Bispos da Austrália irão discutir expulsão de Morris durante visita "ad limina"

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13 Mai 2011

O presidente da Conferência dos Bispos da Austrália manifestou "a nossa tristeza" perante a remoção do bispo William Morris da diocese de Toowoomba e disse que os bispos vão continuar a discussão sobre o caso durante as visitas ad limina, em Roma, no final deste ano.

A reportagem é de Tom Roberts, publicada no sítio National Catholic Reporter, 12-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto e revisada pela IHU On-Line.

Morris foi forçado a se retirar após não ter chegado a um acordo com o Vaticano sobre diversas questões, incluindo o uso da confissão e da absolvição gerais e por sugerir que a Igreja deveria discutir alternativas, incluindo a ordenação de mulheres, para um clero celibatário totalmente masculino que está em sério declínio .

A declaração da conferência dos bispos foi divulgada sob a forma de uma carta datada de 12 de maio, enviada pelo arcebispo Dom Philip Wilson ao bispo Brian Finnigan, que foi nomeado administrador apostólico na ausência de Morris. Wilson disse que os bispos australianos passaram "grande parte do tempo", durante um recente encontro, discutindo sobre os recentes acontecimentos entre si e com 40 líderes de congregações religiosas, muitos das quais têm membros que trabalham na diocese de Toowoomba.

Enquanto Morris recebeu um forte apoio do Conselho Nacional dos Presbíteros da Austrália e da maioria dos sacerdotes da sua diocese, a declaração da conferência dos bispos foi comedida, refletindo suas responsabilidades como bispos e "o papel singular do papa como cabeça do Colégio dos Bispos". A carta reconhece "a fidelidade do Papa Bento XVI ao ministério petrino, mesmo quando envolve decisões muito difíceis".

Segundo Wilson, a remoção forçada do dia 2 de maio veio na sequência de um complexo processo de 13 anos que "terminou em um impasse".

Ele disse que a discussão do processo que culminou com a remoção forçada de Morris, "irá continuar durante a nossa visita ad limina a Roma no final deste ano. Lá teremos a oportunidade para compartilhar com o Santo Padre e os membros da Cúria Romana os frutos da nossa discussão e compartilhar nossas questões e preocupações com um olho no futuro".

Um resumo da contenda de Morris e a cúria romana e uma reflexão sobre os acontecimentos recentes,feita pelos sacerdotes de Toowoomba, afirma que o problema do bispo com Roma começou logo depois que ele foi assumiu como bispo em 1993, no rastro de várias alterações no estilo da liderança do bispo anterior.

Os sacerdotes descrevem que ele incentivou o diálogo e a colaboração com medidas como a criação de um conselho pessoal, que consultava as pessoas das paróquias antes de recomendar um padre como pároco; o estabelecimento de uma comissão litúrgica diocesana para formar os sacerdotes e as pessoas; o estabelecimento de diretrizes para o uso de absolvição geral e dos ritos comunitários de reconciliação. Morris realizou assembleias diocesanas para "revigorar a vida pastoral da diocese, e rever e refinar um plano pastoral diocesano". O bispo também usava uma gravata com o seu brasão, ao invés do colarinho romano, e oferecia aos padres a opção de usar uma gravata semelhante como veste clerical, além dos trajes clericais tradicionais. A escolha cabia aos sacerdotes individualmente.

"O estilo tranquilo e aberto do bispo foi bem recebido pela maioria da diocese. Entretanto, houve uma pequena mas forte minoria que encontrou falhas em praticamente todas as ações que ele tomava e em todas as decisões que ele fazia", escreveram os sacerdotes, e esse grupo começou a enviar cartas para as congregações do Vaticano.

Os sacerdotes descrevem uma tensão crescente entre Morris e as congregações do Vaticano, que resultaram na visitação de 2007 do arcebispo de Denver, Charles Chaput, que produziu um relatório escrito para o Vaticano, que Morris ainda não viu.

Durante uma entrevista à rede Australian Broadcasting Corporation no dia 8 de maio, Morris disse que o rito comunitário da confissão com absolvição geral foi o primeiro elemento sobre o qual ele teve uma discussão com Roma. Ele disse que fez um levantamento das pessoas em sua grande diocese, em uma área rural extensa e escassamente povoada, maior do que a Alemanha, de acordo com Morris, e descobriu que um desejo consistente do povo era pelos serviços de penitência comunitários. Ele disse que assumiu essa causa "porque eu realmente acredito que as pessoas precisam de uma voz. Se o bispo na comunidade local não der voz às preocupações das pessoas... bem, então eles certamente não vão ter voz".

Ele disse que durante as discussões com as autoridades do Vaticano, em Roma, ele foi acusado de dar às pessoas um voto sobre os assuntos. Ele disse que era incapaz de mudar a conversa para que entendessem que  "eu estava ouvindo as vozes do povo. Eu estava ouvindo os seus corações e assim por diante, e não estava dando-lhes um voto. Eu lhes pedia isso para que eu pudesse ouvi-los. Mas, de uma forma ou outra, a conversa sempre voltava para o fato de eu ter lhes dado um voto".

Morris, quando perguntado se tinha uma mensagem para a Igreja em geral, respondeu: "A Igreja é o povo, e o Concílio Vaticano II deixou isso muito claro. Eles têm uma voz e um coração, e é terrivelmente importante para eles manter essa voz e interpelar os seus bispos, através de seus conselhos paroquiais, de seus conselhos pastorais diocesanos, através de todos os mecanismos" que existam, e que os bispos "permitam que suas vozes sejam ouvidas na Igreja e no mundo, para que o Espírito fale através de toda a Igreja e não presumivelmente apenas através de alguns poucos".

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