comunidades para examinar o estado da nossa Igreja e discutir o seu futuro".

"Acreditamos que a nossa Igreja está em um ponto de viragem em sua história", acrescenta. "Lembramos a promessa do Concílio Vaticano II a um renascimento dos papéis e das responsabilidades de todos os batizados, mediante uma relação radicalmente inclusiva e engajada entre a Igreja e o mundo. Respondemos ao espírito do Vaticano II convocando os batizados a se unirem para demonstrar o nosso recomprometimento".

Entre outros conferencistas para a reunião de junho, que será realizada no Salão de Convenções do Cobo Hall, em Detroit, estão:

  • a irmã de Loretto Jeannine Gramick, cofundadora do New Ways Ministry e antiga defensora do ministério católico completo à comunidade gay, lésbica, bissexual, transsexual e simpatizante;
  • Leonard Swidler, professor de pensamento católico e diálogo inter-religioso da Temple University, da Filadélfia, e um dos fundadores da Associação pelos Direitos dos Católicos na Igreja;
  • Diana Hayes, uma das principais teólogas afro-americanas;
  • o padre jesuíta James Hug e a irmã dominicana Maria Riley, do Center of Concern, centro de consultoria de justiça social fundado pelos jesuítas;
  • Barbara Blaine e David Clohessy, líderes da Rede dos Sobreviventes dos Abusados por Padres (SNAP, na sigla em inglês); e
  • Jason Berry, cujos artigos no NCR sobre os abusos sexuais de menores por parte do clero têm ajudado a mudar a forma como a Igreja aborda essa questão.

Para mais detalhes, visite: americancatholiccouncil.org.

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